SINAIS DE FOGO – MONGE DOS DESPACHOS – por Soares Novais

sinais de fogo 

Assunção escolheu Telmo para intervir no encerramento do debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2017. E ele não defraudou as expectativas de Cristas. Fê-lo com a sua reconhecida eloquência, abundante e estéril. O deputado Telmo é uma máquina a falar. Tal qual foi uma máquina a assinar 300 despachos durante a madrugada do dia em que o primeiro executivo liderado por Sócrates, foi empossado no Palácio da Ajuda.

Telmo titulava o Ministério do Turismo no governo liderado por Pedro Santana Lopes, que Jorge Sampaio dissolveu a 22 de Dezembro  de  2004 . Santana tinha herdado o lugar de Durão Barroso que, depois de ter sido mordomo de Bush e Aznar na Cimeira das Lajes, foi premiado com o lugar de presidente da Comissão Europeia.

O governo de Santana estava, pois, em gestão corrente, e Telmo esteve largos dias sem pôr os pés no Ministério do Turismo. Todavia, na noite anterior à tomada de posse do Executivo de Sócrates, o agora deputado foi ao ministério e aproveitou a madrugada para assinar os despachos que lhe interessavam.

Foram trezentos e entre eles estava a segunda versão do parecer da Inspecção-Geral de Jogos que implicava a não devolução ao Estado do edifício do Casino de Lisboa, no Parque Expo, no final da concessão à Estoril-Sol, segundo notícia então avançada pelo Expresso.

Apesar de tão elevada capacidade de produção ou por causa dela, o certo é que Telmo, doravante designado por monge dos despachos, não mais voltou a ter tarefas ministeriais e regressou à sua condição de deputado. Foi-o durante o reinado da coligação de direita e é-o agora que o país está nas mãos das “esquerdas unidas” como referiu durante a sua intervenção de sexta-feira passada.

Telmo falou durante largos minutos. Para dizer o mesmo que os deputados Passos, Montenegro e Maria Luís. Ou seja: este OE é “de austeridade” e penaliza a classe média.

O deputado Telmo usou tal verborreia sem que se lhe notasse um pingo de vergonha na cara. E até teve o desplante de afirmar: “Os senhores que tanto teorizavam sobre a nossa paixão pela austeridade, como se fosse uma espécie de submissão ao calvinismo radical de origem germânica, o que têm para dizer quando um cidadão que não queira ser penalizado pelas vossas opções o que tem como opção é viver numa casa sem sol, sem vistas, só andar a pé, fumar ou beber nem pensar, e nem o prazer de uma bebida açucarada lhe resta. Não é calvinismo, mas é o retrato de um monge trotskista.”

Tais ditos e tal premissa fácil (“monge trotskista”) espelham bem a qualidade do deputado Telmo. Dele e dos compinchas, que o presentearam com estrondosa salva de palmas. Eles são mesmo submissos “ao calvinismo radical de origem germânica.” Por uma vez, a boca do deputado Telmo fugiu-lhe para a verdade. Bem-haja, monge dos despachos.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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