
A guerra civil espanhola terminou oficialmente em 1939. Há contudo quem defenda que ainda dura hoje em dia. O facto de os poderes constituídos no reino espanhol continuarem a levantar obstáculos a que se investiguem os crimes cometidos durante a guerra civil e o franquismo dá sem dúvida alguma razoabilidade a essa opinião. Para essa posição oficial, são invocadas sistematicamente a eventual prescrição dos crimes e a morte dos que o perpetraram, a amnistia aprovada em 1977, e a necessidade de não reabrir os conflitos do passado. Contra esta posição das autoridades, a Amnistia Internacional, os familiares das vítimas, os defensores da preservação da memória histórica e todos os que defendem a necessidade de conhecer a verdade sobre o que se passou, recordam que os crimes contra a humanidade não prescrevem, que obstaculizar a investigação pode inclusive ofender o direito internacional, e que o conhecimento dos erros e crimes do passado é muito importante para prevenir a sua repetição no futuro. Os argumentos de que as atrocidades foram cometidas também pelos vencidos, que factos semelhantes aconteceram e acontecem em muitos países do mundo sem que se lhes consiga pôr cobro ou sequer sejam investigados, ou que o conhecimento da verdade pode ser nocivo para a paz não prevalecem sobre a violação de direitos fundamentais ou a vantagem de os povos conhecerem o seu passado e compreenderem e interpretarem os acontecimentos.
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