A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro – O após-Trump : a caminho de uma nova era populista?

Selecção  e tradução de Júlio Marques Mota

Revisão de Francisco Tavares

A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro

O após-Trump : a caminho de uma nova era populista?

A esquerda liberal ainda não chegou ao fim do seu sofrimento

Jérôme Blanchet-Gravel

A provável vitória de Clinton corre o risco de exacerbar a rejeição das elites, o populismo americano tem belos e bons dias pela sua frente . E se um latino o encarna um dia de forma melhor que Trump ?

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Donald Trump. Sipa. Numero de reportagem : AP21964535_000060.

Apesar de ter feito prova de uma combatividade fora do comum durante toda a campanha presidencial americana, é agora extremamente provável que os últimos escândalos de caráter sexual tenham atingido Donald Trump. Se ele acreditava ter enterrado as suas aventuras comprometedoras, aí está que elas vieram à superfície, não sem a intervenção de uma operação mediática bem planificada. Digamos que se o sexo faz vender, pode sobretudo fazer perder e isto quando é muito associado a maus comportamentos.

A rejeição das elites irá continuar

Enquanto que há cada vez mais comentadores a anunciar a derrota de Trump e a coroação de Clinton, é bastante curioso observar até que ponto as pessoas têm já a impressão de passar a outra coisa. Para a maior parte dos analistas que bem se esforçaram em cantar elogios a Hillary Clinton comparando ao mesmo tempo o seu adversário aos grandes genocidários da história, a derrota de Trump marcará o fim de certo populisme mal-cheiroso nos Estados Unidos. Mas nos factos, a história só agora está a começar .

A rejeição das elites, de que alguns autores sublinharam o papel na última campanha presidencial, não deve ser tão rapidamente eliminada na discussão. Para compreender a evolução próxima da sociedade americana, é necessário termos bem presente que este desprezo do establishement permanecerá profundamente ancorado no imaginário popular. Por tanto tempo quanto os políticos contribuirem para asseptizar a sociedade para a conformar a um modo servil face ao politicamente correto, o povo será propenso a sentir-se bem com esta nova forma de romantismo ambiental. Um tempo tão longo que levará os governantes a levantar o nariz sobre a necessidade de adversidade que anima toda a sociedade, a população banhar-se-á no cinismo. Porque se os extremos se alimentam, é o o centro que frequemente lhe fornece os alimentos.

Um populismo latino?

A vitória próxima de Hillary Clinton poderia por conseguinte lançar óleo sobre a fogueira em vez de acalmar os espíritos. Não somente Clinton nunca teve a unanimidade no seu próprio partido, precisamente, pela sua grande ligação ao establishment como encarna também toda esta tepidez, ou mesmo esta moderação cujos efeitos se tornaram contraproducentes. A candidata democrata apresenta-se talvez com um grande dinamismo quando fala em geopolítica, mas é fácil de apostar que a sua política interna marcada pela adoração do multiculturalismo será mal acolhida.

Aproximadamente, dois mandatos consecutivos assumidos por Hillary Clinton poderiam preparar o terreno à formação de um forte recrudescimento populista ainda bem mais feroz do que o que foi representado por Donald Trump. Quando se reflete nisto, é-se levado a pensar que Trump não terá sido provavelmente o mais radical dos candidatos republicanos. Ele terá sido, sobretudo, o mais grosseiro e o menos eloquente. Dentro de alguns anos, apostamos que um homem político esperto e diferenciado poderá canalizar mais habilmente o descontentamento popular que reina aos Estados Unidos. E, quem sabe, talvez este venha a surgir e da comunidade hispanófona?

Jérôme Blanchet-Gravel, Revista Causeur, La gauche libérale n’est pas aux bout de ses peines. Texto disponível em:

http://www.causeur.fr/donald-trump-hillary-clinton-populisme-40636.html

 

 

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