A LUTA PELA LIBERDADE por Luísa Lobão Moniz

 

Em memória de todos aqueles que lutaram, e deram as suas vidas pela democracia e pela liberdade, em memória daqueles que estão hoje nas cadeias por motivos políticos e que estão a defender o povo a que pertencem com as suas próprias vidas, lembremos…

Em 2016, não, não estão às escondidas de ninguém, são vistos na televisão, nos jornais, nas manifestações, feitas por toda a parte, em prol da sua libertação. Ninguém pode dizer que não sabe, não viu, não ouviu…

Quando se luta pela liberdade com uma coragem sem limites, com um sentimento de entrega, de firmeza e de lealdade para combater na clandestinidade, para combater em grupos armados em que as balas espreitam em cada esquina, em que a prisão e a tortura são paragens previstas…

…os nomes destes libertadores, os seus rostos tornam-se conhecidos e, quando para além disso, conseguem a liberdade para todos e conseguem dirigir os seus países, essas pessoas tornam-se ídolos das gerações seguintes, as suas lutas  não conhecem fronteiras.

 Gandhi, Luther King, Mandela, rainha de Angola, a guerreira Njinga, Amílcar Cabral.

 Lucrécia Paím, Engrácia Santos, Irene Cohen e Teresa Afonso, participaram do processo da luta de libertação de Angola para a conquista da independência e, por isso, continuam a ser motivo de orgulho e de fonte de inspiração para muitas outras mulheres angolanas.

Só uma grande causa, como a da luta por uma sociedade sem exploradores nem explorados, por uma sociedade mais justa e igualitária, por uma sociedade que respeite o povo, que respeite os Direitos Humanos, por uma sociedade em que a violência contra as mulheres,  contra as crianças, contra os idosos e contra todos aqueles que são o elo mais fraco da cadeia social, é motivadora para não baixar os braços numa atitude de conformidade…Que estas causas façam parte da memória passada, porque outras causas surgirão…

As sociedades, em que os indivíduos estão inseridos, determinam as  formas de luta a adoptar: grupos armados radicais, grupos na clandestinidade que lutam no invisível, e morrem mesmo na clandestinidade, organizações que se dedicam a estudar estas e outras formas de luta para poderem lutar nas suas sociedades pela liberdade de expressão, pela criação de sindicatos, por um ensino laico, por eleições livres…, para denunciar realidades anti democráticas, sexistas, racistas, discriminatórias, faltas de direitos de cidadania.

Têm sido esses ideais de liberdade e de  justiça social, sempre presentes, que marcaram o tempo e o ritmo das lutas.

A memória presente não pode deixar esquecer os presos políticos como Luaty Beirão que se tornará num símbolo de luta pela liberdade em Angola.

 “Durante a minha vida, me dediquei à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e conseguir realizar. Mas, se preciso for, é um ideal para o qual estou disposto a morrer.”

Nelson Mandela, na abertura de sua declaração de defesa no Julgamento de Rivonia, em Pretória, em 20 de Abril de 1964

 

 

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