PRAÇA DA REVOLTA – Um esclarecimento de Anália Gomes

praça da revolta - logoLi o Editorial do dia 12.02.2017 – No aniversário de Catarina Eufémia, o qual muito apreciei pela transparência com que a questão da autoria do poema “Cantar Alentejano” é colocada, pelo apelo que faz à participação de quem possa contribuir para clarificar o assunto.Situando-me no grupo dos apartidários de esquerda, avessa a dogmatismos de qualquer espécie, dei já aqui o meu contributo na sequência de comentários que fiz no blog Estrolabio.

Aquando de uma polémica em torno da questão travada durante alguns meses na página do facebook Tributo a José Afonso, as minhas convicções baseavam-se antes de mais na linguagem poética de “Cantar Alentejano”, tão ao estilo de José Afonso, onde é possível encontrar afinidades com “A morte saiu à rua” e até com “Ó Cavador do Alentejo”. É minha intenção voltar a este ponto, para mim até mais inequívoco do que todas as provas materiais.

Porém, dada a importância das provas documentais, esforçamo-nos por coligir quantas mais melhor. Assim, fica em suspenso por ora a análise textual (à qual por razões de força maior não me tem sido possível dedicar-me) e junto os dados trazidos esta noite por Mário Lima e João Carlos Callixto, na página Grupo “Os Amigos de José Afonso” na rede social Facebook.

Vejamos, então:2

1) – Em maio de 1974, nos 20 anos da morte de Catarina, o Comité Portugal Amsterdam lançava uma brochura sobre Catarina Eufémia, onde consta José Afonso como autor do poema.

       https://drive.google.com/file/d/0B8qf4EMOlMBkakM3aDkxR0pSLXM/view

-2) – No n.º 172 da revista O Militante (1989), do PCP, onde são citados vários versos de “Cantar Alentejano”: Chamava-se Catarina / o Alentejo a viu nascer; Ficou vermelha a campina / Do sangue que então brotou; Quem viu matar Catarina / Não perdoa a quem matou! (‘)
Pode ler-se nas notas:.(‘) AFONSO, José — do poema «Cantar Alentejano»

 3) Curiosamente, o texto consta no site do PCP, na publicação dedicada aos 50 anos da morte de Catarina Eufémia, na secção Imprensa. na mesma publicação, aliás, onde está coligida uma colectânea de sete poemas dedicados a Catarina Eufémia, que julgo ser a mais antiga referência a atribuir a autoria de “Cantar Alentejano” a Vicente Campinas. Contradição estranha, não justificada. O que fez o PCP alterar a sua posição entre 1989 e 2004? Que dados tinha? Onde os apresentou?

     http://www.pcp.pt/actpol/temas/pcp/catarina/militante-1989.htm
       
      http://www.pcp.pt/actpol/temas/pcp/catarina/index.htm

 – Segundo testemunho de João Carlos Callixto (investigador musical, autor do livro ” Canta, Amigo, Canta”, 2014, editora Âncora), na página de grupo no facebook “Os amigos de José Afonso”, o poema Cantar Alentejano” consta no livro “Cantar de novo”, 1970, publicado pela Nova Realidade, tal como o livro “Cantares”. É, de resto, elucidativo o texto de João Carlos Callixto, que confessa ele próprio ter-se convencido da veracidade das fontes que apontavam para a autoria de Vicente Campinas.

Parecem-me, portanto, evidentes as provas a favor da tese de que José Afonso é de facto o autor do poema “Cantar Alentejano”, que escreveu e musicou em maio de 1964, cantou pela primeira vez em público em Grândola, 17 de maio do mesmo ano (segundo atesta carta de Zeca aos pais, de 23 de maio e também testemunhos pessoais, Hélder Costa esteve lá e lembra-se), embora tenha gravado a canção apenas em 1971, o que aliás também aconteceu com “Grândola Vila Morena”, criada após essa ida a Grândola, cantada pela primeira vez na Galiza em 1970 e editada também no disco “Cantigas do Maio”.

A menos que surja alguma publicação de Campinas anterior a 1964. O que por tudo o que tem sido testemunhado nestas páginas é inconcebível, considerando a irrepreensível lisura de carácter de José Afonso.

O seu a seu dono, a Zeca o que é de Zeca.

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Este o texto de João Carlos Callixto, que julgo terá sido enviado por mail.

“Quando, em finais de 2014, saiu pela Âncora Editora o meu livro “Canta, Amigo, Canta – Nova Canção Portuguesa (1960-1974)”, referi que o poema de “Cantar Alentejano” era da autoria de Vicente Campinas. Tinha essa minha indicação por base um artigo publicado poucos anos antes no “Jornal de Letras”, em que esse mesmo facto – contrário a tudo aquilo que sempre considerara como correcto e que sempre vira publicado em todo o lado – era apresentado sem deixar margem para dúvidas. Confiei. Agora, com todos os elementos que têm sido trazidos à liça pelo Mário Lima e pela Anália Gomes, e na sequência de uma conversa com esta última, acrescento mais este, do livro “Cantar de Novo”, publicado em 1970 pela Nova Realidade. Nessa antologia de poesia de José Afonso surge de novo o poema “Cantar Alentejano” (imagens abaixo). Ora se todos os textos do livro são da autoria do cantautor, que sentido faria incluir no mesmo um texto que não o era – e sem indicação disso mesmo?… Tudo aponta, portanto, para que tanto a letra como a música do “Cantar Alentejano” sejam da autoria de José Afonso. O seu a seu dono, como sempre”

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