OS ESTADOS UNIDOS E O NEOCONSERVADORISMO – NEOCONSERVADORISMO E POLÍTICA EXTERNA AMERICANA, por STEPHEN MCGLINCHEY – II

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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Neoconservadorismo e Politica Externa Americana 

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STEPHEN MCGLINCHEY, Neoconservatism and American Foreign Policy

E-International Relations, 1 de Junho de 2009

⌈Publicação autorizada pelo autor⌋

(continuação)

Neoconservadorismo e Islão

De forma a compreender o foco neoconservador no Médio Oriente à custa de outros teatros geopolíticos, e a explicar a recetividade de George W. Bush à sua persuasão, uma análise dos trabalhos de dois controversos académicos é necessária; são eles Bernard Lewis e Samuel Huntington. Lewis, que é um neoconservador, foi hóspede na Casa Branca levado por Karl Rove em novembro de 2001, é relevante a propósito de sua tese em que estabelece que enquanto o status quo do Oriente Médio atual, criado “pela partilha imperial” concebida ao longo e através de civilizações antigas, se mantiver há um legado da instabilidade na região (Lewis 2004: 417). Este conflito não resolvido das identidades deve ser tratado como uma prioridade porque há somente duas soluções possíveis em face da instabilidade em curso na região: ou o Islão ou a democracia (Lewis 2004: 423). O Islão, com o seu próprio conjunto único de princípios legais encaixados na lei da Sharia está em desacordo com a democracia liberal e, através da leitura de Lewis, são consequentemente dois mundos mutuamente exclusivos e incompatíveis. O conflito é consequentemente inevitável. A posição americana contemporânea estabelecida para o Médio Oriente estava primeiramente orientada para a manutenção do status quo. O avanço de Iraque no Kuwait foi repelido, mas nenhuma mudança do regime foi tentada resultando daí que a a Guerra do Golfo nada mais fez que não fosse o restaurar do status quo. A abordagem global de Clinton para o Irão e para o Iraque foi baseada na contenção e nas sanções, não na mudança do regime – de novo a perpetuar o status quo. Se a tese controversa de Lewis estivesse correta, estas políticas terão permitido constituírem-se numa bomba-relógio a ameaçar a América.

Segue-se Huntington, e este não é um neoconservador, que se serve das palavras de Hedley Bull, segundo o qual o “apogeu” do Ocidente deu-se em 1900. Tem estado lentamente a diminuir desde então em termos de estatura e de influência. Bull predizia que como a Europa entrou em declinou após as duas grandes guerras mundiais, a América segui-la-á num futuro próximo como parte de um processo mais vasto e inevitável de reequilíbrio internacional (Huntington 1997: 83). Huntington deseja categoricamente invalidar o argumento do Fim da História sublinhando novamente o declínio possível do Ocidente em linha com as ideias de Bull. Aos olhos de Huntington uma oposição determinada pelos outros grupos civilizacionais, especialmente o Islão, numa luta pela sobrevivência do seu (incompatível) modo de vida, através de um conflito de civilizações é possível – como é a possibilidade espelhada de uma luta preventiva desencadeada pelo “Ocidente” para travar o seu próprio declínio – tornando-se desse modo possível a ideia de Lewis de um futuro possível para a democracia ou alternativamente para o Islão. Não é um salto de corça para ver a guerra ao terror como sintomático disto tal como é entendido por ambos os lados da barreira. Trata-se de um indicador claro de que os pontos de vista expressos pela literatura neoconservadora até aqui analisada têm a ver com a necessidade da dominação americana e de a América dispor de uma força militar sem rival, necessidade esta visto como mais urgente depois do que aconteceu em 11 de Setembro. Desta perspetiva, a política americana para o Médio Oriente teria que mudar significativamente, e mudou.

