EDITORIAL – UMA CAMPANHA HORRÍVEL

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O partido republicano norte-americano está numa situação difícil. Parece que afinal, apesar de muito contrariado, vai ter mesmo de avançar com a candidatura de Donald Trump às próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em Novembro próximo. O “ilustre” pré-candidato, após uma campanha horrível, recheada de apelos aos sentimentos mais baixos das pessoas, tirando partido das inseguranças de muitos concidadãos seus, afectados, de uma maneira ou outra, pelas crises que afectam tanto o seu país como o resto do planeta, parece que conseguiu transformar a eleição presidencial num referendo sobre a sua própria pessoa. Provavelmente quem vai apreciar isso mais é a provável adversária de Trump em Novembro, Hillary Clinton, porque assim esta talvez consiga evitar que os eleitores se debrucem com mais atenção sobre as suas próprias limitações, que são muitas.

O ego de Trump talvez o faça apreciar a situação. O sentir a sua personalidade tão detestada talvez o ajude a acreditar num sentimento de superioridade sobre as pessoas em geral. Mas não é com certeza uma qualidade recomendável seja para quem for, muito menos para um candidato a governante. E subsiste a grande interrogação: Como é possível que um país que procura  aparecer ao resto do mundo como exemplar no campo da democracia tenha um indivíduo destes na primeira linha das candidaturas à presidência da república? Racista, xenófobo, misógino, islamófobo…  alinham-se os qualificativos que o homem merece, tendo em conta as suas intervenções. Aos que pensam que ele diz alto o que os outros não se atrevem a exprimir abertamente, há que dizer simplesmente que os preconceitos e a soberba são os inimigos principais da democracia e do convívio civilizado.

Os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo. Infelizmente a política que têm seguido, internamente e na cena internacional, não tem contribuído para o bem-estar geral. Internamente recrudesce o racismo, o desemprego é estrutural, embora procurem fazer-nos acreditar em estatísticas que dizem o contrário, ideias retrógradas como o criacionismo parecem ganhar terreno e as suas autoridades mostram grandes dificuldades em aceitar que é muito urgente enfrentar a problemática das alterações climáticas. Apesar do enorme contributo que muitos dos seus cidadãos têm dado para o progresso humano, são o país que mais tem defendido o capitalismo selvagem, extractivo e predador. Donald Trump é um produto dessa maneira de ser norte-americana. E infelizmente a candidata que parece estar em vias de ser designada para lhe fazer frente em Novembro não aparenta estar animada por um ideário muito diferente do dele, nem ter a fibra necessária para a procura de outros caminhos.  Esta situação está a ter reflexos na Europa e em todos os outros continentes americanos.

Sobre a candidatura de Trump, propomos que cliquem nestes links:

https://www.washingtonpost.com/news/post-politics/wp/2016/06/20/trump-parts-ways-with-campaign-manager/?wpisrc=al_alert-COMBO-politics%252Bnation

http://www.dn.pt/mundo/interior/trump-diz-que-ganha-as-eleicoes-mesmo-sem-o-apoio-do-partido-5237174.html

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