A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro – A elite ” não tem nenhuma ideia “: a sociedade está à beira do ponto de rutura

Selecção  e tradução de Júlio Marques Mota

Revisão de Maria Cardigos

A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro

A elite ” não tem nenhuma ideia ” – a sociedade está à beira do ponto de rutura

Zero Hedge

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Não há Arte, não há Letras, não há Sociedade; e o que é pior de tudo, há um medo contínuo e o perigo de morte violenta: e a vida do homem, é uma vida solitária, pobre, sórdida, brutal e curta.

Thomas Hobbes.”

O que eu penso ser mais surpreendente hoje é que os especialistas que justificam o sistema e as suas elites não têm nenhuma ideia de que estão em risco de o sistema rebentar. Ok, talvez a sua arrogância realmente produza o seu próprio nevoeiro que os impede de ver esta realidade, daí eu deva perceber que não devo ver como uma surpresa o facto de verificar que eles estão cegos. Eles não olham sequer para o calendário, o qual, se alguém realmente olhasse, leria nele “1788” . Algo está próximo. Muito perto. A sociedade está perto do ponto de rutura.

A minha própria experiência é que os chamados Deploráveis de Hillary são realmente os mais reservados, mais educados e demograficamente os mais honestos no país1. Eles são mais informados, mais polidos, mais autoconfiantes, e entre outras coisas, melhor equipados para resistir. Em relação às suas armas eles são incrivelmente responsáveis e não são uma fonte da violência como muitas vezes são responsabilizados mas sim as suas vítimas. Os Deploráveis levaram muito tempo a unir-se, mas uniram-se.

.De um lado está a esquerda oficial2 (Hillary Clinton e a massa do sistema que a apoia), do outro lado, estão os neo-fascistas, os Neocons. É a Esquerda alternativa que pensa liberdade de expressão mas a significar apenas o seu próprio discurso. É a Esquerda oficial que tem necessidade dos espaços seguros e quer impor o crime de pensamento.

É Alt Esquerda, e os seus sites de fieis meios de comunicação, que é de forte censura das ideias que divergem da sua aprovada ideologia. É a esquerda oficial que é a campeã da mudança de regime e a armar-se de retórica contra a Rússia. É Esquerda oficial que acredita que tem um direito que lhe inerente, que tem mesmo a obrigação, de mentir e de ofuscar se isso serve os seus principais objetivos . Talvez o mais significativo é que é a Esquerda oficial que recorre muito rapidamente à violência e ao vandalismo quando é confrontada com pessoas e ideias com as quais discorda. Nunca isso foi tão clara como neste ciclo eleitoral.

Os Deploráveis no entanto, não são dotados de paciência infinita. Tal como um condensador há um limite de carga e em qualquer momento esta carga poderá ser libertada e entrar no circuito social.

Os meios de comunicação e outros especialistas sentem-se eles próprios como sendo imunes a esse libertar de carga para o circuito social. Esse pensamento não haja dúvidas surge de um casulo onde está imerso e onde as vozes dissonantes não são permitidas.

Quando os diques ou os condensadores rebentam e libertarem a sua carga, eles estão a caminhar no sentido da sua própria destruição. Algumas dessas preciosas criaturas estão bem longe de estarem abrigados como pensam que estão . Além disso, o que poderiam pensar ou esperar ser o seu apoio, a sua segurança, o seu espaço de proteção, na verdade não existe. .

A maioria dos guardiões da sociedade, sejam eles policias ou militares, fazem parte do grupo dos Deploráveis.

A França foi construída de forma similar no final dos anos de 1780. A elite estava isolada somente em pensamento, não na realidade. A sua proteção era de natureza da aldeia de Potemkin : na verdade, uma proteção que não existe, apenas uma fachada que lhes deu um falso conforto. Eles pagaram caro pela sua arrogância e ignorância.

A história pode não se repetir, mas que ela rima, isso rima . O calendário realmente parece dizer 1788, e assim 1789 — e 1792 – não estão tão longe como alguns gostariam de acreditar.

Isto não é um apelo às armas, mas um apelo à realidade. Ignorá-lo tem os seus próprios perigos. Alguns podem ver nestas palavras como uma ameaça. Elas não o são. Eles são, no entanto, um aviso, e um aviso de alguém que é um estudante de história.

