EDITORIAL: O elefante na loja de louças

imagem1Pensámos primeiro em intitular este editorial «A bela e o monstro». Reflectindo, preferimos imagem do elefante entrando na loja de louças – a União Europeia desfazendo-se, os jihadistas e as suas tropelias fanáticas, os judeus ocupando a Palestina e, apesar da sua insignificância, possuindo armamento nuclear (que não hesitarão em utilizar), o Congo a contas com um horrível genocídio, a China autoproclamando-se República Popular, mas sendo o que existe de mais parecido ao nazi-fascismo, um Putin que desmontou o que de positivo havia na União Soviética e serenamente deixa as mafias prosperar… Podíamos continuar a lista que configura uma das situações mais caóticas de que há memória.

Ambos os candidatos se aproximam dos sessenta milhões de votos o que indicia uma participação razoável do eleitorado; mas bem podem limpar as mãos à parede os pobres, os hispânicos os jovens, que preferiram o monstro à bela. Apesar de tudo, a frase mais inteligente de toda a campanha foi dita pelo mastodonte – «O que têm vocês a perder?». Na verdade, os Estados Unidos (e o «mundo livre») não são governados pelo presidente – assim como Barack Obama provou que, esforçando-se, um negro consegue ser tão estúpido como um branco, Hillary, que sublinhava as tiradas demagógicas dos seus discursos de campanha com um meneio afirmativo da cabeça, sorrindo numa afirmação muda – «estão a ver como eu sou inteligente?». A sua eleição provaria que, esforçando-se, uma mulher consegue ser tão cruel e estúpida como um homem.

Há vários poderes fácticos que comandam os impérios e os líderes, mesmo que democraticamente eleitos, não passam de títeres. O sorriso simpático da Clinton e os arrotos rosnados pelo Trump, equivalem-se – os morticínios em África continuarão, os sem abrigo continuarão a dormir nos passeios, os islamistas continuarão a fazer.se explodir, o Vaticano continuará a competir (ou a colaborar?) com a Mafia…

O mundo: home, sweet home …

 

 

 

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Na situação em que o mundo se encontra, eleger para presidente da mais poderosa nação do mundo uma besta como Donald Trump, prova que o povo norte-americano, de onde emergem os maiores crânios, colectivamente é uma lástima. A sua campanha apoiou-se na afirmação da virilidade do sistema, qual forcado batendo o pé ao touro que escarva a terra do redondel e parece não dar pela provocação. As sondagens não se enganaram mas enganaram Hillary Clinton, que não soube ler nas entrelinhas. Na corrida à Casa Branca, a candidata democrata foi derrotada pela boçalidade de Donald Trump, mas foi também derrotada pelos jovens, pelas mulheres, pelos afro-americanos e pelos latinos, que em 2008 e 2012 garantiram a eleição de Barack Obama.

Clinton até conseguiu a maioria dos votos destes grupos-chave, mas não conseguiu mobilizá-los como devia, de acordo com os resultados obtidos pela CNN, e numa altura em que ainda se contam votos em alguns estados.Só isso explica que 42% das mulheres tenham votado em Trump, acusado de ser machista, sexista e misógino. Só isso explica que 29% dos latinos tenham, até ao momento, dado o seu voto ao multimilionário, que prometeu construir um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de “criminosos”. Só isso explica que, apesar de todas as considerações de Trump sobre os afro-americanos, o presidente eleito dos Estados Unidos tenha conseguido 8% dos seus votos.“O que têm a perder?”, questionou, durante a campanha, um Trump, lembrando-os que, com Obama no poder, são pobres, não têm emprego e são assassinados à porta de casa.bém os jovens, particularmente a geração milénio (18 aos 29 anos), condenaram Clinton. Encantados com Bernie Sanders, que acabaria por desistir da corrida, até deram 55% dos seus votos à democrata, mas Trump conseguiu 37% dos votos deste eleitorado.

O espectáculo acabou e a trag´rdia dos povos do mundo não terminaria com Hi

romessas de Trump de uma economia e de um país de americanos para americanos conseguiu somar votos entre o eleitorado branco e de rendimentos elevados, não raras vezes com habilitações académicas elevadas, mas também onseguiu votos junto dos grupos que mais atacou. E isso Clinton não esperava. Mesmo perante um país dividido.Em poucas palavras: Hillary Clinton simplesmente não conseguiu agarrar o eleitorado de Obama e isso foi crucial nas urnas.Nas últimas eleições, Barack Obama conseguiu 93% dos votos dos afro-americanos (Clinton somou 88%), 71% dos votos dos latinos (65% para Clinton), 55% dos votos das mulheres (mais 1% que Clinton) e 60% dos votos dos jovens (mais 5% que Hillary).Hillary Clinton também perdeu entre o eleitorado branco, com apenas 37% dos seus votos, quando comparados com os 39% de Obama.

 

E foi este eleitorado que colocou o candidato republicano na linha da frente nos estados considerados decisivos para a eleição presidencial.Em Ohio, por exemplo, onde se diz que o vencedor costuma ser o futuro Presidente, Trump venceu, graças ao seu eleitorado, mas também graças a um eleitorado que esteve sempre associado a Hillary Clinton, ou seja, aquele com maiores habilitações académicas.Na Florida, o estado-sonho para os dois candidatos, Clinton teve a maioria dos votos da comunidade latina, mas Trump conseguiu 55% dos votos dos cubanos.O Winsconsin, que Clinton dava como garantido, escolheu Trump. E no Michigan e na Pensilvânia, apesar de a democrata ter andado perto, não passou disso.

 

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