ASSEMBLEIA GERAL (Ordinária) DO MONTEPIO GERAL-ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA REALIZADA NO COLISEU EM LISBOA NO DIA 30-3-2017 – INTERVENÇÃO FEITA POR EUGÉNIO ROSA NA ASSEMBLEIA

ASSEMBLEIA GERAL (Ordinária) DO MONTEPIO GERAL-ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA REALIZADA NO COLISEU EM LISBOA NO DIA 30-3-2017

 

Estiveram presentes 1.418 associados

 

INTERVENÇÃO FEITA POR EUGÉNIO ROSA NA ASSEMBLEIA

 

O Montepio enfrenta uma situação difícil. É necessário haver muita serenidade mas é também muito necessário falar com verdade aos associados. A cortina de mentiras que a administração tem envolvido a gestão do Montepio tem que ser afastada para se poder ficar a conhecer a verdadeira situação, pois só assim é que se poderá resolver os problemas.

Desde 2012, tenho alertado os associados para os atos de má gestão. Muitos, na altura, não acreditaram nos meus alertas, mas as consequências estão agora à vista para todos.

Tomás Correia tem procurado desvalorizar a importância das contas consolidadas com o objetivo de assim ocultar aos associados as consequências da sua gestão desastrosa. Chegou mesmo, com arrogância, recusar cumprir a lei que o obrigava a publicá-las durante mais de um ano, perante a passividade do supervisor que nada fez. E as contas consolidadas são fundamentais para os associados conhecerem a verdadeira situação do Montepio. Num grupo, como é o Montepio, com mais de 20 empresas, é fácil, tal como sucedeu, no BES/GES, fazer aparecer lucros numa empresa à custa de prejuízos em outras empresas. Só através da conta consolidada da MG- Associação Mutualista, como entidade-mãe, é que são anuladas estas transações entre as empresas do mesmo grupo e então a verdadeira situação da Associação Mutualista torna-se clara.

 

A SITUAÇÃO DA CAIXA ECONÓMICA- MONTEPIO GERAL DURANTE O TEMPO DA ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA SEGUNDO DADOS DOS RELATÓRIOS E CONTAS

 

A empresa mais importantes do Montepio, onde está a maior parcela dos fundos da Associação Mutualista e das poupanças dos associados (mais de 80%), é a Caixa Económica por isso a sua recuperação é fundamental para todos os associados, daí também o meu grande empenhamento em defendê-la e recuperá-la da má gestão de Tomás Correia pois ela constitui a principal fonte futura de excedentes para a Associação Mutualista poder dar mais benefícios aos associados.

Em 2011, a Associação Mutualista lançou uma OPA sobre o FINIBANCO tendo pago 341 milhões €, montante esse que depois se revelou ser bastante superior ao seu verdadeiro valor. Eu votei contra esta aquisição. Em 2012, a Associação Mutualista recapitalizou a Caixa Económica com 450 milhões €, e esta “comprou” depois o FINIBANCO à Associação Mutualista.

Esta absorção do FINIBANCO pela Caixa Económica- Montepio,  associada à gestão desastrosa da administração de Tomás Correia, querendo-a transformar num banco de empresas, e nomeadamente de grandes empresas, e ainda por cima em período de crise económica e de intervenção da “troika”, foi desastrosa para o Montepio.

Entre 2012 e 2015, com a administração de Tomás Correia segundo os Relatórios e Contas

  • A Caixa Económica registou 1.253 milhões € de imparidades pelo mau credito concedido, sendo as imparidades totais atingido 1600 milhões € se incluirmos os outros ativos
  • A Caixa Económica abateu (teve de abater) ao ativo do seu Balanço 1.074 milhões € de credito por se ter concluído que não seria recebido;
  • A Caixa Económica acumulou, neste período, 718 milhões € de prejuízos.

Para cobrir esta enorme destruição de valor, a Associação Mutualista teve de recapitalizar a Caixa Económica com 720 milhões €, para além dos 450 milhões € para a compra do FINIBANCO, e uma parcela – 350 milhões € – já se perderam devido aos prejuízos (imparidades). Como consequência desta gestão, o Banco de Portugal obrigou a transformação da Caixa Económica numa Sociedade Anonima (SA) o que abre a porta à sua privatização futura. De tudo isto a administração de Tomás Correia é responsável e a ele devem ser pedidas responsabilidades. É necessário que a culpa não morra solteira.

