O DRAMA DOS MIGRANTES NUMA EUROPA EM DECLÍNIO E CAPTURADA POR ERDOGAN E OBAMA – 20. III GRANDE GUERRA? UMA “GUERRA HÍBRIDA GEO-FINANCEIRA” ENTRE A NATO E A RÚSSIA ESTÁ A ENTRAR NUMA ESCALADA PERIGOSA – por MAC SLAVO

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 Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

SHTFplan-logo-350III Grande Guerra? Uma “guerra híbrida geo-financeira” entre a NATO e a Rússia está a entrar numa escalada perigosa

Mac Slavo[1], WWIII? A “Hybrid Geo-Financial War” Between NATO and Russia Is Dangerously Escalating

SHTFplan.com, 20 de Maio de 2016

Zero Hedge, 21 de Maio de 2016  

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A Rússia está a preparar-se para uma guerra contra o Ocidente.

Putin está a ser incitado para  fazer assim porque os E.U. e a NATO se têm, eles mesmos, estado a preparar para a guerra.

A Síria e Ucrânia são apenas períodos de aquecimento para um jogo bem mais fundo. A realidade pode estar ali mesmo, ao virar da esquina, e outros pontos de tensão estarão a ir pelo mesmo alinhamento, isto é pelo mesmo caminho.

O aumento das tensões para o conflito militar está a ser profundamente agravado pela guerra financeira mais furtiva que todavia está a cobrar um enorme tributo por todo o globo, em particular com os preços do petróleo a entrarem em colapso e a colocarem uma pressão incrível sobre aqueles regimes que moldaram uma enorme sistema de benefícios sociais apoiados no seu financiamento pelo petróleo a 100 dólares por barril.

Como SHTF relatou anteriormente, isto tornou a Venezuela altamente vulnerável, e é doloroso ver hoje como esta nação rica em petróleo se está agora a desmoronar. Contudo, a manipulação destes preços tem igualmente feito uma enorme pressão sobre a Rússia (assim como sobre outros países)… enquanto que a tentativa de cortar o abastecimento de gás natural russo à Ucrânia tomando conta da Ucrânia e levando a que sejam os países da NATO a assegurar o abastecimento em gás à Europa em vez de Rússia tem até agora falhado.

É um jogo geopolítico sofisticado que talvez ninguém esteja a ganhar e isto independentemente de quem consiga aguentar-se e não vir a cair.

Um artigo detalhado, mas não obstante alarmante assinado por Alastair Crooke relata que há uma pressão significativa sobre Putin desencadeada por outros altos quadros russos para que a Rússia venha a assumir uma linha dura nos próximos dias.

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Do artigo publicado por Huffington Post[2]:

Putin tem de encontrar o ponto de equilíbrio entre, por um lado, as várias elites mais viradas para o Ocidente e para o “consenso de Washington” e, por outro lado, aqueles que estão preocupados com a ideia de que a Rússia enfrenta na verdade uma dupla ameaça, a da Organização do Tratado do Atlântico Norte e uma  guerra híbrida geo-financeira também. Ele está a ser pressionado para se colocar ao lado destes últimos e a retirar as alavancas do poder económico que os primeiros ainda detêm firmemente.

Em suma, a questão que agora se torna crítica no Kremlin é se a Rússia está suficientemente preparada face aos esforços ocidentais com os quais se pretende garantir que a Rússia não possa nem travar nem rivalizar com a hegemonia americana. A Rússia pode sustentar um assalto geo-financeiro, se este for lançado? E a ameaça é ela bem real ou é antes uma simples postura ocidental para alcançar outros fins?

O que é mais importante em tudo isso, é que se esses eventos são mal interpretados pelos ocidentais – que já considerem toda e qualquer acção defensiva da Rússia como uma agressão…, todas as condições para uma escalada estão reunidas. Nós já tivemos uma guerra para fazer recuar a NATO na Geórgia. Uma segunda guerra da reacção está actualmente em curso na Ucrânia. Quais poderiam ser as consequências de um terceiro conflito?

Em meados de Abril, o general Alexander Bastrykine, chefe do Comitê de investigação russo (uma espécie de super Ministro da justiça, como é descrito por Cohen), escreveu que a Rússia – apesar do seu papel na Síria – não estava militarmente pronta para enfrentar uma nova guerra, nem no estrangeiro nem no seu território, e que sua economia estava em mau estado. Além disso, o país está também desprotegido face a uma guerra geo-económica potencial. O general Bastrykine declarou que os ocidentais estão a preparar uma guerra contra a Rússia e os líderes da Rússia não parecem estar conscientes do perigo que ameaça o país nem a mostrar o mínimo sinal de vigilância.

