FRATERNIZAR – Cinco dias de retiro em Fátima – QUE SOPRO, O DOS BISPOS PORTUGUESES? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

Ao papa Francisco que no seu twiter do começo da semana de 5 a 11 de Março pedia aos seus seguidores que o acompanhássemos e aos colaboradores dele mais próximos nos Exercícios Espirituais que estavam a realizar por esses dias no Vaticano, perguntei, no comentário que lhe fiz, “Esses vossos exercícios espirituais são segundo santo Inácio, ou segundo Jesus, o filho de Maria?” E concluí com uma outra pergunta: “Quando prosseguimos Jesus?!” O mesmo não pude fazer aos bispos portugueses que ainda não navegam por estes mares do twitter e que, tal como o papa, também estiveram cinco dias desta semana em retiro em Fátima. Tão pouco a informação do seu retiro veio nos jornais que não querem saber do que fazem ou deixam de fazer os bispos portugueses, porque o que eles fazem ou deixam de fazer não chega sequer a ser objecto de notícia. Vale aos bispos, nestas ocasiões, a sua Agência Ecclesia de notícias que, tal como eles, tão pouco quer saber dos quotidianos das populações do país e do mundo, apenas da igreja dos bispos e do papa, seus patrões-mor. Neste particular, é bem a voz dos seus donos.

Esta não-notícia dos bispos portugueses revela à saciedade quanto eles e seus párocos andam completamente afastados dos acontecimentos quase sempre dolorosos que fazem os quotidianos das populações. O calendário por que se regem não afina pelo das populações. Os conturbados e dolorosos tempos que, como povos, vivemos neste início do terceiro milénio exigem bispos e presbíteros luz-do-mundo, sal-da-terra e sentinela-na-cidade, que acompanhem as populações com a lucidez e a sabedoria de Jesus século XXI, mas a verdade é que os bispos portugueses que temos não atam nem desatam. Comportam-se como “cães mudos”, semana após semana, mês após mês, ano após ano. Até que chegam aos 75 anos de idade e vêem-se obrigados pela Norma Canónica a passar à condição de bispos eméritos, uma espécie de mortos vivos, que nem memórias têm para escrever, como tão pouco tiveram vidas para viver. Apenas rituais, sempre os mesmos, a que presidiram, vida fora, e rezas, sempre as mesmas, que recitaram mais ou menos mecanicamente. O que faz deles os mais estéreis e os mais frustrados entre os nascidos de mulher-mãe que muitos deles, quando bispos, até escondem, nomeadamente, quando a deles é de condição humilde e iletrada. Que o Privilégio clerical-episcopal que todos aceitam carregar cega e mata neles o Humano..

Durante os muitos anos que já leva de vida na história, o papa Francisco, na sua condição de jesuíta, discípulo/filho de Inácio de Loyola, fez dezenas, centenas de Exercícios Espirituais, segundo a regra do seu fundador. Todo o seu ser-viver jesuítico veio, naturalmente, a desaguar no papado, o grau máximo de poder monárquico absoluto, hoje, em franco declínio na sociedade secular, devido ao sofisticado sistema mafioso e cientificamente organizado que dá pelo nome de Cúria romana, a mãe de todas as máfias do mundo, porventura, a mais perversa e a mais descriadora do Humano em todos os nascidos de mulher. Foi, no caso dele, ao que conduziram os tais Exercícios Espirituais, como a deixar bem claro que neles sopra um Vento/Espírito nos antípodas da Ruah/Sopro de Jesus. Só isso explica que ele seja hoje o papa de Roma, uma condição histórica de todo impensável em Jesus, o camponês-artesão, o filho de Maria, mas já em total conformidade com o cristianismo petrino-paulino-constantiniano.

