
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Obama-Erdogan: o par de alto risco de guerra?

Dr. Bernard Plouvier, autor, ensaista – Obama-Erdogan : o par de alto risco de guerra?
Revista Metamag, 18 de Fevereiro de 2016
Encaremos friamente qual é o estado do mundo islâmico desde que, a partir de 2008, os EUA são dirigidos por um cripto-islamismo – Barack-Hussein Obama – e que a Turquia, renunciando à sua laicidade kemalista se tornou um regime islâmico, sob a férula do sunita Recep Erdogan, um aliado muito fiel , não dos EUA e da NATO , mas de Obama, o que não é exactamente a mesma coisa.
Obama (nascido em 1961) é, cada um pode descobri-lo facilmente com a leitura das suas confidências publicadas nos EUA, o filho de um muçulmano da África oriental (Uganda-QUÉNIA), que se tornou mais tarde ateu e alcoólico ( o que é uma outra maneira de rejeitar o Islão). Dos 6 aos 10 anos, na Indonésia, o pequeno Barack-Hussein foi considerado “muçulmano”… tendo em conta a sua tenra idade e reconhece-se de boa vontade que esta menção sobre um processo escolar não corresponde obrigatoriamente a nenhuma convicção profunda.
Contudo, é através dos frutos que se julga a árvore. Por toda a parte em terras de Islão, a política guerreira do Prémio Nobel da Paz ao longo do ano 2009 fez-se em detrimento dos velhos potentados amolecidos e em benefício dos muçulmanos mais exaltados: Tunísia, Líbia, Iraque, Síria, mas o também Sudão do Norte, Iémen, sem estar a contar com um guerrilha no Paquistão, na Indonésia e nas Filipinas, por último, uma agitação ultraviolenta no Sahel e nos países da África central e ocidental. Cereja sobre o bolo: o Estado Islâmico (I.E. – Daesh, se assim se preferir) e a imigração-invasão muçulmana imposta à Europa ocidental e danubiana, para aí levar a paz e a prosperidade, como cada um de nós o pode confirmar .
O I.E., foi armado e financiado pelos emires e reizinhos do islamismo a viver do petróleo da península arábica e a Turquia, ou mesmo Israel (onde se comercializa o petróleo de Mossul, que por seu lado se tornou a fonte de autofinanciamento do I.E., até que, muito recentemente, a ofensiva dos Russos e dos Sírios legalistas bloqueia a fronteira turca de onde os camiões cisternas e os barris eram exportados, em que esta placa giratória era gerida pelos próximos do Presidente Erdogan).
Recep Erdogan (nascido em 1954), que é sem dúvida a mais forte personalidade política desde a morte de Mustafa Kemal “Atatürk” em 1938, dirige a Turquia desde 2003 (como primeiro- ministro, seguidamente como chefe do Estado, triunfantemente eleito em 2014). O homem é um sunita fanático que, de 2008 a 2012, quebrou o estado laico imposto por Kemal, com a aprovação de uma maioria do seu eleitorado. Não deixa de ter muito interesse assinalar que sob a direcção de Erdogan, a Turquia está prestes a tornar-se uma potência nuclear “civil”!
É também, mais discretamente, um panturaniano. Mas o Cazaquistão, o Uzbequistão, o Quirguizistão e o Turquemenistão são reservas de caça bem guardadas das multinacionais dirigidas dos EUA, e ele apenas pode agir no Turquistão chinês (ou Xinjiang), onde muito discretamente organizou uma agitação panturaniana fortemente reprimida pelos governantes chineses, nada reputados pela sua paciência: o racismo chinês choca-se frontalmente com o racismo turaniano. Tendo em conta a relação de forças na Ásia central, é pouco provável que esta discordância venha a acabar numa guerra à escala planetária.
Em contrapartida, a acção combinada dos desonestos Obama e Erdogan no Médio Oriente está já cheia de um casus belli, certamente exótico, descentrado, de interesse medíocre: a Síria é apenas uma zona de passagem para pipelines e poder-se-ia construí-los por outros lugares como se fez contornando o Afeganistão onde a agitação de fanáticos primitivos tornava impossível a sua implantação.
Este tipo de conflito regional pode acabar por vir a acabar numa guerra mundial: bem nos estripámos, de 1914 à 1918, a propósito da Bósnia Herzegovina, anexada alguns anos antes pelo Império austro-húngaro, cobiçada por agitadores sérvios, incentivados pela Rússia imperial, demasiada segura de um apoio francês e do ódio que dedicava ao poder o britânico e a uma Alemanha demasiado dinâmica. Um pequeno conflito regional pode desencadear um ajuste de contas intercontinental; sabemo-lo todos muito bem desde 1914 e 1939.
Ora, depois de ter espicaçado a aviação soviética no final de 2015, o bom apóstolo Erdogan – a coberto de uma enésima operação militar contra os curdos odiados de forma multi-secular pelos Turcos (mas também pelos Iranianos, pelos Iraquianos e pelos Sírios) – aproxima-se perigosamente de uma confrontação directa com as forças russas envolvidas por Vladimir Putine no apoio ao governo legal da Síria, que Obama quer a todo o custo ver desaparecer antes de ser forçado a abandonar da Casa Branca.
A questão que um europeu enfiado na NATO tem o direito de levantar é a seguinte: será possível que os dois loucos de Allah, declarado (Erdogan) e escondido (Obama), tenham estado a planificar uma guerra engraçada – tão útil aos grandes negócios e ao triunfo de Allah todo poderoso – opondo o bloco sino-russo ao bloco ocidental e islâmico? Porque o que não tinham previsto os geniais politólogos do fim do século XX século e do início da era mundialista está a realizar-se debaixo dos nossos olhos pasmados: um conluio, contra natura, contra qualquer lógica e certamente oposto aos interesses das Nações europeias, entre os políticos de certos governos da suposta Europa Unida e os furiosos do Islão conquistador, conluio organizado curiosamente pelo Presidente dos EUA, com a bênção de líderes das multinacionais, de olhos arregalados sobre a curva previsional dos lucros daqui a cinco anos.
Delírio ou triste realidade? O futuro demonstrá-lo-á e muito rapidamente.
Dr Bernard Plouvier, Revista Metamag, Obama-Erdogan : le couple à haut risque de guerre? Texto disponível em :
http://metamag.fr/2016/02/18/obama-erdogan-le-couple-a-haut-risque-de-guerre/
