“CANTA CAMARADA CANTA, É PRECISO AVISAR TODA A GENTE” por Luísa Lobão Moniz

 

olhem para  mim

“Canta camarada canta/ canta que ninguém te afronta” assim cantava o nosso saudoso Zeca Afonso.

Há canções, palavras que nunca mais esquecemos porque nos tocam bem fundo das nossas convicções.

É preciso avisar toda a gente/ de que há fogo no meio da floresta, cantava Luís Cília.

Passaram-se 40 anos de democracia e ao contrário do que eu, e de outros como meu, acreditávamos na transparência da governação, na honestidade dos deputados, do poder efectivo de todos os cidadãos na construção de uma sociedade em que as sanções sociais se aplicassem de uma forma equitativa, que não se alienasse o povo com futebol e assédios consumistas.

Acredito na generosidade e na bondade do Homem e da Mulher.

Mas não acredito nesta democracia que nos levou novamente a situações de pobreza, de violência entre os adultos.

Não podemos acreditar numa sociedade hipócrita relativamente às questões económicas e à gestão de recursos naturais, que fabrica armamento para guerras que, por vivermos em democracia, diz ser que é para o bem dos povos.

Onde estavam as armas do Iraque? Nos corpos daqueles, todos, que morreram?

Canta camarada canta/ canta que ninguém te afronta, é um desafio à sociedade para a protecção dos Direitos Humanos, ou seja das mulheres que morrem às mãos dos companheiros, ou seja das crianças que sofrem, sofrem porque respiram, estão semi vivas, sempre prontas a fazer um sorriso, mesmo triste.

É preciso avisar toda a gente/ de que há fogo no meio da floresta, é verdade, bem verdade que o comportamento humano se tem tornado violento, agressivo e negligente.

A democracia, tal e qual como está, tem que ser redefinida, tem que saber o que é melhor para os povos. Quem tem que saber, quem tem que regular, quem tem que fazer valer os valores que engrandecem a Humanidade em devir?

Esta redefinição tem que ser feita com a consciência que cada um vai adquirindo, pela sua experiência e pela experiência de outros. Sei que se diz que ninguém aprende com os erros dos outros, mas ao menos questionem, uns com os outros, como podemos criar uma sociedade inclusiva. Cada um de nós é uma peça de um puzzle em que qualquer uma faz falta.

O ano lectivo  começou com livros gratuitos para todos os alunos do 1º ano, começou com a vontade expressa, pelo Ministro da Educação, que a questão da constituição de turmas vai ser revista de modo a valorizar os alunos e os professores, ou seja a Escola Pública.

Para alterar um comportamento é necessário subtrair outro, é necessário saber inscrever, na sociedade, uma outra, é necessário que Homens e Mulheres o desejem, é preciso avisar toda a gente.

2 Comments

  1. Por muitas das razões expostas – e muito bem expostas – é que, em 1012, publiquei um livro cujo título é, “Outra Constituição, Outra Democracia, A Terceira República”.CLV

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