Sem os Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola, os bispos portugueses socorreram-se, neste seu retiro de quaresma 2017, de um outro bispo, já emérito, que veio propositadamente de Espanha, a convite deles, de seu nome D. Juan María Uriarte. Cada um deles deixou o seu paço episcopal e rumaram todos a Fátima, a capital mais poderosa do comércio e do turismo religioso do país, quiçá do Ocidente, a fazer lembrar o templo de Jerusalém para onde, em cada páscoa anual, também confluíam muitos milhares de judeus a viver na diáspora e onde Jesus, na sua última semana de visibilidade histórica, entra e corre tudo e todos de lá para fora a chicote. Já então, o templo de Jerusalém era aos olhos de Jesus a máfia das máfias do judaísmo gerido pelos sumos-sacerdotes e legitimado pelos teólogos do sistema. Só que dele, no ano 70, com a invasão dos exércitos do império romano, não ficou pedra sobre pedra. Até aos dias de hoje. Outro tanto se diga dos sacerdotes que nele oficiavam, os mesmos que, em Abril do ano 30, exigem de Pilatos a morte crucificada de Jesus. Nem sequer o judaísmo quis mais desse tipo de funcionários do religioso, se bem que continue a não dispensar a sua Bíblia davídica e sacerdotal, o que perfaz uma insanável contradição. Porque ainda pior do que os sacerdotes é a ideologia-teologia que a Bíblia mandada escrever pela casa real de David e consumada com o aval dos sacerdotes continua aí a soprar nas filhas, nos filhos dos judeus mais ortodoxos, consequentemente, a fazer deles o que se sabe e hoje se vê, a coberto do estado de Israel..

Por aqui se vê que nem o papa Francisco, nem os bispos portugueses se mostram capazes, neste início do terceiro milénio, de criar espaços clandestinos de intimidade, de silêncio e de escuta, como os que Jesus Nazaré consegue encontrar e frequentar em seu tempo histórico no deserto, nas margens do mar da Galileia, no monte das Oliveiras, nas descidas aos infernos humanos a abarrotar de Ninguéns, onde garantidamente sopra a Ruah/Vento de Deus que nunca ninguém viu, porque é mais íntimo a nós e aos povos do que nós próprios e os povos. Dessem os bispos e o papa este passo qualitativo em frente, praticassem esta páscoa outra do religioso para o secular, do sagrado para o profano, do cristão para o humano e nunca mais as dioceses e a Cúria romana poderiam contar com eles. Seriam uma só carne com os povos, a partir dos últimos dos últimos. Passariam das hipócritas honrarias que hoje continuam a conhecer, aos desprezos das minorias dos privilégios. Saboreariam, em compensação, a fecundidade dos seus viveres de bispos humanos, grão de trigo que, caído na terra, morre e dá muito fruto.

É manifesto que com este tipo de retiros, onde o que se faz sentir é um sopro nos antípodas do de Jesus Século XXI, nem o papa nem os bispos nem os párocos chegam alguma vez a mudar de ser e de Deus. Pelo contrário, continuam aí gritantemente infantilizados, alienados dos quotidianos das populações e dos povos, meros funcionários especializados em missas e outros rituais sem dignidade, mais estorvo delas, deles do que presença maiêutica, por isso, os mais estéreis e infelizes entre os nascidos de mulher. Será que só mesmos eles é que ainda se não deram conta de que vão todos nus?!

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

2 comments

  1. Maria de sa

    Os bispos e os cardeais conservadores fazem guerras ao Papa Francisco ;quem n]ao sabe que o vaticano [e um ninho de cuspideiras_Quem n]ao sabe que querem a resignaç]ao do Papa_Quem n]ao sabe que no pontificado de Bento xvi havia missas sat}anicas nos confins subterraneos do Vaticano _Que n]ao sabe que D.Clemente [e um bispo intelectual e o resto passa ao lado ,excepto os col[egios privados _ Sa[iu um livro sobre a corrupç]ao do Vaticano ….vai ser um estoiro se n]ao lhe deitarem a m]ao como fizeram a Pascualina ,filha do Papa da 2^;segunda guerra e de uma freira do Vaticano …. Vlha nos Deus Maria

    Gostar

  2. José Maria

    O patriarca de Lisboa tem conta no Twitter:

    @patriarcalisboa

    O bispo de Bragança-Miranda também tem conta no Twitter:

    @djosecordeiro

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: