RETALHOS DA VIDA DE UM CANTAUTOR – 4-«Os Vampiros» e «Menino do Bairro Negro»- por Carlos Loures

z-joseafonso
No ano de 1962, nos Estados Unidos, é editado o álbum Coimbra Orfeon of Portugal, que inclui duas baladas de José Afonso: Minha Mãe e Balada Aleixo. Esta última é composta em homenagem a António Aleixo, o famoso poeta popular, cauteleiro, natural de Loulé. Nestas duas composições é acompanhado à viola por José Niza e por Durval Moreirinhas. Um extraordinário êxito. Menos de um ano depois do  vaticínio de Bettencourt, o cantor começa a ter uma projecção enorme; há quem cantarole as suas baladas sem saber quem as compôs.

Participa em digressões pela Suíça, Alemanha e Suécia. Em 1963 conclui o curso, com uma tese sobre Jean-Paul Sartre – Implicações substancialistas na filosofia sartriana. Na sua vida pessoal há transformações – Divorcia-se de Maria Amália, casando depois em Olhão com Zélia.

Sai o LP Baladas e Canções (Ronda dos Paisanos, Altos Castelos, Elegias…). Diz Zeca sobre a Ronda, que depressa será entoada de boca em boca – em reuniões de estudantes, em fábricas, em serões pequeno-burgueses e até nos cárceres políticos, com os carcereiros agitados e preocupados… «A música ocorreu-me no WC do rápido, Faro-Lisboa, depois da estação da Funcheira» (…) «Em Lisboa inteirei-me dos postos do exército, que são muitos e soantes. Rimados às parelhas dariam uma canção popular, capaz de ser entendida por soldados e generais.» E foi.

Em 1963 surge então o disco Baladas de Coimbra que inclui Os Vampiros, Menino do Bairro Negro, Canção Vai… e Vem… e Pombas. O título da capa não reflecte a realidade, pois este disco marca uma ruptura com a elitista tradição da balada e do fado coimbrões.

Leave a Reply