ESTA VIDA AMARGA E DOCE… por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Que bem que sabe um quadradinho de chocolate preto, ou de leite ou ainda branco ou recheado…

Não sabíamos que por detrás daquele quadradinho de chocolate estão horas e vidas bem amargas.

São várias as marcas de chocolate que, para nos agradar, têm lucros fabulosos à custa da exploração dos seus trabalhadores.

Quanto mais ignorantes e novos melhor, estes trabalhadores não sabem, que os não escravos do chocolate lutam por 35 horas de trabalho por semana e que se faz greve para reivindicar os nossos direitos enquanto trabalhadores e pessoas.

Este trabalho árduo e forçado é feito, veja-se só, à custa das lágrimas, cansaço e sofrimento de quem ainda precisa de protecção dos mais velhos. Sim são crianças que efectuam estes trabalhos forçados.

transferir

Onde está a Convenção dos Direitos da Criança? Onde?

Várias marcas de chocolate receberam em 2015 uma acção judicial por usarem ilegalmente (é sempre ilegal) trabalho forçado (agora não se diz escravo, como se   mudar palavras resolvesse o grave problema da exploração de crianças )

Sempre que nos deliciamos com um chocolate estamos a dar cobertura a esta escravatura de crianças.

Estas crianças trabalham entre 80 a 100 horas por semana. Estão isoladas em plantações e muitas vezes são batidas, agredidas com cintos e chicotes. (Ver documentário Slavery: A Global Investigation –Escravidão: Uma Investigação Global.

Para este documentário foram entrevistadas algumas crianças entretanto libertadas que deram voz às suas vidas de privação e sofrimento. Os espancamentos eram uma parte da minha vida, contou Aly Diabate.
A indústria do chocolate, perante a primeira ameaça de combate a este trabalho, – incluindo a Nestlé, a Hershey e a Mars – prometeu acabar com o trabalho de escravo de crianças nas suas empresas até 2005.

Este prazo tem sido repetidamente adiado, sendo de momento a meta 2020.

Como se pode tolerar que esta situação continue, mesmo debaixo dos olhos das autoridades?

Adiar a libertação destas crianças? Com que propósito se aceitam estes adiamentos?

Entre 2009 e 2014 o número de crianças que trabalha na indústria do cacau aumentou 51%. (segundo um relatório de julho de 2015 da Universidade Tulane.)

Como uma das crianças libertadas disse: “Vocês desfrutam de algo que foi feito com o meu sofrimento. Trabalhei duro para eles, sem nenhum benefício. Estão a comer a minha carne.”

Como podem as crianças acreditar nos adultos?

Como é que estas crianças, quando forem adultos, se vão relacionar com crianças?

“Vejam só/ que não há só gaivotas em terra/ quando um Homem se põe a pensar”

José Afonso

Leave a Reply