FRATERNIZAR – As igrejas cristãs não suportam este viver-falar DEUS É AMOR, PORQUE É HUMOR – por MÁRIO DE OLIVEIRA

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Inesperadamente, o Convite caiu no meu correio electrónico. Proveniente de Albergaria-a-Velha. Duma Associação que dá pelo nome de Risorius, a do Riso. E do respectivo Município. Requeriam a minha presença e intervenção de padre-jornalista numa Conversa sobre o Humor que contava já com a participação do conhecido e reconhecido Ricardo Araújo Pereira (/RAP) e de Rita Ferro Rodrigues (RFR), duas figuras mais do que mediáticas. A coordenação seria da Risorius, na pessoa de Carlos, o humorista local de serviço. A minha presença e intervenção teria mais a ver com o teológico, entendido até pelos teólogos das religiões e das igrejas cristãs como o que tem a ver com o religioso e o eclesiástico. Desconhecem todos que há uma teologia outra, a de Jesus Nazaré, que não só não embarca nas religiões e nas igrejas cristãs, como até leva quantas, quantos a praticam, a rir-se delas, do que dizem e fazem. Conscientes de que Deus que nunca ninguém viu é Amor, porque é Humor. Inclusive, quem me convidou só iria despertar para esta Teologia outra, a de Jesus Nazaré, no decorrer do debate, ocorrido na noite da última sexta-feira de Janeiro, no Cine-Teatro de Albergaria-a-Velha, lotadíssimo, vários dias antes da data.

Infelizmente, quase todas, todos nós temos sido forçados a desconhecer que o quotidiano dos povos, nas suas múltiplas culturas, línguas e tradições anda carregado de Humor, tal como anda carregado de Deus que nunca ninguém viu. Porque a alegria de Deus, o de Jesus e dos povos, nos antípodas do Deus das religiões e das igrejas cristãs, é que nós, seres humanos, nos ocupemos, não dEle, a quem nunca vemos, mas de nós próprios, uns dos outros e do cosmos que continuamente vemos. Ora, quando assim é, vivemos a respirar Humor por todos os poros, da mesma maneira que respiramos Deus por todos os poros. Esse Deus que é Amor, porque é Humor. A teologia outra, a de Jesus, que eu próprio procuro praticar e aprofundar, é assim que vê-experimenta o quotidiano dos povos. Viver é, por isso, continuada festa de liberdade, de plenitude, de fecundidade, de fraternidade, numa palavra, de riso, porque, graças a esta Teologia outra, a de Jesus, sabemo-nos e uns aos outros o valor maior a preservar, juntamente com a Terra e o cosmos, no seu todo.

Acontece que os seres humanos e os povos, em vez de nos ocuparmos connosco, uns com os outros e com o cosmos que vemos a toda a hora e instante, temos sido forçados pelos sacerdotes e pastores das religiões e igrejas cristãs a ocuparmo-nos com Deus, as deusas, os deuses, os santuários, as basílicas, as igrejas paroquiais, os altares e as alfaias litúrgicas. Sem nos apercebermos que semelhante pensar-viver é Tentação, desvio, causa e ocasião de alienação, de desgraça, de solidão, de infantilismo, numa palavra, crassa manifestação de Medo. Temos que dizer, sem que a voz nos trema, que os sacerdotes e pastores de religiões e igrejas cristãs constituem, no seu todo, o Tentador ou Diabo dos povos. Só não nos apercebemos disso, porque ele, mentiroso e pai de mentira, sempre se nos apresenta mascarado de bom, de santo, de sagrado, de Deus. Só que quanto mais divino, menos humano. Quanto menos humano, mais cruel. Até se tornar, por fim, o assassino do Humor e do Amor, os dois nomes com que Deus, o de Jesus Nazaré, é entre nós e connosco. Por isso, o Profano e o Político em plenitude, a Liberdade, a Paz, a Alegria e a Vida sem limites.

