E VOLTANDO AOS MANUAIS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Todos se queixam que os nossos alunos não sabem dar respostas completas. Não, não é verdade, o que é verdade é que os livros de referência não contemplam espaço para escrever a resposta completa. Apresentam um espaço limitado e parte da resposta já está dada, falta só completar com uma ou duas palavras…

E já agora, porque é que numa turma de 26 alunos tem que haver 26 manuais iguais, porque não se diversifica, porque não se escolhem vários livros dando a conhecer aos alunos que há várias maneiras de ensinar e de aprender.

Se o manual escolar não fosse o “rei” do material didáctico seria mais fácil tornar as aulas mais motivadoras para adquirir conhecimento, seria mais fácil respeitar o colega, seria mais fácil manter a disciplina e reduzir a violência, seria mais fácil para os alunos contribuírem na construção da sua aprendizagem. Ninguém gosta de destruir o que está a construir.

A escola não tem que estar a inventar motivações para a aprendizagem, a escola tem que saber o que os alunos gostariam de conhecer melhor e proporcionar-lhes espaço e material para que o possam fazer. A escola será o local ideal para as crianças saberem o que é a cidadania porque a escola deve ser organizada de forma participativa e democrática.

Se os manuais não trouxerem os exercícios requeridos para o tema a estudar, melhor, porque os alunos e o professor podem construir esses exercícios e resolvê-los.

Há sempre uma razão para questionar e uma razão para responder…e essa razão está nos conhecimentos já adquiridos.

Hoje em dia todas as escolas têm Bibliotecas, e algumas com uma dinâmica louvável em termos de criar o gosto pela leitura e pela pesquisa. Aí se encontram livros, que não sendo manuais escolar, são manuais que incentivam ao conhecimento.

Não é preciso um livro específico para aprender a ler, se a criança deseja aprender a ler, ela aprende porque está capacitada para isso e está motivada por vários externos à escola. Revistas, propaganda, livros, rótulos e um cem número de exemplos…

Todos se queixam que os alunos não sabem distribuir o grafismo de maneira adequada numa folha em branco. Não, não é verdade, aos alunos não lhe é dada essa liberdade porque os espaços para preencher são exíguos.

A partir da diversificação dos livros na aprendizagem, os alunos podem fazer um livro com os textos, com os seus exercícios matemáticos, com as suas descobertas nas ciências…sempre com o espírito crítico, com a imaginação e com a capacidade de renovação presentes, segundo o seu grau de desenvolvimento.

Por vezes, os livros, para os alunos, são névoas de informação que não percebem para que servem. A motivação para a aprendizagem não é só da responsabilidade da escola, mas também da família e da comunidade. Não é acreditando que os castigos ou os silêncios são as atitudes certas por parte dos adultos, não é falar da escola como um local de correcção que os vai fazer ir a correr para a escola. A motivação deve ser completar o que ficou por fazer, é ter ideias para trocar com o professor e com os colegas.

Um ambiente de escola sem stresse, com a confiança dos seus alunos, com novas práticas pedagógicas fará certamente um melhor aluno, uma melhor sociedade.

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