QUINTA -FEIRA, 26 DE MAIO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Feriado reposto, pelo governo de António Costa, depois de ter sido retirado pelo governo de Passos Coelho.

Quinta -Feira, 26 de Maio, dia de inauguração da Feira do Livro de Lisboa.

De ano para ano a Feira tem cada vez mais pavilhões. Novas Editoras apareceram, Editoras fora do controlo dos dois grandes grupos editoriais, Leya e Porto Editora.

Publica-se muitos títulos de livros novos, fazem-se reedições e é preciso mais espaço para os expor.

Quinta -Feira, 26 de Maio, um dia com Sol e boa disposição no ar.

As alas do Parque Eduardo VII encheram-se de pessoas de muitas culturas diferentes, de todas as idades, com mil e uma maneira de se vestir.

No ar sentia-se o “perfume” característico das farturas, nas esplanadas comia-se cachorros, gelados, sandes, pasteis de chave, ginjinha, cerveja, sei lá que mais.

O Sol estava bonito e acolhedor, convidava ao lazer sem pressa.

Entre os Pavilhões estavam vários escritores a dar autógrafos e a conversarem com leitores ou amigos. É sempre tão bom rever pessoas que já não se viam desde o ano passado!

De repente imensos jornalistas, com microfones nas mãos e máquinas de filmar aos ombros, movimentaram-se de forma desorganizada, iam contra as pessoas, pondo por vezes  em risco, o equilíbrio dos mais distraídos ou indefesos.

O que se passava, nada de especial: o Presidente da República tinha ido inaugurar a Feira. O Marcelo como comentavam as pessoas, que já agora também o queriam ver.

Do lado de dentro dos pavilhões a Feira é diferente. Vemos passar pessoas que todos conhecemos, pessoas que só nós conhecemos, pessoas que não conhecemos. Como é diferente do lado de lá dos livros…

No tabuleiro dos livros para crianças as situações são muitas e variadas.

Pés pequeninos correm e dizem: Oh mãe! Olha!

A criança, por vezes em bicos de pés, folheia o livro perante a indiferença da mãe que lhe diz: Vá, anda, assim não chegamos ao fim!

Ao fim de quê? Da pressa de chegar ao fim?

Outra criança olha para os livros que gostava de ver, mas a mãe: Não mexe, vê na minha mão. Este é muito infantil, não acha? E agora foi a vez da criança se mostrar indiferente e pendurar-se no tabuleiro para espreitar o que se passa lá dentro.

Olha tão bonito! Queres ver? Vê comigo. Gostas? Queres comprar este, já sabes que podes comprar três livros…diz a mãe com os olhos postos nos outros dois filhos, onde andará o pai das crianças?

Quanta leitura sobre comportamentos se poderá inferir destas observações feitas do lado invisível dos livros expostos.

Porque é que quase, quase sempre é a mãe que acompanha os filhos para verem os livros para crianças?

Porque é que a maior parte das mães interferem, impositivamente, na escolha dos livros?

Porque ficam indiferentes quando os filhos querem ver um livro?

Porque não deixam os filhos mexer nos livros sem terem medo que os estraguem?

Na próxima 4ª feira é o dia Mundial da Criança e todos os anos a Feira enche-se de crianças. Vamos ver como se comportam os adultos e as crianças.

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