
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

15. Uma nova guerra já começou – quebremos o silêncio

John Pilger, Start of a new world war
Fonte: Consortiumnews.com., 22 de Março de 2016
A propaganda a propósito “da agressão” russa e chinesa camufla a realidade de um movimento agressivo dos Estados Unidos e do Ocidente para encurralar estes dois países, o início de uma nova guerra mundial, segundo John Pilger.

Filmei as ilhas Marshall, que se situam a norte da Austrália, no meio do oceano Pacífico. Cada vez que digo aos meus amigos onde fui, perguntam-me “onde é ? ” Se lhes der uma dica falando de “Bikini ”, respondem “ está a falar de fatos de banho . ”
Alguns parecem estar ao corrente que o fato de banho “biquíni” foi assim chamado em homenagem às explosões nucleares que destruíram a ilha de Biquíni. Os Estados Unidos fizeram explodir sessenta e seis engenhos nucleares nas ilhas Marshall entre 1946 e 1958 – o equivalente de 1,6 vezes a bomba de Hiroshima em cada dia e durante 12 anos.

O Presidente Barack Obama aceita inconfortavelmente o Prémio Nobel da Paz das mãos do Presidente do Comité Thorbjorn Jagland em Oslo, Noruega, a 10 Dezembro de 2009. (White House photo)
Bikini está hoje silenciosa, mudada e contaminada. As palmeiras crescem com uma estranha forma de grelha. Nada se move, nada mesmo. Não há passarinhos. As pedras tumulares do velho cemitério têm cores vivas com as radiações. Os meus sapatos ao passarem por um contador Geiger assinalam “perigoso”.
De pé sobre a praia, olhava o verde esmeralda do Pacífico acabar perto de um vasto buraco negro. Era a cratera deixada pela bomba de hidrogénio a que chamaram “Bravo”. A explosão envenenou as pessoas e o seu ambiente sobre centenas de quilómetros em volta, talvez para sempre.
No dia do meu regresso, parei no aeroporto de Honolulu e observei uma revista americana chamada Women’ s Health. Na capa havia uma mulher sorridente em biquíni com o título: “Também pode ter um corpo de bikini. ” Alguns dias antes, nas ilhas Marshall, tinha entrevistado mulheres que tinham “corpos de bikini” muito diferentes; cada uma delas tinha contraído cancro da tiróide e outros cancros que são mortais.
Contrariamente à mulher que sorri na revista, todas elas eram pobres: as vítimas e cobaias de uma superpotência ávida que é hoje mais perigosa que nunca.
Relatei esta experiência como uma advertência e para interromper uma diversão que consumiu tanto de nós. O fundador da propaganda moderna, Edward Bernays, descrevia este fenómeno como “a manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões” das sociedades democráticas. Chamava a isso “um governo invisível”.
Quantas pessoas estão ao corrente de que uma guerra mundial já começou? De momento, é uma guerra de propaganda, de mentiras e de diversões, mas a situação pode alterar-se instantaneamente com o primeiro erro de comando, o primeiro míssil.
A administração de Obama fabricou mais armas nucleares, mais ogivas nucleares, mais sistemas de vectores nucleares, mais fábricas de materiais nucleares. As ogivas nucleares custaram por si sós mais sob Obama que sob todos os presidentes americanos. O custo sobre os 30 anos é de mais de 1000 mil milhões de dólares.

