EDITORIAL: 11 de Março de 1975 – o ponto de viragem

Os serviços secretos do Exército espanhol terão feito aquilo a que se chama uma manobra de intoxicação, convencendo a ala spinolista de que as forças de esquerda se preparavam para eliminar o general António de Spínola e os oficiais que o apoiavam. Seria uma ampla operação que as forças de esquerda lançariam, prendendo (e executando?) o presidente Spínola  e todos os que constituíam a chamada «ala spinolista» – a operação tinha o nome de código de «matança da Páscoa». Segundo a falsa informação revelava, a ideia das esquerdas seria, eliminando a oposição, implantar uma república comunista.

Procurando antecipar-se ao  hipotético golpe de esquerda, as forças de direita desencadearam uma rebelião contra  o que consideravam ser uma ameaça de ditadura comunista, rebelião que as unidades militares fiéis  ao Estado democrático jugularam prontamente. Temendo-se uma operação de maiores proporções, foram distribuídas armas por activistas de esquerda, dispostos a defender o Estado democrático contra a direita reacionária de que Spínola era figura de proa.

A intentona provocou uma radicalização (nacionalização da banca e de empresas pertencentes a grandes grupos económicos, esquerdização das Forças Armadas) que foi, num crescendo que, no entanto, as eleições para a Assembleia Constituinte não confirmaram, dando a maioria a um PS aliado de uma economia liberal, até ao 25 de Novembro de 1975, quando as Forças Armadas impuseram um modelo de democracia representativa que permitiu a criação de uma sociedade típica do capitalismo.

 

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