EDITORIAL – AS ELITES CONTRA O POVO

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A incerteza crescente da vida social e económica que nos vem afectando nos últimos anos tem chamado a atenção para o papel que as  elites desempenham na vida em geral e particularmente em determinados sectores de vital importância, como por exemplo o financeiro. Quanto a este último tem-se tornado cada vez mais evidente que um reduzido número de pessoas consegue lançar iniciativas que afectam a vida de grande número de pessoas, por vezes de maneira muito negativa.  Falta, é verdade, dar-lhe a adequada resposta, que passa não só pelo campo estritamente político, como também pelo económico e também pelo judicial.

Entretanto, é preciso não esquecer que o termo elite se aplica, genericamente, a um número reduzido de pessoas que tem um papel destacado, na sociedade como um todo, ou num determinado sector. José Pedro Machado, no seu Grande Dicionário da Língua Portuguesa, define elite como A flor, o escol, o que há de melhor na sociedade. Observa também que se trata de um galicismo desnecessário, que poderíamos substituir por escol, alta-roda, etc. No campo das ciências sociais o termo elite tem sido usado para designar grupos de classes superiores, ou mesmo com carga ideológica, como de alternativa ao conceito de classe dominante. Claro que se pode aplicar para designar músicos de excepção, futebolistas de grande classe, e noutros casos semelhantes, que não têm a ver, pelo menos directamente, com o poder político.

Mas não são só as elites políticas, ou as financeiras que dispõem  que dispõe de um poder forte na sociedade. Em Le Monde Diplomatique do corrente mês de Dezembro de 2016, Serge Halimi, ao chamar a atenção para o espanto de membros da intelligentsia (podem-se discutir as diferenças entre este termo e elite) perante o brexit ou a eleição de Donald Trump, e a tentação de acusarem os eleitores de ignorância ou de outras limitações, cita o analista norte-americano Thomas Frank e o trabalho que este desenvolveu sobre a participação do Washington Post na campanha de descrédito contra Bernie Sanders (vejam o original de Frank na Revista Harper’s clicando no link abaixo. O Le Monde Diplomatique tem uma tradução adaptada, mais curta). Com certeza que detectou um trabalho de um número reduzido de pessoas, com um papel destacado num sector (no caso, o Washington Post) e que tiveram influência numa decisão política importante, que afectou a vida dos norte-americanos e não só.

Este é o link para o artigo de Thomas Frank:

http://harpers.org/archive/2016/11/swat-team-2/

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