O Irão é o único candidato lógico para ser líder de uma “força islâmica” tão teórica para ser capaz de se vir a opor ao “Ocidente”. Um Irão nuclear armado tornaria essa ameaça mais alarmante – e na era do pós 11/9 com a indefinição das linhas entre a proliferação, o estado patrocinador do terrorismo e o aumento do peso do radicalismo religioso – uma ameaça existencial para América e para os seus projetos para o Médio Oriente. Naturalmente esta linha de pensamento subestima de um modo bem grosseiro as divisões profundas no mundo islâmico, sobretudo a composição xiita do Irão, (ao contrário da grande maioria dos muçulmanos que pertencem à denominação de sunitas ) e à sua etnicidade predominantemente persa e não árabe. De qualquer maneira, Norman Podhoretz insiste que a América deve desencadear uma ação militar para acabar com o programa nuclear do Irão. Isto é necessário tanto quanto o 11 de setembro marcou o começo da IV guerra mundial (a guerra fria é a Terceira) e o Islamofascismo é simplesmente a mais recente mutação da doença totalitária que flagelou o século XX (Podhoretz 2007: 17). A América deve destruir o Irão para impedir que crie uma ordem mundial de “Islamofascismo” (Podhoretz 2007: 20). Extremista como é esta argumentação, este sentimento foi expresso diretamente a Bush em 2005:

“Os militantes acreditam que ao controlarem um país, um tal facto levará ao reagrupamento das massas muçulmanas, permitindo-lhes derrubar todos os governos moderados na região e estabelecer um império islâmico radical que vá desde a Espanha até à Indonésia” [1]

Este império islâmico, um Califado Islâmico, empenhado em fazer aplicar a lei e ensinos islâmicos ao mundo inteiro, é a razão de ser dos medos de Podhoretz. Este medo sublinha precisamente o extremismo da visão mundial que nos apresentam os neoconservadores, a razão pela qual o seu foco é o Médio Oriente, e o significativo arranque da doutrina neoconservadora representa a dicotomia tradicional entre a visão liberal e a visão dita realista na política externa.

John Ikenberry apresenta uma crítica extensiva do neoconservadorismo, notando que este, longe de criar uma era unipolar, viveu somente num “momento” no centro das atenções antes de falhar visivelmente em 2004. O Iraque foi um falhanço geoestratégico; a ideologia da guerra ao terror era insustentável politica e financeiramente; O poder das forças armadas americanas tinha sido mal calculado; a unipolaridade não é legítima quando contraposta à multipolaridade, nem é sequer preventiva; e a ideologia neoconservadora é instável, bruta e etnocêntrica (Ikenberry 2004: 8-19). Ikenberry ironiza sobre a persuasão como um fundamentalista que nos indica conclusivamente, “a sua história é defeituosa, as suas políticas são ineficazes” (Ikenberry 2004: 20). Esta rejeição é derivada de uma leitura que coloca um alto valor em duas “ grandes disputas ” do sistema global; a ideia realista da segurança e da estabilidade e o institutionalismo liberal que modera esse realismo. Esta bipolaridade torna o poder americano seguro para o mundo (em teoria), e é com a transformação deste delicado equilíbrio que a persuasão neoconservadora da presidência de Bush mostrou à evidência não somente a ilegitimidade dessa persuasão através das suas ações, mas talvez tenha danificado e de forma irreparável a fé em todo o sistema (Ikenberry 2001: 19-22). Os neoconservadores eles próprios mesmos não acreditam que são fundamentalistas per se, mas acreditam sobretudo que vêem um perigo que os outros ignoram;

Os “eventos de anos recentes têm-nos dado razão para não mudarmos as nossas ideias quer sob os novos perigos que estão a aparecer quer pelas prescrições dadas para identificar aqueles perigos. Se qualquer coisa de novo existe, a tendência dos últimos anos mostrou-nos que será mais perturbante do que o que nós antecipamos” (Kagan 2000: vii).

A crítica realista da persuasão neoconservadora na política externa é talvez aquela que é mais persuasiva. John Mearsheimer apresenta uma crítica similar quanto à legalidade da doutrina neoconservadora à Ikenberry, mas contextualiza o seu desacordo.

“O conflito sobre se ir ou não à guerra dava-se entre duas teorias concorrentes da política internacional: entre realismo e o neoconservadorismo que apoia a doutrina de Bush, (Mearsheimer 2005).

