
Uma nova série de textos onde se dá basicamente a palavra a três grandes economistas, apresentando algumas peças já anteriormente publicadas: São eles Satyajit Das, Bill Mitchell e Michael Pettis.
(continuação)
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Mas Satyajit avança na sua análise sobre a Europa nos artigos seguintes . No texto sobre a loucura monetária diz-nos e para meio entendedor isto chega:
“Juros baixos e as condições da QE também são concebidas como um mecanismo de depreciação das respetivas moedas. Por exemplo, um dólar mais fraco ajudará a melhorar a competitividade de exportação da América, permitindo que as empresas dos EUA ganhem competitividade num mundo de menor nível de procura. Mas uma tal política corre o risco de retaliação, a chamada “guerra das divisas” Em última análise, cada país não podem ter a moeda mais barata, eliminando o efeito de tais políticas.
Com a política fiscal restringida, os decisores das políticas confiam cada vez mais na política monetária. Mas a sua eficácia é, no mínimo, duvidosa…”
No texto sobre A ineficácia da Política Económica diz-nos:
“Muitos mercados de ações nos países desenvolvidos, liderados pelos EUA, recuperaram para os níveis anteriores à crise. Ao falar deste facto ignorou-se a base da recuperação, que foi o excesso de liquidez que tinha sido injetado na economia global pelos bancos centrais.
As taxas baixas, representando uma avaliação incorreta de risco e dos níveis de endividamento excessivo que foram as causas da crise, são consideradas agora a ‘solução’. É uma reminiscência da observação do crítico vienense Karl Krause sobre a psiquiatria: “a doença que se disfarça como sendo a cura”.
Segue-se a este texto, uma análise sobre a União Europeia suspensa da Quantitative Easing de Draghi, intitulado Quantitative Easing para sempre, onde nos diz :
“Enquanto os bancos centrais não tenham atingido os limites de sua capacidade de ação e a inflação permaneça baixa, eles conservam o seu campo de ação. Mas a política existente não aborda os problemas reais e pode não ser capaz de restaurar a saúde econômica. Mas viciado em morfina monetária, os bancos centrais e os participantes no mercado acreditam que não há alternativa.”
Por outras palavras, quantitative easing para sempre e assim para sempre continuaremos à espera de Godot. A terminar esta série de textos de Satyajit Das publicamos o seu artigo intitulado As crises económicas do mundo estão a entrar numa fase política – e os resultados podem ser perigosos onde nos diz:
“Como Winston Churchill observou, a democracia, enquanto longe de ser um sistema perfeito, é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras alternativas que têm sido tentadas.
Na natureza, há uma quarta fase da matéria – plasma – que ocorre a temperaturas muito elevadas. Pode ser instável e mortal. As crises políticas, se não controladas, podem igualmente tornar-se perigosas.
Analisando a Grande Depressão, os historiadores chegaram à conclusão que a destruição das classes médias foi crucial para a ascensão do fascismo, do comunismo e do militarismo. Os cidadãos descontentes que perderam os seus empregos, as suas poupança e a sua esperança viraram-se para os demagogos populistas à procura de salvação.
Políticos e os responsáveis pela formulação das políticas nas economias avançadas devem ser cuidadosos para que a história não se repita.”
O aviso é sério e dispensa aqui quaisquer comentários.
Estes textos poderemos dizer que são acessíveis a um publico leitor minimamente informado. O mesmo não poderemos dizer dos textos publicados de Bill Mitchell e de Michael Pettis.
Quanto aos textos de Bill Mitchell um deles aparece claramente na sequência do texto de Satyajit Das sobre a importância do Bexit se é que tem alguma porque se não há mudança de paradigma na Grã-Bretanha tudo permanecerá pouco mais ou menos igual ao antes do Brexit. Daí a necessidade voltarmos aos tempos do New Deal de Roosevelt, aos tempos do pós-45 na Grã-Bretanha com as devidas adaptações aos tempos presentes. Nesse sentido, Bill Mitchell faz uma critica demolidora do paradigma neoliberal que enforma toda a doutrina da austeridade que tem sido defendida e aplicada na zona euro.
Trata-se de um conjunto de textos destinado diríamos a gente de sólida formação económica e política. E é neste sentido que se volta a falar de renacionalizações, de um novo projecto de política económica, de um projecto que ele intitula de projecto progressista, projecto este solidamente argumentado. Trata-se de um conjunto de textos importantes quer do ponto de vista teórico, uma vez que são passados a pente fino grande parte da argumentação neoliberal, quer do ponto de vista da política económica, uma vez que se fundamentam também as mudanças de política por ele aconselhadas, daí que se assume como central a questão do que se entende e do que se deve entender como eficiência económica.
Sobre os textos de Michael Pettis, alguns são reedições mas que vale a pena reler e confrontar o que se passava na altura em que foram escritos com o que se passa hoje. Salvo num ou noutro detalhe, parecem terem sido escritos ontem. Outros, são textos pela primeira vez apresentados aos leitores de língua portuguesa, traduzidos todos eles por Francisco Tavares a quem publicamente agradecemos o enorme trabalho realizado assim como o empenho nesse trabalho envolvido. Aqui, nestes últimos textos, consideramos que a análise económica é levada a limites máximos que raramente encontramos em textos disponíveis em blogs e mesmo assim quando os encontrámos são geralmente textos de grandes figuras do pensamento económico. Percebe-se que assim seja, dado o nível de erudição da maioria das pessoas que frequenta o blog de Michael Pettis.
(continua)
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Para ler a Parte I desta introdução de Júlio Marques Mota à série A Crise Austeritária e a Quadratura do Círculo, clique em:

