
Bom dia
Trazemos ao seu conhecimento duas tomadas de posição do MPPM para as quais solicitamos a sua melhor atenção.
MPPM condena declarações do governo de Israel sobre ocupação perpétua dos Montes Golã
As recentes declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reafirmando a intenção de anexar, em definitivo, os Montes Golã ao território israelita são graves e muito preocupantes e não podem deixar de suscitar um vivo repúdio por parte da comunidade internacional.
O MPPM recorda que os Montes Golã são território sírio, ocupado militarmente por Israel na sequência da Guerra dos Seis Dias (1967), e que a comunidade internacional nunca aceitou este acto de Israel.
No momento em que decorrem negociações para procurar alcançar a paz na Síria, o governo de Israel mostra ser um elemento perturbador e causador de insegurança e conflitos na região.
O MPPM sempre afirmou que a paz na região é condição para a resolução da questão palestina, do mesmo modo que a resolução desta questão é um contributo para a paz na região. Também sempre denunciou o carácter belicista, colonizador e ilegal da governação israelita.
No Comunicado 07/2016 analisamos o efeito das declarações de Netanyahu no contexto da situação na Palestina ocupada e dos conflitos no Médio Oriente e à luz do Direito Internacional.
MPPM condena a abertura de Missão Permanente de Israel na NATO
Também o recente anúncio de abertura de uma missão permanente de Israel junto da NATO não pode deixar de suscitar uma indignada condenação por parte do MPPM e um convite a que se juntem a este protesto todos os que prezam o direito, a justiça e a liberdade.
No Comunicado 08/2016 recordamos o historial de Israel na agressão, expulsão e espoliação do povo palestino e a repressão violenta exercida sobre as populações dos territórios palestinos ocupados. Destacamos, também, o papel desestabilizador da NATO, designadamente, na Líbia, no Afeganistão e no Iraque. Trata-se, pois, de uma associação que, em vez de trazer esperanças de paz, prenuncia um agravamento perigoso da conflitualidade no Médio Oriente.
Cordiais Saudações
A Direcção Nacional do MPPM

PALESTINA – UMA PÁTRIA USURPADA!
Fiz recentemente uma viagem à Palestina – digo bem, Palestina!
Uma viagem àquelas paragens com uma história milenar riquíssima, onde se cruzaram povos de tantas origens, uma terra dominada por variados impérios ao longo dos séculos e que é o centro de onde irradiaram as três religiões monoteístas, não deixa ninguém indiferente.
Menos indiferente ficará com a dramática situação politica e social que ali se vive, cujas origens também são remotas: um povo – o povo Palestiniano – a quem é negado o direito de construir uma pátria na sua própria terra por um estado usurpador: o estado sionista de Israel, marcadamente colonialista, totalitário, chauvinista e de um tipo fascizante tardio, dirigido por um Governo de extrema-direita radical, com características ultranacionalistas e racistas, defensor dos princípios do movimento sionista ultraconservador e de natureza terrorista, como têm demonstrado nos confrontos com os britânicos e os árabes habitantes da Palestina e as nas guerras havidas com os países árabes vizinhos.
Como resultado da viagem, constatei na fonte o que já era óbvio:
Israel e os seus apoiantes da chamada comunidade internacional – p.ex. União Europeia, EUA e Alemanha – não têm a mínima intenção de fazer o quer que seja para possibilitar a criação e existência de uma Nação e de um Estado Palestiniano. Muito pelo contrário: tudo farão para o evitar, recorrendo a uma prática diária de despojo, humilhação, exploração, segregação, violência e negação dos direitos mais básicos, como a livre circulação, o acesso à agua, à terra, à saúde, à educação, boicotando todo o desenvolvimento da economia e condenando o povo palestiniano a viver miseravelmente.
Com este comportamento, os actuais judeus parecem ter esquecido a tragédia gigantesca do Holocausto, das perseguições, do sofrimento atroz que lhes foi infligido pela besta nazi, matando milhões dos seus irmãos de fé.
Outra constatação foi a de que, apesar do respeito que deve merecer a mole humana que ali acorre de todos os lugares do planeta em busca de milagres, da salvação e da cura dos males que os afligem, o que se constata é que as religiões – todas elas – são instrumentos de dominação e alienação massiva, deliberadamente criados para travar toda a tentativa de realização pluridimensional da pessoa, da sua libertação politica, intelectual, económica e espiritual. A simples observação da indústria religiosa montada principalmente em Jerusalém, faz-nos concluir que assim é.
O povo judeu que habita o território da Palestina, quer os regressados da Diáspora quer os seus descendentes, tem no seu passado traumas colectivos que todos entendemos. A sua idiossincrasia está ligada ao seu passado. A um passado de terror sofrido e provocado.
Seja como for, constata-se que a sociedade israelita de hoje é tremendamente agressiva, segregacionista e arrogante. Carregados de um misticismo religioso, que em muitos casos atinge desvios doentios, é uma sociedade a precisar de uma profunda reflexão dos próprios sobre o seu futuro.
Mas Israel é um ponto estratégico naquela zona do globo. Estratégico em termos militares e da economia mundial. Não tem, por enquanto, petróleo ou gas, mas tem as suas rotas de acesso e de escoamento, essências para as grandes potências imperiais, rotas que têm que permanecer acessíveis e pacificadas. Enquanto assim for, tragicamente não haverá solução para os conflitos que ali se desenrolam.