O general Bastrykine não diz que essa responsabilidade cabe a Putin, embora fique claro, no contexto, que é isto o que ele sugeriu. Alguns dias mais tarde, como explica Cohen, este artigo deu origem a mais comentários de apoiantes do general que denunciam claramente Putin. Um general russo aposentado entrou na arena para confirmar que os ocidentais se estavam de facto a preparar para a guerra – tomando como exemplo, as implantações da NATO no Báltico, no mar Negro e na Polónia – e mais uma vez destacou a falta de preparação do exército russo para esta ameaça.

“É uma acusação séria contra Putin”. Mais grave ainda é que é pública ‘, análise o Sr. Cohen.

 […]

A política económica do governo está a ser criticada. A oposição reclama que quer ver uma mobilização imediata dos militares e da economia de guerra, convencional ou híbrida. Não se trata de querer a deposição de Putin; é sobre a pressão para que puxe das armas e que seja forte.

Há aqui todos os motivos para pensar que os interesses conflituantes da NATO e da Rússia podem e irão desencadear mais focos de tensão em todo o mapa e em volta do arco que geralmente rodeia o antigo império soviético, o qual os americanos esperam conter a fim de manter o seu próprio império em ruínas.

Enquanto o Presidente Obama, agora oficialmente o Presidente que supervisionou o mais longo período de guerra (embora um pouco contraído), pode estar relutante em prosseguir sob a forma de conflito aberto com a Rússia, uma presidente como Hillary Clinton pode estar muito mais disposta a fazê-lo. Ela já apelou nos últimos dias para uma ‘guerra contra ISIS,’ que de forma muito fácil também dá um pretexto aberto para levar o desafio NATO-Rússia aos pontos de conflito onde quer que eles possam aparecer.

As posições do Donald Trump sobre estas questão não são ainda claras, mas ele começa a rodear-se do mesmo tipo de assessores – incluindo Henry Kissinger – que nos trouxeram a este ponto.

Com o declínio económico e uma fadiga definitiva pela guerra, os americanos enfrentam ainda o fim do dólar como moeda mundial padrão e uma era onde as Nações BRICS, e em especial as forças armadas da Rússia e da China, representam uma ameaça existencial para o mundo que os Estados Unidos e Grã-Bretanha esculpiram depois da Segunda Grande Guerra e em que estes essencialmente ganharam de longe aos soviéticos depois do final da guerra fria.

Estes impérios crescente e minguante são perigosos tanto quanto as suas vulnerabilidades e as suas lacunas se tornam expostas e os seus territórios contestados.

O facto de que Putin está a ser apoiado ou pressionado dentro da Rússia para ser menos diplomático e mais agressivo em posicionar-se para a guerra é muito inquietante. Muitos dos nossos chefes americanos mais perigosos estão muito dispostos a provocar o urso russo e evocam já uma reacção.

A Ucrânia e a Síria, bem como o conflito na Geórgia antes destes, em 2008, provam que os EUA continuarão em guerra e a posicionarem-se numa postura de dominação global, apesar da falta de uma narrativa coerente (mas há o ISIS), ou de qualquer pretexto convincente para o envio de tropas e para patrocinar exércitos de procuração (proxy) .

O povo americano está cansado de guerra, mas os charlatães em Washington estão bastante ansiosos por revigorarem o seu sentido do poder e o direito de controlarem os grandes negócios aqui e no exterior. Apesar de tudo, a guerra – uma outra forma de doença – é boa para a economia e uma grande guerra significa um mandato de poderes de emergência e um período de obediência absoluto da população interna.

A ameaça é demasiado real, e uma provocação séria tal como, por exemplo, um ataque de falsa bandeira do tipo daqueles que suscitaram a maioria das guerras no passado, poderia estar no horizonte.

Isto significa que tudo aponta basicamente para uma III Guerra Mundial… ou pelo menos para uma segunda guerra fria total. Poderá ser um longo caminho mas o certo é que se sente o seu cheiro no ar

O que é que pensa que vai acontecer ?

 Zero Hedge; WWIII? A “Hybrid Geo-Financial War” Between NATO and Russia Is Dangerously Escalating. Texto disponível em:

http://www.zerohedge.com/news/2016-05-21/wwiii-hybrid-geo-financial-war-between-nato-and-russia-dangerously-escalating

________

[1] O texto de Zero Hedge foi anteriormente publicado por http://www.shtfplan.com/  e o texto está disponível no seguinte endereço:

 http://www.shtfplan.com/headline-news/wwiii-a-hybrid-geo-financial-war-between-nato-and-russia-is-dangerously-escalating_05202016

[2] O texto integral de Huffington está disponível em: http://www.huffingtonpost.com/alastair-crooke/putin-west-war_b_9991162.html

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