INDISCIPLINA por Luísa Lobão Moniz

A indisciplina não está sempre, e não é só, o passar uma rasteira ao colega que passa, não é só o estar sempre a cochichar com os colegas, não é só ser um pouco insolente com os professores e os funcionários. Não, não é um comportamento apenas “da” escojjla, se assim fosse já estaria solucionado.

A indisciplina começa em casa quando tanto faz comer à mesa com os pais ou no sofá para ver a televisão.

A indisciplina começa quando são crianças e gritam que querem ver os desenhos animados, não deixando os pais verem as notícias.

A indisciplina começa quando o comportamento dos pais não é consequente:  os pais dizem que não, mas dois minutos depois a criança já está sentada no chão a comer flocos, por vezes as crianças podem ir brincar, sem problema, mas outras vezes não, e nada lhes é explicado.

 A indisciplina começa a não ter limites e começam os castigos, por vezes de uma forma um pouco agressiva, por parte dos adultos que vêem a sua autoridade posta em causa.

Não há que discutir, quem manda é o adulto, custe o que custar. A desobediência é cada vez mais e os castigos são cada vez mais violentos fisicamente ou emocionalmente, passando muitas vezes por chantagens afectivas e culpabilizações.

A indisciplina é a principal causa de pequenas violências na escola que são de difícil contracção…

A indisciplina é tolerada na sociedade e nas famílias “ oh! Coitadinha ainda é pequenina, deixa lá…”

A indisciplina colide com a segurança afectiva e com a educação, mas muitas vezes é preciso uma certa dose de indisciplina, pois a autoridade tem a tendência de se tornar em autoritarismo e de falta de respeito pelo outro, é por vezes um caminho enevoado que pode levar ao domínio total do outro, com a “desculpa” de que é para o bem do outro.

Todos queremos ser donos dos nossos comportamentos, mas para que isso seja possível é preciso olhar à volta e ver que o caminho que eu faço entrecruza-se com o caminho do outro.

Onde começa e acaba a indisciplina?

Quando é que essa indisciplina está a fazer parte de um crescimento saudável, ou se está a limitar a um caminho que não tem paragens nem fim, a um caminho cheio de labirintos.

Gosto de labirintos quando os obstáculos nos fazem pensar se o caminho melhor é o mais fácil ou aquele que apresenta mais dificuldade…

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