Cada sociedade, eventualmente, chega a um ponto de rutura. A nossa está quase lá. Algumas das pessoas que podem sentir-se ameaçadas, as chamadas elites e os seus especialistas, pensam que podem comprar proteção tão facilmente como eles podem comprar um jacto Gulfstream. Como são ingênuos! Quem são os agentes da segurança privada? Quem são os agentes dos vários Grupos de Operações Especiais? Tal como a polícia e o resto dos militares, eles são também parte dos Deploráveis . Os deploráveis ficarão com o vosso dinheiro mas não lhes vão tirar as vidas. Melhor dizendo, eles não vos vão dar as suas próprias vidas, às elites ou às suas famílias. A segurança que as elites acreditam ter adquirido é uma ilusão. Dá uma desilusão. É bem melhor tirar essa ideia da cabeça aqui e agora, já.

Alguns daqueles que se sentem ameaçados ou nervosos, podem voltar-se para si-mesmos e agarrar-se ao velho ditado “nós demos-lhes (aos deploráveis ) tudo; o que é que eles pensam fazer sem nós?” Bem, o uso do “nós” é arrogante, porque destes, aqueles que atualmente produzem algo de valor são raros. Os industrialistas, na falta de melhor termo, são aqueles que produzem coisas de valor durável para a sociedade. Agora, há poucos verdadeiros industrialistas e muitos dos que ainda o são deslocalizaram a sua produção para outros países, aumentando e bem a remuneração dos seus executivos via salários e bónus, mas desta forma contribuíram para o esvaziamento do tecido produtivo americano. Os verdadeiros industrialistas produziram os carros, os camiões, as máquinas ferramenta, os geradores, os servidores e mesmo os computadores. Produziram medicamentos e técnicas que salvaram vidas e melhoram a saúde das populações. Construíram siderurgias, construíram caminhos-de-ferro. Eles criaram empregos. Produziram mesmo as armas que os Deploráveis tem por centenas de milhões. Os Deploráveis reconhecem toda essa contribuição .

Mark Zuckerberg, contudo, não é Henry Ford. Jack Dorsey não é Andrew Carnegie. Mark Benioff não é John Rockefeller. Lloyd Blankfein não é John Pierpont Morgan. (Elon Musk pode desejar ser alguém de muita importância, se é permitido falhar será então perdoado . O tempo o dirá.) Os velhos barões ladrões, apesar das suas falhas, produziram coisas de valor durável.

O que é que esses novos titãs da indústria “nos dão? Facebook? Snapchat? Twitter? Eles dão-nos banalidades e blá-blá-blá. Alguns agarraram-se a elas, abraçaram-nas, apesar de serem banalidades, talvez porque todos os outros significados tinham já sido perdidos, como empregos exportados pela América. Estes novos titãs, Neo Titãs, fizeram pouco mais do que ajudar a sociedade a embrutecer. Eles tornaram a América menos produtiva, menos curiosa, mais pedonal. Talvez eles pensam que nos deram a internet, mas o crédito de tal dádiva vai para DARPA, o mesmo é dizer, para os militares, o que é o mesmo que dizer os Deploráveis . Os Neo Titãs nada deram à América , pelo menos nada de positivo. Redes sociais? Jogos? Selfies?

Os Deploráveis podem viver sem o estúpido oximoro chamado de rede social, o que, como qualquer um que olha para ela objetivamente sabe, ela é tudo menos social. Não importa o que de dois mil dos nossos falsos amigos tinham para o pequeno almoço, ou o que Andrew Ross Sorkin pensa do último debate presidencial. Ele provavelmente pensa que nós o lemos . Afinal, ele tem “seguidores no Twitter”, a quem ele assume viver e morrer por cada um dos seus tweets. Podemos viver sem isso. Pergunto-me se com o seu ego ele o pode fazer? Ele e os da sua laia, são simplesmente Kim Kardashians sem o saberem. Eles são o talento distribuindo pão branco aos que emocional e espiritualmente estão famintos.

Alguns podem pensar que isto é tudo culpa do Trump. Novamente, isso mostra o grau de ignorância e de ingenuidade que caracteriza a elite. Trump é um sintoma, não uma causa. Ele pode até mesmo ser um lenitivo uma vez que as mudanças que ele poderia trazer possibilitariam baixar um pouco o elevado nível de raiva atual.

Por outro lado, Hillary é um fósforo aceso num quarto cheio de dinamite. Ela, como muitos presunçosos, acham que a sua existência é um favor para todos nós. Ela simboliza o pior daquilo em que se tornou a América. Acima da lei, rica e sem ter feito algo que essa riqueza justifique, mas somente através do jogo de influências e como um elefante num armazém de porcelana em termos do seu efeito no país e no mundo— e peço desculpas aos elefantes por esta analogia. O mundo está mais instável por causa dela.

