A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro – Eleições presidenciais americanas: e se a Sra. Clinton morresse antes das eleições

Selecção  e tradução de Júlio Marques Mota

Revisão de Francisco Tavares

 

A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro

 

Eleições presidenciais americanas: e se a Sra. Clinton morresse antes das eleições

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Jean Guiart, antropólogo e etnólogo

É a primeira vez em que as posições são tão divergentes e onde os insultos chovem dos dois lados também forte e feio mas de uma forma claramente artificial. Os insultos contra Donald Trump chegam ao ponto de que todos os grandes jornais estão contra ele, o que significa que o poder paralelo financeiro lhe é hostil, entre os quais está o Sr. Soros, o que é compreendido geralmente de maneira tanto mais clara quanto os jornalistas não escondem que o seu objetivo de momento é a destruição de Trump.

Para saber o que este último diz e pensa, a leitura da imprensa não serve para nada

A imprensa está furiosamente contra ele e mente sem vergonha constantemente em cada frase. A sua fórmula de contra ataque de neutralização bateria consiste em organizar conferências de imprensa de onde se publicam notas estenografadas que são neste momento a única fonte útil.

Hillary Clinton, esta enche-nos de processos que sabe de cor e de textos e vídeo a pagar que põem em causa Trump de todas as maneiras possíveis e imagináveis e que tendem a dar um efeito oposto ao que é esperado. O discurso de investidura de Donald Trump no congresso do partido republicano não foi publicado por nenhum grande jornal. Em contrapartida têm publicado imediatamente relatórios perfeitamente falsos e injuriosos, fazendo exatamente aquilo de que acusam Trump. Os neoconservadores, que são antigos marxistas arrependidos, estão também furiosamente contra Trump. Obama opunha-se-lhes até um certo ponto. A Sra. Clinton está inteiramente nas suas mãos. Os erros que se atribuem a Trump são construídos a partir de hábeis ações de cortar/colar, mas são falsos. Ele disse sempre outra coisa. Isto pode ser um erro político, não se sabe nunca, mas não é nunca o que os jornalistas americanos pretendem pôr em evidência.

Foi dito que a Sra. Trump tinha copiado a Sra. Obama. Não há nada de verdade nesta acusação. Nenhuma palavra ou frase foi copiada. Mas essas duas senhoras, em circunstâncias paralelas, dizem exatamente a mesma coisa, agradecendo ao sistema dos EUA ter-lhes permitido, não obstante terem tido ambas os seus próprios problemas, destacarem-se da multidão. A Sra. Obama porque era negra, a Sra Trump porque era estrangeira.

O problema do muro entre o México e a América é igualmente falso

O muro existe, no centro, com estações radar de tantos em tantos quilómetros, tratando-se de resolver as suas reconhecidas fraquezas e de prolongá-lo a oeste e a leste. Trump diz que fará pagar este muro pelo México. Poderá bloquear ou certamente atrasar qualquer criação de empregos no México por capitais americanos. A França constrói em Calais um muro pago pela Inglaterra. Os críticos do muro de Trump não tiveram nada a dizer contra o muro israelita. A muralha da China e o muro Hadrien na Inglaterra são monumentos culturais reconhecidos em cada caso. Se o muro é realmente impermeável, isso porá fim aos imigrantes que morrem de sede, abandonados pelos seus passadores nos desertos do Sul dos Estados Unidos. Os esqueletos latinos no deserto do Arizona são a vergonha da América de que nunca se fala.

As sondagens neste momento valem rigorosamente nada

Primeiramente são realizados por telefone, o que não permite nenhum controlo. Seguidamente, são encomendados pelos que dão ao mesmo tempo as ordens quanto ao que as sondagens devem dar como resultados. Publicaram durante meses sondagens cada vez mais favoráveis à Sra. Clinton, enquanto que a tendência real estava a inverter-se durante esse mesmo período, e depois tiveram que alterar para tentarem manter-se credíveis. Depois, recomeçam. As sondagens nos Estados Unidos são um instrumento essencial da corrupção política em período eleitoral e esta corrupção não foi nunca tão forte como agora

Um fator de primeiro plano na campanha revelou-se ser a saúde dos candidatos

De momento, Trump vende saúde. A Sra. Clinton foge às conferências de imprensa por medo de aí perder o seu latim, não sendo o seu controlo dos processos de forma alguma o que se pensava ser. Nunca teve, com efeito, as qualidades intelectuais que se lhe atribuem. Em política internacional, ela pode ser caracterizada por uma forma de grande ingenuidade, a do poder insensato, daí a controvérsia em redor dos seus emails. Pior, desmaiou há cerca de duas semanas e acaba de recomeçar no alto de uma escadas, com os gorila do serviço de proteção aos presidentes protegendo-a em cada uma das vezes. Se ela se afunda antes do dia das eleições, a América terá então sobre os seus braços um problema constitucional inédito. A única solução neste caso, [eliminar dado] que [eliminar o caso] não está previsto na constituição americana, será recomeçar tudo no próximo ano, o que permitirá encontrarem um meio de se desembaraçarem do Sr. Trump e da Sra. Clinton, sendo certo que toda a América sabe, mais ou menos claramente, que o casal Clinton é o casal mais corrupto da política americana. Com efeito os dois partidos maioritários americanos encontram-se cada um com um candidato que teriam preferido não terem de apoiar nesta corrida.

O presidente russo deve ter previsto um período incerto no controlo americano da política internacional, o que lhe permite iniciativas que permanecerão de momento sem resposta do lado de um aparelho político americano que se quer acima do mundo, mas que não sabe em que sentido vai, de momento. Certas nações prevêem a justo título, um governo de técnicos durante o período eleitoral.

Eliminar Mme Clinton par l’intermédiaire de sa fondation, Mr Trump en multipliant les sociétés parallèles, dont une fondation lui aussi. Les journaux clament que Mme Clinton a gagné cette confrontation, ce qui n’est pas évident du tout. Aucun n’est de très bonne foi dans cette discussion, d’autant que Mr Trump essaie visiblement de se contrôler, ce qui n’était peut-être pas une très bonne idée. On n’a pas relevé la tape sur les fesses qu’il lui a donné au départ, celle-ci ayant été bien calculée pour la ridiculiser.

A primeira confrontação, a partir do texto estenografado do debate emitido por televisão, mostra a extrema superficialidade do debate. O Sr. Trump tem como tática interromper a Sra. Clinton e falar de outra coisa, o que fará por confundi-la e impede-a de recitar até ao fim a sua lição bem decorada. Vê-se, além disso, que se conhecem bem, eles foram muito amigos no passado, têm uma linha vermelha a não ser ultrapassada por nenhum dos dois e que em matéria de táticas para pagar menos impostos, eles utilizam exatamente as mesmas tácticas, a Sra. Clinton através da sua fundação, o Sr. Trump multiplicando as sociedades paralelas, entre as quais também uma fundação. Os jornais clamam que a Sra. Clinton ganhou esta confrontação, o que não é de todo evidente. Nenhum deles está de boa fé nesta discussão, tanto que o Sr. Trump tenta visivelmente controlar-se, o que talvez não seja uma boa ideia. Não voltou a dar-lhe uma palmada nas nádegas como tinha feito no início, ação bem calculada para a ridiculizar.

Jean Guiart, Revista Metamag, Présidentielles américaines : et si Madame Clinton mourrait avant l’élection ? Texto disponível em :

http://metamag.fr/2016/10/08/presidentielles-americaines-et-si-madame-clinton-mourrait-avant-lelection/

 

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