Mais do que afirmar que o neoconservadorismo apoia e sustenta mesmo a doutrina de Bush, afirma que os dois são essencialmente a mesma coisa, uma fusão de idealismo e de poder nas questões de política externa; “o Wilsonianismo com dentes” (Mearsheimer 2005). Este acusa a doutrina de Bush de presumir que o exercício preventivo do poder americano produzirá um efeito de dominó que persuade outras nações tais como o Irão e os levará a renderem-se à vontade de América, quando de facto o pensamento realista, na época bastante considerado, considerava que o resultado provável seria talvez a militarização das ditas nações para protegerem a sua soberania e tentarem equilibrar o poder americano (Mearsheimer 2005).

Neste caso, a crítica do realismo quanto à política externa neoconservadora tem-se provado até agora como sendo incrivelmente correta enquanto o Irão continua ativamente a desenvolver a tecnologia nuclear e a adotar uma postura cada vez mais beligerante para com a América e Israel. O Iraque e o Afeganistão são agora indiscutivelmente estados falidos e o terrorismo e a violência na região aumentaram dramaticamente, tal como uma página de opinião do New York Times o previu com algum avanço em 26 de setembro de 2002. Esse texto estava assinado por 33 eruditos em relações internacionais que incluem Kenneth Waltz e John Mearsheimer. Desenvolvendo um pouco mais a crítica, o núcleo Wilsoniano da ideologia neoconservadora, embebido na promoção da democracia como uma ferramenta da política externa, é referido como como um falhanço estrondoso; “ a promoção da democracia pretendia ser uma engenharia social difundida a uma enorme escala e devia ser imposta mesmo à força, se necessário.” (Mearsheimer 2005). O falhanço consistia em terem negligenciado o postulado importante da teoria realista em política externa, segundo o qual para os cidadãos de toda e qualquer nação, nacionalismo e soberania são bem mais poderosos e carnais do que as ideias mais elevadas da democracia. Assim, é inteiramente consentâneo com a realpolitik ver o governo iraniano desenvolver uma capacidade de dissuasão nuclear independente como uma escolha racional em linha com o objetivo dos americanos e israelitas possuírem uma capacidade de dissuasão digna de crédito capaz de poder operar uma mudança de regime. Deste modo, todo o episódio do neoconservadorismo aplicado ao Médio Oriente pode ser lido como uma profecia auto- sustentada.

Mesmo aqueles que dentro da persuasão neoconservadora aceitam que o exercício da política externa neoconservadora não gerou os resultados pretendidos defendem a sua continuação, e para terminarem o trabalho, pretendem que esta seja continuada de modo a que o resto do mundo possa olhar para trás posteriormente e considerar que eles tinham razão. A legitimidade desse ponto de vista, como é expresso o mais apaixonadamente por Podhoretz com os seus argumentos para se bombardear o Irão e neste país ativar uma estratégia da mudança do regime de modo a desencadear a partir daí um enorme efeito de dominó e de salto para a democracia no Médio Oriente, está ainda para ser vista – e permanece oralmente muito ativa na era de Obama. É impossível prever o futuro; mesmo o realismo nada podia fazer no caso do fim repentino da guerra fria. Contudo, o realismo sobreviveu a essa falha e talvez o neoconservadorismo venha a sobreviver à falha aparente para com o consenso popular. Enquanto não se deseje condenar definitivamente os postulados neoconservadores, mesmo tomados à letra como estes foram aplicados na administração de Bush, esta questão parece certamente ser um caso de muito difícil resposta. O braseiro do Iraque foi sublinhado pelos 33 eruditos, mas este braseiro foi continuado. A falha do efeito de dominó da democratização foi largamente prevista e contudo o Afeganistão e Iraque tornaram-se em estados muito piores do que antes da invasão e o Médio Oriente está a sentir fortemente o anti-americanismo a crescer e o terrorismo a aumentar em países tais como o Paquistão.

O princípio central do neoconservadorismo de distinguir amigos dos inimigos e a retórica de “connosco ou contra nós” que se seguiu com eles na administração de Bush forçou a aliança com os aliados tradicionais na União Europeia e, como Ikenberry sublinha, danificou o grande e delicado contencioso do poder americano incomodado com a legalidade multilateral. Um tal dano foi reconhecido ativamente pela administração de Obama que o reconheceu desde o primeiro dia e em que procurou regressar a uma posição internacionalmente mais multilateral, mais inclusiva e mais diplomática, mais na linha da posição americana professada por Ikenberry. Obama ganhou mesmo um prémio Nobel da Paz pelos seus esforços iniciais, e que não haja nenhuma dúvida que este prémio seria visto como sendo o selo da aprovação política para o fim antecipado da era de Bush assente na unilateralidade. De qualquer modo na realidade, as mudanças acabaram por ser muito mais subtis.