A América está menos segura por causa dela. A Rússia e os EUA—as duas maiores potências nucleares— estão num grande desacordo de posições por causa dela. Com ela no poder, alcançaremos o ponto de rutura no país e internacionalmente, talvez levando a uma guerra nuclear ‘acidental’, como a retórica intensa que tem praticado pode levar a pensar. A sociedade está mais estratificada por causa dela. As relações raciais degradaram-se por causa dela (e de Obama).

Existem alguns males atuais na sociedade e na geopolítica que não podem ser colocados aos pés dela, pelo menos em certa medida. Para muitos é uma grande mentirosa que exibe uma surpreendente aversão em dizer a verdade, de tal modo que é mesmo suficientemente capaz de fazer uma maravilha agnóstica se o anti-Cristo não chegou finalmente nos seus três anos e meio de governo.

Um e-mail recentemente publicado por fuga de informação (N.T. Wikileaks ) de John Podesta mostra que este escreve que “ela (Hillary) começou a odiar diariamente os americanos “. Não há nenhuma dúvida que os mesmos sentimentos foram manifestados por Nicolas Ceaucescu. Vê-se assim que o sentimento era mútuo. Eleger Hillary e continuar com os negócios como de costume, e é provável que este aviso se torne num epitáfio para a América que nós conhecemos. De toda a maneira, a sociedade pode entrar em colapso porque a degradação e o mal-estar social são já muito grandes, mas ela irá acelerar o dia do ajuste de contas.

Os Deploráveis já reconheceram o que está para vir. Eles estão tão preparados como o podem estar. Anos de declínio permitiram a muitos ganhar a capacidade de resistirem e de sobreviverem, de fazerem o que é necessário com menos, de construírem comunidades reais, onde uma pessoa pode confiar na outra e descobrir o que é verdadeiramente importante e o que pode e deve ser recuperado a partir desta sociedade. Com exclusão da demografia , no entanto, as pessoas são levadas a uma austeridade nua e crua. Estas são vulneráveis e por vias e a níveis que eles pura e simplesmente nem sequer podem imaginar. Elas estão mal preparadas e qualificadas para o que é mais importante. Eles são carne para canhão vivendo um tempo que não é o delas.

A história está cheia de exemplos deste tipo de colapso. Nós seres humanos vivemos sempre e renovámo-nos sempre ao longo de uma onda senoidal de progresso e de declínio, da civismo e de agitação social. Nós pensamos que ultrapassámos já o estádio de barbárie e de primarismo social de que os livros de história estão cheios, mas esse pensamento decorre de um enviesamento recente. Uma grande parte da história da humanidade. —quase toda –não foi nada pacífica…

As sociedades são não, em média, nem estáveis nem seguras. Thomas Hobbes sabia‑o muito o bem, como se evidenciado na sua mais famosa obra. A humanidade está provavelmente em vias de se situar na média, e a média é exatamente isso: a média. No caso de alguns terem esquecido o seu Hobbes: a vida do homem, é uma vida solitária, pobre, sórdida, brutal e curta.

Chindit13, “The Elite ‘Have No Idea’ – Society Is Near The Breaking Point”, disponível em vários sítios como por exemplo:

http://coyoteprime-runningcauseicantfly.blogspot.pt/search/label/Chindit13

ou

http://www.zerohedge.com/news/2016-10-14/elite-have-no-idea-society-near-breaking-point

1 Assinala Zero Hedge num outro texto: O comentário de Hillary Clinton de que metade dos apoiantes do Donald Trump são “racistas, sexistas, homofóbicos, xenófobos, islamofóbicos ” – um lote danado de fobias capaz de arrasar qualquer um diariamente – coloca em jogo o que será visto como uma força definidora da campanha para as Presidenciais : a revolta dos politicamente incorretos.

Eles poderão não viver como se viveu no tempo de “ Les Miserables” de Vitor Hugo mas trata-se apenas de uma questão de tempo antes de Les Deplorables – a nossa própria massa de gente excluída, abandonada e ignorada pelo sistema – — se revoltarem contra as elites intelectuais tipo antigo regime do politicamente correto.

2 Traduzimos Alt Left, por esquerda oficial, na sequência da leitura global do texto. Bernie Sanders está fora das críticas que estão feitas ao longo de todo o texto, o que nos leva então à esquerda oficial, ao Partido Democrata, que escolheu Hillary Clinton. No original está: “Alt Left, on the other hand, are the Neo Fascists and Neo Neocons. It is Alt Left that thinks Free Speech means THEIR speech only”.

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