EDITORIAL – UM PLANO B PARA A UE?

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De uma coisa não há dúvida: o BREXIT apanhou desprevenido muita gente. Olhe-se para as reacções, a começar pelas declarações dos líderes europeus, e a seguir pelos cabeçalhos dos jornais e aberturas dos noticiários televisivos. Os próprios patrocinadores do Brexit parecem hesitantes sobre o que fazer. Ora leiam as declarações de Boris Johnson acedendo ao primeiro link abaixo.

Mas sem dúvida que os resultados mais significativos obtêm-se tentando compreender quem votou a favor do Brexit e quem votou pela permanência na UE. Ao fim e ao cabo, foram os eleitores que decidiram. Quais as suas motivações? Tem de se ir ao terreno para conseguir elementos mais concretos. Lendo o El País de sábado, 25 de Junho, lemos um artigo de María R. Sahuquillo, enviada especial, sobre o que ocorreu em Doncaster, uma cidade do Yorkshire, uma região da parte norte de Inglaterra, que já foi um dos principais centros mineiros de carvão do país. Naquela cidade com cerca de 130 mil habitantes, o Brexit obteve 69 %  dos votos, uma das maiores percentagens do país. Tradicionalmente um feudo do partido trabalhista, actualmente muitos eleitores ter-se-ão transferido para o UKIP, de extrema direita. A articulista refere que um factor desta mudança terá a presença na região de um grande número de imigrantes, sobretudo imigrantes comunitários romenos e búlgaros. Entre outros dados, assinala que 8 % das crianças da escola primária não têm como primeiro idioma o inglês.

Esta questão estará a ter mais peso junto dos votantes, do que propriamente o mau trabalho que tido sido desenvolvido pelos órgãos dirigentes da UE, ou o nacionalismo puro e duro, como de certo modo assinalam comentadores como Rui Tavares (ver segundo link abaixo). É verdade que o Reino Unido não pertencia à zona euro, nem ao espaço Schengen. Mas esses factos não afastam outros, como por exemplo os relativos à presença de imigrantes em quantidade apreciável noutros países, procurando neles uma vida melhor, e sobretudo não devem esconder um problema fundamental que é o de as autoridades europeias não terem querido dar prioridade ao desenvolvimento dos países e regiões com economias mais fracas, antes se têm preocupado sobretudo em tapar os buracos cavados por um sistema bancário e financeiro dominado pela especulação. Deste modo, não há que estranhar que os trabalhadores dos países menos desenvolvidos (para usar uma expressão clássica) procurem emigrar para outros à procura de melhores oportunidades. Recorde-se que a presença de um grande número de imigrantes terá sido uma das razões do grande crescimento da Frente Nacional em França, e do recrudescimento dos movimentos nazis na Alemanha. E a França e a Alemanha pertencem à zona euro e ao espaço Schengen. A falta de solidariedade entre os países da UE é um facto determinante, demonstrando que ela é um mito.

O problema da diferença terá tido peso no referendo no Reino Unido, mas outras razões terão tido peso, como as grandes tradições históricas do país. Por algumas razões os resultados na Escócia e na Irlanda do Norte não foram idênticos aos de Inglaterra e País de Gales. Mas é preciso ir mais fundo nas análises, sem ficar pelas análises superficiais.

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/europa/uniao_europeia/detalhe/boris_johnson_diz_que_reino_unido_continuara_no_mercado_unico.html

http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11777:o-brexit-e-os-seus-admiradores&catid=72:imagens-rolantes

2 Comments

  1. * “*A falta de solidariedade entre os países da UE é um facto determinante, demonstrando que ela é um mito.”

    * Que mito…com pés de barro?O certo é originar “um tsunami político e económico” .Só na Europa?*

    *Maria *

    No dia 27 de junho de 2016 às 21:04, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > joaompmachado posted: ” De uma coisa não há dúvida: o BREXIT apanhou > desprevenido muita gente. Olhe-se para as reacções, a começar pelas > declarações dos líderes europeus, e a seguir pelos cabeçalhos dos jornais e > aberturas dos noticiários televisivos. Os próprios patrocinado” >

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