EDITORIAL: But the tigers come at night…

Imagem2Foi no dia 21 de Fevereiro de 1848 que Karl Marx e Friedrich Engels lançaram em Londres (embora em língua alemã – Das Kommunistische Manifest) o documento em que eram explanadas as bases teóricas do programa para uma concepção nova das relações  de produção e, sobretudo, dos direitos dos trabalhadores que deveriam assumir o controlo do seu próprio devir, A Revolução Francesa tinha lançado as bases de uma sociedade igualitária, mas falhara porque os intelectuais burgueses desencadearam um brutal processo antropofágico que fez a Revolução auto-devorar-se e dar lugar a um império que se situava politicamente nos antípodas dos princípios enunciados em 1789.

O manifesto de Marx e de Engels constitui uma dura crítica ao modo de produção capitalista e à forma como a sociedade passou a funcionar em função de objectivos da classe dominante, sacrificando, espoliando as classes trabalhadoras. Ideia generosa, solidária e justa, o comunismo foi, ao longo do século XX, objecto de experiências que, por razões diversas – mas especialmente pela guerra sistemática que o capitalismo moveu – abortaram. Como diz Cosette na sua canção de Les Misérables, o sonho que sonhou foi destruído pelos tigres que vieram  pela calada da noite.

Nunca o manifesto e os princípios nele enunciados foram verdadeiramente postos em prática. sobretudo o de organizar o proletariado como classe social capaz de criar os seus próprios quadros, de desenvolver uma intelectualidade própria.As experiências que sobrevivem, são atípicas – Cuba, condicionada por uma agressão económica permanente, divide como pode o que há para dividir; a China parece aproveitar do comunismo apenas o conceito da indiscutibilidade da autoridade do estado.Marx e Engels não reconheceriam em nenhum estado actual a aplicação da sua generosa teoria.

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