CONTOS & CRÓNICAS – O escritor da semana, Carlos loures/5 – MARIA ROSA COLAÇO.

A  escritora Maria Rosa Colaço, autora de A Criança e a Vida, foi-me apresentada peloImagem1 romancista Romeu  Correia, seu vizinho em Almada.  Este seu livro,  baseado na aparentemente    «simples ideia de  pôr uma turma de alunos seus a definir coisas e sentimentos importantes na vida dos seres humanos – foi uma, um dos maiores êxitos editoriais na segunda metade do século XX, com numerosas edições. Escreveu muitos outros livros de poesia e ficção, foi professora em Moçambique e assessora da RTP. Uma vida dedicada à cultura.

A nossa   amizade foi instantânea – começou, ainda nos anos 50, numa tarde de Inverno, no primeiro andar do café Avis nos Restauradores. Era uma rapariga bonita, inteligente, bondosa, calma, com a sabedoria alentejana do seu Torrão natal a cintilar-lhe nos olhos.

Sobre a nossa amizade, ela descreve, mencionando-a, o cenário em que decorreu em O Amor Tem Tantos Nomes (1998), Convidou-me para apresentador desta obra de memórias o que aceitei fazendo a apresentação em Oeiras, na livraria e galeria municipal Verney, evocando aqueles anos cinzentos que a nossa juventude, irreverente e lutadora, conseguia colorir- como diz o nosso Hélder Costa com o seu livro O saudoso tempo do fascismo. Claro que quer  a Maria Rosa, quer o Hélder ou eu, só sentimos saudades da juventude: quanto ao odioso salazarismo porque a luta contra a ditadura dava sentido às nossas vidas.

«os tiranos não se removem com canções nem falsos heroísmos, mas isso eu não sabia porque aos dezoito anos só sabemos coisas importantes e únicas…»,  diz Maria Rosa.

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Foi a penúltima vez que estivemos juntos. Falávamos muito pelo telefone. No ano seguinte sofri um acidente de automóvel que me deixou sequelas que se foram arrastando até agora por cinco operações cirúrgicas. Pelo telefone, fui relatando a minha situação e segui a doença do marido, a excelente pessoa que o Malaquias de Lemos era, e depois a sua, dizendo que estava maluca quando me afirmava que morreria em breve. Ríamo-nos até às lágrimas quando dávamos conta de que estávamos só a falar de doenças.

 Depois, já eu andava por aí com canadianas, almoçámos uma vez num restaurante italiano junto ao meu escritório, para lhe apresentar o meu editor e avaliar das possibilidades de ele lhe publicar a obra completa. Poucos tempo antes de morrer telefonou-me a despedir-se, como quem parte de viagem. Voltei a chamar-lhe louca, que era coisa que ela não era. Era sim, uma excelente escritora e uma das melhores amigas que tive. Maria Rosa Colaço, nasceu no Torrão, Alcácer do Sal, em 1935 e faleceu em Lisboa, no Hospital de Santa Maria, em Outubro de 2004.

 

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