EDITORIAL – OS ESTADOS UNIDOS DEPOIS DE AMANHÃ

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Amanhã elege-se mais um(a)  presidente dos Estados Unidos. Será o(a) 45.ºª numa lista que começa com George Washington. Hoje o que podemos fazer é, em linhas muito gerais, debruçarmo-nos sobre o que fará o vencedor, quando tomar posse, o que demorará algumas semanas. A nota dominante será a de que muitos dos votos que vão ser contados foram mais votos contra o adversário do que a favor do votado. Resultado óbvio de uma campanha eleitoral muito intensa, muito centrada nas personalidades dos concorrentes, com uma exposição muito grande das suas vidas, incluindo das suas vidas particulares, com particular destaque para os aspectos mais negativos.

Mas também o peso de uma campanha onde se sente o peso de um sistema que visa a manutenção da supremacia norte-americana no mundo, e, sob o pretexto da defesa das liberdade e direitos individuais, a salvaguarda dos privilégios de uma elite formidavelmente rica e poderosa, à qual os dois principais candidatos, Hillary Clinton e Donald Trump, estão ligados, de maneiras diversas, mas ambas muito profundas. O sistema financeiro, o complexo militar-industrial, numerosos think tanks, são prolongamentos dessa elite, muito influente no congresso, no aparelho de estado, nas forças armadas, a vários níveis. As diferenças entre as políticas propostas por Hillary Clinton e Donald Trump são nesta recta final vistas sobretudo pelos perigos que acarretam. Basicamente, as promessas que tem feito a primeira, as ideias que tem defendido (a começar pelas declarações de apego ao “legado” de Henry Kissinger), caso ganhe, fazem temer um recrudescimento em grande escala da tensão internacional, com particular destaque para um confronto com a Rússia, de que Hillary Clinton parece ser adepta. Quanto ao segundo, as ideias que tem defendido, as diatribes com que tem bombardeado quem o ouve, fazem temer sobretudo por um agravamento da situação social no país, já hoje em dia pouco brilhante, se ele for o vencedor. Mas é de ter presente que nem Hillary Clinton parece ser capaz (será que o deseja?) de introduzir melhorias significativas na situação social dos norte-americanos, nem Trump dá garantias de uma melhor condução da política internacional.

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