
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota. Revisão de Francisco Tavares.

8 A e B – Interpelações do senador Elio Lannutti ao Primeiro-Ministro e ao Ministro da Economia e Finanças
Elio Lannutti, Legislatura 16 Atto di Sindacato Ispettivo n° 3-03217 – Al Presidente del Consiglio dei ministri.
Blogue de Elio Lannutti, 21 de Dezembro de 2012
A. Elio Lannutti, Questões postas ao Primeiro-ministro Mario Monti
Legislatura 16 Atto di Sindacato Ispettivo n° 3-03217 Atto n. 3-03217 (con carattere d’urgenza)
Publicado em 20 de dezembro de 2012, sessão n. 857.
Elio Lannutti – Ao Presidente do Conselho de Ministros
Considerando que:
Não vão diminuir as controvérsias sobre o passado do atual presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que ocupou o cargo de vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa, depois de ter estado no famoso cruzeiro no iate Britannia, de 2 de junho de 1992, em que participou como Diretor-geral do Tesouro responsável pelas privatizações e alienação de ativos públicos;
Num comunicado da Agência “Asi” intitulado: “Itália. Duras acusações contra Draghi feitas por um colaborador de Mattei a uma cadeia alemã, na segunda-feira de 17 de dezembro de 2012, lê-se: “Recentemente, Mario Draghi, Presidente do BCE, foi objeto de duras acusações. Desde há alguns dias, na net circula uma entrevista em vídeo de Benito Li Vigni, ex-colaborador de Enrico Mattei, que, além de falar sobre a morte do fundador da Eni em termos de assassinato, revela as ações que tiveram lugar nos dias em que Draghi foi Diretor-geral do Tesouro. “Eles venderam o nosso país. Draghi deu milhões de milhões de liras em ativos ao Goldman Sachs, em troca de uma lira “. E ainda, mais especificamente: “fecharam atividades que davam lucros ao Estado como a Nuovo Pignone, a Lebole, a química de base. Destruiu-se a Eni. O parque imobiliário da Eni, que valia 1 milhão de milhões de liras, foi vendida à Goldman Sachs, por uma lira. “. Por conseguinte, conclui Li Vigni, na época dos dois primeiros governos técnicos na Itália “houve um ataque contra o Estado empresário organizado pelos grandes bancos de investimento que convenceram Ciampi e Amato a liberalizar o sector público. Mario Draghi, Diretor-geral do Tesouro, avançou para a privatização. Destruiu o Estado empresário, a ENI que tinha 130 mil funcionários e foi reduzida a 30 mil, descarregando sobre os contribuintes os custos desta operação. ” Dias antes destas declarações de Li Vigni, na Alemanha foi para o ar um programa de televisão difundido pela Zdf que lança uma luz sobre a relação entre Draghi e a alta finança.”Draghi desfrutava de excelentes relações no mundo das finanças, quando ainda não era o Presidente do BCE,” dizem-nos logo no início do programa. “Desde esse momento que ele é um membro de um clube exclusivo e discreto, o grupo dos 30: um grupo de decisores muito influentes em dinheiro e poder. Ao lado de Mario Draghi encontra-se um número surpreendentemente elevado de funcionários ou ex-quadros de Goldman Sachs “. São então reconstruídas as principais etapas da carreira de “Supermario”, a partir da reunião sobre o paquete Britannia, de 2 de junho de 1992 em que se discutiu a estratégia de privatização com a elite das finanças londrinas. “No iate da rainha fizeram-se negócios multimilionários com os quais até mesmo Goldman ganha muito”;
Considerando que se pode ler no site “movisol.org”: “o segundo canal de televisão pública alemã, ZDF, transmitiu um programa que revela ao público alemão quem é o verdadeiro Mario Draghi, atualmente altamente elogiado pelos tabloides que fomentavam o ódio contra o artífice da política inflacionária do Euro, vestindo-o, porém, no papel de Arlequim que chegou para” lirizzare “ou” italianizar “a moeda única. Draghi é um expoente dos círculos financeiros internacionais, disse ZDF no seu programa que foi para o ar no dia 6 de Dezembro, no decorrer do programa de aprofundamento político Heute Journal, como comentário à reunião do Conselho e da conferência de imprensa do BCE naquele dia. Na conferência de imprensa, Draghi teve que responder a um número invulgarmente elevado de perguntas que vieram não só dos repórteres ZDF, mas também de outros jornalistas alemães, franceses e britânicos que lhe perguntaram qual é a intenção do BCE em assumir poderes absolutos e antidemocráticos sobre o sistema bancário europeu, que vão desde os registos record do desemprego na Europa à “terapêutica assassina” aplicada na Grécia.