Israel como fator do Neoconservadorismo

O princípio de base dos neoconservadores praticado por Bush com o seu pacote de política externa, a democratização revolucionária, está intrinsecamente ligado à segurança de Israel. Os políticos israelitas têm reafirmado desde há muito tempo que vivem “ uma vizinhança resistente” e frequentemente reclamam serem reconhecidos como sendo a única nação verdadeiramente democrática rodeada de um mar de ditaduras e de regimes corruptos. O grupo de pressão interna a favor de Israel e a Administração de Bush acreditavam que fazendo cair Saddam Hussein conduzir-se-ia, por efeito de dominó, à democratização da região que poderia simultaneamente satisfazer os objetivos da doutrina da Administração de Bush e aumentar a segurança de Israel [2]. Nesse sentido, Mearsheimer e Walt (2007) argumentam que a pressão a favor de Israel era a variável chave para que se fizesse a guerra no Iraque, o que aconteceu quando esta ideia foi assumida pelo coro dos neoconservadores. Como e quando isto se aplica ao Irão é sempre mais relevante. Mearsheimer e Walt postulam que a pressão interna estava igualmente centrada, até mesmo desde os anos de Clinton, sobre o Irão.

De uma maneira pragmática os vários grupos de pressão compreenderam o desejo neoconservador de tratar primeiramente com o Iraque (veja-se Perle 1999), contudo sabiam da intenção de Administração de Bush de querer assegurar a queda do regime no Iraque e depois no Irão, numa sucessão que fosse rápida. Daqui a frustração quando isto não ocorreu (Mearsheimer & Walt 2007: 233-234). Na realidade, o Irão forneceu um apoio tático significativo na campanha do Afeganistão e deu origem a um diálogo significativo quanto à normalização das relações com a América no período imediatamente posterior à invasão de 2003 do Iraque, temendo presumivelmente que eles poderiam ser o país seguinte e numa altura em que o poder americano parecia estar no seu zênite. Em todos os casos, a pressão organizou-se num “ esforço concentrado” para estragar o processo [ de melhoria de relações com o Irão] (Mearsheimer & Walt 2007: 282-302). Os autores mencionam uma lista de dados empíricos para demonstrar a sua tese e para indicá-la:

“Israel e a pressão organizada a favor de Israel … são as forças centrais que hoje estão por detrás de todas as posições da Administração de Bush e no Capitólio sobre a utilização da força militar para destruir as instalações nucleares de Irã” (Mearsheimer & Walt 2007: 282).

Segundo esta avaliação, o próximo presidente em 2009, apesar de sua orientação particular na política externa, muito provavelmente devia logo a seguir atacar o Irão e acabar com as suas ambições regionais e eliminar a ameaça que este país constitui para Israel, como a pressão organizada a favor de Israel iria continuar a dar forma à política americana nesse sentido particular. Testemunhamos agora a abordagem de Obama sobre o Irão ao longo destes 18 meses, e o que se tem verificado com a atual Administração Obama face ao Irão mostra como esta previsão foi exata e na sua maior parte provada, pelo menos na retórica se não mesmo também na ação. A promessa feita por Obama de “estender uma mão” ao Irão, foi substituída com uma recauchutagem da abordagem praticada por Bush [3] e a indicação que publicamente passou a ser anunciada era de que a opção da força militar está ainda “na mesa” [4], o que se ligava com o desejo constantemente afirmado pelo governo iraniano de não estar disponível para fazer concessões sobre o seu próprio programa nuclear.

Walter Russell Mead indica que o poder crescente da pressão interna a favor de Israel é uma distorção, e um grande enviesamento israelita na política externa americana (o que ele igualmente reconhece), sendo, na verdade, o resultado do peso crescente da Igreja Evangélica na vida política americana e do seu desejo de apoiar fervorosamente Israel na base das suas próprias convicções e em que estas derivam da sua leitura particular da Bíblia (Meade, 2006: 41). Certamente, quanto à orientação evangélica de Bush, parece-nos relevante esta informação de Meade.

