EDITORIAL – THOMAS MORE, A EUROPA E O CAMINHO DA UTOPIA.

 

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Este ano completam-se quinhentos anos sobre a publicação de Utopia, de Thomas More. Num artigo publicado no Jornal de Letras (n.º 1197, 17 a 30 de Agosto de 2016), Paulo Mendes Pinto recorda-nos a importância deste livro para o pensamento contemporâneo, e que o narrador de Utopia é Rafael Hitlodeu, um personagem imaginado por More, de nacionalidade portuguesa, obviamente inspirado pelos Descobrimentos, e talvez também por se ter encontrado com Damião de Góis quando foi embaixador nos Países Baixos. Refere também a importância dada ao livro em Portugal, sobretudo depois do 25 de Abril de 1974, importância essa agora em forte decréscimo, eventualmente por causa da avassaladora crise financeira que caiu sobre o velho continente, sobretudo sobre os chamados países periféricos.

Thomas More morreu no cadafalso (1635), por resistir às pretensões de Henrique VIII de se emancipar de Roma e das esposas que não lhe davam um filho varão. Ficou para a história como um exemplo de rectidão moral, e a Utopia como a expressão do desejo do homem de viver num mundo melhor, em que o bem público se sobreponha aos interesses individuais. Paulo Mendes Pinto faz uma aproximação à situação que se vive  actualmente na Europa, que diz que se encontra actualmente numa situação de fim de ciclo. Recorda-nos que a utopia é uma busca e que nunca é encontrada. Que o mais importante na busca “não é o fim em si, tanto mais se ele for a tal utopia, o não-lugar, mas sim o caminho”.

O problema é que meteram a Europa, melhor dito, uma união formada por alguns países europeus, por caminhos que, cada vez mais salta à vista, é urgente deixar e definir outros, cada país por si, ou em conjunto, mas com ideias completamente diferentes.

 

 

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