(…) No seu estilo habitualmente sofístico, Draghi justificou todas as devastações económicas e sociais causadas pela aplicação das receitas do BCE, endossando a responsabilidade para os governos que não seguiram a disciplina orçamental antes da crise, ignorando ele o facto de que os orçamentos públicos disparam exatamente por causa dos resgates dos bancos – cuja indisciplina nos balanços não somente era conhecida como era também incentivada pelo BCE (…). O programa de ZDF é sinal de que a música está a mudar e o tiro começa a ser ajustado, condição prévia para uma saída construtiva da crise. …….. Há tempo que ele é um membro de um clube exclusivo e discreto, o Grupo de 30: um grupo de decisores muito influentes em dinheiro e poder. Ao lado de Mario Draghi encontra-se um número surpreendentemente elevado de funcionários ou ex-quadros da financeira americana Goldman Sachs. São então reconstruídas as principais etapas da carreira de “Supermario”, começando com a reunião no Britannia, de 2 de junho de 1992, em que eles discutiram a estratégia de privatização com a elite das finanças londrina. “No iate da rainha realizaram-se negócios multimilionários com os quais até mesmo Goldman ganhou muito.” É o entrevistado Benito Livigni, antigo executivo da ENI, que conta como sucessivamente as propriedades imobiliárias da ENI foram vendidas ao desbarato, quase dadas, ao banco Goldman Sachs. Draghi deve “ a sua carreira aos grandes bancos de investimento, como Goldman Sachs,” diz Livigni. Em 2002, Draghi passa pelo Goldman Sachs, em Londres. “Estava ele de volta ao navio para fazer negócios?”, perguntam os repórteres ZDF. Mais tarde, quando foi nomeado governador do BCE em 2011, Draghi tinha de se defender perante uma Comissão do Parlamento Europeu contra as acusações de ter tido conhecimento dos truques contabilísticos idealizados por Goldman para permitir a entrada da Grécia no Euro.
Draghi alegou ter sido responsável no Goldman Sachs pelo sector privado e não pelo setor público. Mas o perito do Le Monde, Marc Roche, é cético quanto a isso. “Goldman Sachs não é o bom samaritano. Goldman Sachs não lhe dá o cargo de vice-presidente para a Europa sem lhe dar também o sector público. Draghi não mentiu, mas não disse tão pouco a verdade “. Na conferência de imprensa de 6 de dezembro, o repórter ZDF perguntou a Draghi sobre se a sua participação no Grupo dos 30 não o conduziu a um conflito de interesses, não só pela sua proximidade com os banqueiros privados, mas também porque este grupo estava a ser co-financiado pelo Goldman Sachs. Draghi leu uma declaração preparada antecipadamente onde é afirmado que “o BCE” (isto é, Draghi) não considera que da participação do Presidente no grupo dos Trinta resultaria um conflito de interesses”. Draghi acrescentou que não sabia “que o G-30 é financiado pelo Goldman Sachs. Para mim, isso é verdadeiramente novo”, disse ele;
Considerando que na opinião do interpelante seria oportuno saber se corresponde à verdade se o Presidente Draghi gozava ou não de excelentes relações no mundo das finanças, quando ele ainda não era presidente do Banco Central Europeu, na qualidade de membro de um clube fechado, o grupo dos 30, um grupo de decisores muito influentes em dinheiro e em poder, com um número surpreendentemente elevado de funcionários ou ex-funcionários da finança da Goldman Sachs,
Pretende-se saber:
Se é verdade que na reunião no Britannia, de 2 de junho de 1992, onde se discutiu a estratégia das privatizações, foram iniciados negócios multimilionários, com os quais até mesmo Goldman Sachs iria ganhar muito;
Se correspondem à verdade as declarações transmitidas na entrevista de vídeo de Benito Li Vigni;
Se o governo considera que o ataque ao Estado empresário, aparentemente organizado pelos grandes bancos de investimentos, e que levou a liberalizar o sector público, não acabou por fazer incidir sobre os cidadãos e sobre a coletividade o custo de uma operação, que na opinião do interpelante levou à falência do erário público e, por conseguinte, levou a que a dívida daí resultante venha a atingir 2014 mil milhões, um fardo na ordem dos 33.000 euros por pessoa, dos quais 1.700 per capita nos últimos 13 meses de governo Monti.
LANNUTTI – Al Presidente del Consiglio dei ministri. , Texto disponível em:
http://www.eliolannutti.it/?s=Legislatura+16+Atto+di+Sindacato+Ispettivo+n%C2%B0+3-03217+