À luz desta teologia outra, a de Jesus, é manifesto que o Ocidente, de raízes judeo-cirstãs-islâmicas, é o grande acidente que está aí a roubar-nos, matar-nos, destruir-nos, a cada instante. Pelo que bem podemos dizer, com a legitimidade que a História nos dá, Malditas raízes judeo-cristãs-Islâmicas e religiosas que, desde o princípio e ao longos das sucessivas gerações, nos têm formatado as mentes-consciências. Valorizam tanto o divino, que este acaba a comer o humano. Valorizam tanto o sagrado, que este acaba a comer o profano, o secular. Valorizam tanto os sacerdotes e os pastores das religiões e igrejas cristãs, que estes acabam a comer os seres humanos e os povos das nações. Engordam eles, diminuímos nós, os seres humanos e os povos. A teologia que todos praticam e ensinam é demoníaca, assassina. Leva quem a segue a roubar, matar, destruir os seres humanos e os povos que vemos e com os quais tropeçamos a toda a hora e instante, e a servir Deus e os deuses que teimamos em projectar nos céus, enquanto nós próprios gememos e choramos cá em baixo na terra, convertida em vale-de-lágrimas. Quando, em boa verdade, somos a consciência do universo ainda em expansão, já com 13 mil e 700 milhões de anos!

O princípio do fim de toda esta esquizofrénica teologia religiosa e cristã foi a Revolução Francesa. Matou o rei, ungido (= cristo) pelo sacerdote, e, ao contrário do que então se cria-temia, o universo prosseguiu como se nada tivesse ocorrido. Concluiu-se daí que, afinal, o rei-poder vai nu. Tudo não passa de uma máscara que asfixia-mata o filho de mulher e o ressuscita como o filho do Poder. A superioridade do rei-poder não passa de uma ficção, ou, se se preferir, de uma convenção criada e alimentada pelas minorias dos saberes e dos privilégios, postas de acordo entre elas, uma vez que está em jogo a manutenção dos seus privilégios. Nomeadamente, o seu lugar no topo da pirâmide social, logo abaixo de Deus, o dos sacerdotes e dos pastores das religiões e das igrejas cristãs. Segundo esta corporativa visão, imposta a ferro e fogo a todos os povos das nações, os sacerdotes e os pastores das religiões e igrejas cristãs.têm de estar sempre, como intermediários, entre o céu e a terra. E quantas, quantos eles ostracizarem-excomungarem, ficam automaticamente ostracizados-excomungados perante as multidões, suas súbditas, bem como perante as minorias dos saberes e dos privilégios que, de modo algum, querem desagradar-lhes. Cientes de que isso pode custar-lhes o estatuto de minorias dos saberes e dos privilégios. E lá se iria tudo por água abaixo.

Até os profissionais do Humor auto-impõem-se limites, para nunca deitarem tudo a perder nas suas vidas. Desta vez, porém, graças à minha presença no debate, animado pela Fé e pela Teologia outras, as de Jesus Nazaré, o Humor pôde ir para lá dos limites convencionais. O que levou RAP a dizer, no final, Se fosse eu a dizer estas coisas que o Pe. Mário aqui acaba de nos dizer, matavam-me. E tudo porque em mim o Humor apresenta-se em nome dos seres humanos e dos povos que vejo e com os quais me (pre)ocupo dia e noite. nomeadamente, as vítimas. Não em nome de Deus, o dos sacerdotes e dos pastores das religiões e igrejas cristãs. Posso, por isso, rir-me e fazer rir as pessoas com tudo o que dizem e fazem os sacerdotes e os pastores das religiões e igrejas cristãs. Bem como com tudo o que dizem os seus livros sagrados (Bíblia). É que também para mim, como para Jesus, sagrados são apenas os seres humanos e os povos que estamos sempre a ver. Já o Deus dos sacerdotes pastores das religiões e igrejas cristãs é só para nos rirmos dele, porque não passa de um engana-meninos-tira-lhes-o-pão! Como tal, não pode ser levado a sério, sob pena de continuarmos a manter assustados e enganados os seres humanos e os povos, nossos concidadãos.

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