E NADA FIZERAM por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

As sociedades vão optando, para proveito próprio, diferentes maneiras de lidar com a violência, ou seja, com as diferentes violências.

A violência é qualquer acto que prejudique o outro, que lhe cause sofrimento para satisfação do eu em acção. Por necessidade metodológica a violência foi sendo classificada conforme a vítima. Há a violência contra as crianças, contra as mulheres, contra as minorias, contra qualquer situação (pessoas) que faça alguém sentir-se mal consigo próprio, que faça alguém sentir-se reconhecido pela negativa.

Vivemos uma época em que quase sempre se respira violência contra qualquer pessoa ou grupos de pessoas.

Ser-se criança ou jovem é ser-se vulnerável, mesmo quando se agride.

A violência aparece frequentemente junto dos jovens quer por palavras quer por actos.

Os jovens sabem bem quem é o agressor, a vítima e o espectador.

Tem-se assistido, nestes últimos dias, à divulgação de uma cena de violência entre jovens que nos faz virar a cara, por incapacidade da resolução dos problemas e porque emotivamente já cansa tanta pancada.

Como se viu há um jovem no chão e outro que lhe dá socos e pontapés na cabeça, sendo incentivado por outros colegas, apesar de se ouvir alguém dizer “já basta, já basta”.

Como é revoltante ver-se no vídeo pessoas a passar ao lado e a não pararem, a não fazerem nada em defesa da vítima…

Não só é violento quem agride como quem está a assistir…

A violência, entre os jovens, aparece muitas vezes porque é assim…faz parte da cultura familiar, de prédio, de bairro e de quem passa na rua…faz parte da sua vida que é vivida com a família e com os amigos.

Mas não só vivem com a família e com os amigos, como também com a comunicação social, com os jogos no ipad, com os anúncios na televisão….

A violência vai aumentando conforme o que rodeia o jovem: a violência em casa, na rua…e a nunca mencionada circunstância de viverem em casas com muita gente que quer mandar nos outros nem que seja ao insulto, à ameaça ou à força, nunca é mencionado o barulho, não só quando falam como quando têm a televisão ligada. Não se fala de irmãos mais pequenos, que ficam à sua responsabilidade, quando os pais não estão em casa.

O modo de vida, em certos casos, é propício a alterar comportamentos. Há tanta situação que nos rodeia que pode fazer despoletar em nós comportamentos agressivos, mas também as há que provocam comportamentos de respeito mútuo.

É preciso saber pensar sobre os pré-factos antes de os cometer.

Viver com respeito é difícil, mas não impossível.

Afinal como são os agressores e a vítima? O que pensam desta violência, como a poderiam ter evitado, porque a incentivaram, porque outras pessoas passaram por eles e nada fizeram?

 

 

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