Movendo-se sobre esta matéria, Gorenberg nota que a influência da pressão organizada a favor de Israel tem estado a ser sobreavaliada; sendo correto reconhecer que eles tentaram controlar a política americana como o fará naturalmente qualquer grupo de pressão dentro de sua esfera de interesses, mas sem nunca conseguirem realmente ter o mesmo sucesso, o que Mearsheimer e Walt atribuem à concorrência de diversas redes de influência e de interesses divergentes no Capitólio. (Gorenberg 2008: 32). O ponto de vista de Gorenberg é válido no sentido que a pressão organizada a favor de Israel e os sucessivos governos israelitas sucessivos não receberam ainda o apoio claro dos E.U. face ao seu constante desejo de acabar pela força e urgentemente com o programa nuclear do Irão, que é descrito frequentemente como “uma ameaça existencial” à existência de Israel. Finalmente, a publicação neoconservadora, Commentary, publicou uma resposta a Mearsheimer e Walt, rejeitando as suas teses, indicando que nelas foram utilizados estereótipos antissemitas e não foi feita uma investigação própria, original, confiando pelo contrário em fontes secundárias e em generalizações grosseiras (Stephens 2007).

Enquanto possa haver aqui um argumento válido a ser feito, este seria de que o livro simplifica e talvez enfatiza demasiadamente o papel de Israel e da pressão organizada a favor de Israel na política estrangeira em América, o certo é que acusar os autores de antissemitismo ou de ausência de investigação própria, é uma acusação sem quaisquer bases. O conflito real entre os neoconservadores e Mearsheimer e Walt é aqui baseado mais provavelmente no fato de que ambos os autores são proeminentes realistas. Os realistas forneceram uma crítica aguda e sustentada do projeto neoconservador no seu todo e logo desde o início, particularmente Mearsheimer. A defesa feita por aqueles que pertenciam ao grupo de pressão organizada a favor de Israel, de que muitos neoconservadores são aliados muito próximos (embora nem todos os neoconservadores sejam judeus), face a quem os acuse de terem uma influência desproporcionada na política externa americana e na defesa de interesses que não são americanos, é acusá-los de serem antissemitas.

Esta foi uma estratégia maquinada da defesa que bloqueava todo e qualquer debate sério. O livro de Mearsheimer e de Walt permitiu finalmente que o tema fosse academicamente discutido em vez de o ser à margem da sociedade. Adicionalmente, a estatura dos seus autores permitiu um debate muito mais profundo e mais vasto do que o que se tinha verificado até ai. A releitura das teses do grupo de pressão interna a favor de Israel mostra que este grupo recusa admitir a importância de outros grupos de pressão e de interesses quanto ao futuro do Médio Oriente, tais como os interesses organizados à volta do petróleo e da indústria de armamento, que entretanto aparecem transversalmente como prematuros. Contudo apesar dos seus defeitos aparentes, recusar a tese por falta de sentido como Commentary predizivelmente deseja, é uma oportunidade perdida de tentar compreender o alcance global com que a política americana é forjada para o Médio Oriente, especialmente ao observarmos a retórica impressionantemente similar das altas personalidades políticas de Israel e dos neoconservadores americanos, mais claramente no que se refere ao Irão.

(continua)

________

[1] http://news.bbc.co.uk/1/low/world/americas/4316698.stm

[2] See ‘A Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm’. Available at: http://www.iasps.org/strat1.htm

[3] For more on this see: http://www.foreignpolicy.com/articles/2009/12/04/iran_is_no_existential_threat

[4] http://www.cbsnews.com/stories/2010/04/14/world/main6395688.shtml

________

Ver o original em:

http://www.e-ir.info/2009/06/01/neo-conservatism-and-american-foreign-policy/

________

Para ler a Parte I deste trabalho de Stephen Mcglinchey, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, clique em:

https://aviagemdosargonautas.net/2017/02/27/os-estados-unidos-e-o-neoconservadorismo-neoconservadorismo-e-politica-externa-americana-por-stephen-mcglinchey-i/

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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