EDITORIAL – UMA ELEIÇÃO, DOIS CANDIDATOS, QUE POLÍTICA?

logo editorial

De entre as conjecturas que se fazem sobre as eleições presidenciais norte-americanas, têm particular interesse as que se fazem partindo da hipótese de que Donald Trump será o vencedor. Destas, a maioria parte do campo adversário, o que não é de estranhar, tendo em conta que Hillary Clinton e os seus apoiantes têm apostado a fundo na diabolização do multimilionário agora candidato. Verdade seja dita que ele se presta a isso, mas há um aspecto que não se pode ignorar e, claro, ser analisado com todo o cuidado. Trump não parece ter apoios significativos no aparelho de estado norte-americano, nem nos meios financeiros, ou das restantes elites. Como tal, será de prever que, se eventualmente ganhar as eleições, encontrará fortíssimas resistências na sua governação.

Esta questão é da maior importância, para além da presente eleição. Permitimo-nos aqui um juízo de valor: não falta quem aproxime Trump de um regime fascista, tendo em conta as ideias e princípios que tem dado a entender que são os seus. Essa aproximação não será excessiva, mas há que ir mais longe. Um regime fascista assenta num entendimento estreito entre o estado e os grandes poderes económicos e financeiros, e na aplicação irrestrita das normas resultantes desse entendimento. Lew Rockwell, presidente do Instituto Ludwig von Mises, de orientação liberal à maneira clássica, diz sem rebuços, a dada altura, num artigo intitulado, na tradução para o português, “O que realmente é o fascismo”:

“…

O fascismo é o sistema de governo que opera em conluio com grandes empresas (as quais são favorecidas economicamente pelo governo), que carteliza o setor privado, planeja centralizadamente a economia subsidiando grandes empresários com boas conexões políticas, exalta o poder estatal como sendo a fonte de toda a ordem, nega direitos e liberdades fundamentais aos indivíduos (como a liberdade de empreender em qualquer mercado que queira) e torna o poder executivo o senhor irrestrito da sociedade.

“Tente imaginar algum país cujo governo não siga nenhuma destas características acima.  Tal arranjo se tornou tão corriqueiro, tão trivial, que praticamente deixou de ser notado pelas pessoas.  Praticamente ninguém conhece este sistema pelo seu verdadeiro nome.

…”

No artigo Rockwell desenvolve outras ideias, com que podemos concordar ou não, mas em qualquer dos casos não invalidam as importantes constatações que acima transcrevemos. Discípulo de Ludwig von Mises, antiestatista, próximo dos libertários norte-americanos, que se situam  à direita do espectro político, a sua análise aplica-se perfeitamente aos governos que têm posto em prática as políticas neoliberais, que tanto nos têm afectado nas últimas décadas. Nos Estados Unidos, como no resto do mundo.

Propomos que cliquem no link abaixo:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1343

 

1 Comment

Leave a Reply to Carlos A P M Leça da VeigaCancel reply