No fim 2015, a administração de Tomás Correia responsável por este ciclo de prejuízos foi afastada da administração da Caixa Económica e substituída por um novo conselho de administração, e por um conselho de supervisão que fiscaliza efetivamente o conselho de administração, o que não acontecia com o anterior onde a maioria era submissa a Tomás Correia e não era competente, daí também a razão (não a única)   dos elevados prejuízos.

Com a entrada em funções de uma nova administração e de um novo conselho de supervisão, a estratégia da Caixa Económica-Montepio Geral foi alterada, voltando ao seu ADN original (banco de credito à habitação, às famílias, às PME´s e às instituições da área social, e não às empresas e, nomeadamente, às grandes empresas como pretendia a administração de Tomás Correia).

Em 2016, como consequência desta nova estratégia, os prejuízos da Caixa Económica já foram cerca de 1/3 dos verificados em 2015, último ano da administração de Tomás Correia, e prevê-se que, em 2017, apresente já resultados positivos, mas só no fim de ano é que se terá a certeza pois a herança deixada pela anterior administração ainda pesa muito e o ambiente económico para o negócio bancário ainda é muito difícil e está ainda muito deprimido. Esta inversão na politica de gestão da Caixa Económica, portanto para uma gestão mais cautelosa e prudente, associada à segurança do Fundo de Garantia de Depósitos que, à semelhança do que acontece com qualquer banco, também se aplica à Caixa Económica, é que dá segurança aos associados e clientes.

 

A SITUAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA COM A ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA SEGUNDO DADOS DOS RELATÓRIOS E CONTAS CONSOLIDADAS

 

Nos três últimos anos (2013 -2015), que já foram divulgadas contas consolidadas (faltam as de 2016), a Associação Mutualista acumulou 754 milhões € de prejuízos.

Entre 2012 e 2015, os Capitais Próprios Totais, que é a diferença entre o ATIVO e o PASSIVO, da Associação Mutualista, diminuíram de 883,7 milhões € para apenas 29,9 milhões €, ou seja, perdeu-se 853,8 milhões €, o que é preocupante.

Se limitarmos a análise aquilo que apenas pertence à Associação Mutualista, a redução dos Capitais Próprios, no mesmo período, foi de 870,8 milhões € positivos para 107,5 milhões € negativos como informou a KPMG, que é a empresa auditora, o que é ainda mais preocupante

Contrariamente ao que afirmou alguma comunicação social a Associação Mutualista não estava falida no fim de 2015, pois nessa data o seu Ativo era ainda superior ao seu Passivo em 29,9 milhões €, o que estava era consideravelmente debilitada,

Quem sofreu com a má gestão de Tomás Correia foram os trabalhadores do Montepio que têm as suas remunerações congeladas desde 2010 e que continuam, que viram a idade de acesso à reforma aumentada, o regime de IHT alterado, etc., mas que foi aceite pelos sindicatos dos trabalhadores bancários; e os associados cujas poupanças têm tido rentabilidades quase nulas, e o Montepio que viu a confiança que gozava degradar-se. É importante que os trabalhadores e os associados não se esqueçam que tudo isto é também uma consequência da gestão de desastrosa de Tomás Correia e que não se deixem seduzir pelas suas palavras quando ele procura branquear e fazer esquecer tudo isto, e os mobiliza para as assembleias gerais ou nas eleições para defender a manutenção do seu poder e dos seus interesses. No entanto, é preciso dizer também que a atual conselho de administração não está a revelar sensibilidade para a situação dos trabalhadores, o  que é necessário corrigir, pois eles têm salários congelados desde 2010 que foram corroídos por aumentos de impostos e pela inflação.

 

É PRECISO QUE A ADMINISTRAÇÃO DE TOMÁS CORREIA SEJA AFASTADA DO MONTEPIO

 

Muitos associados têm-me perguntado se é possível recuperar a Associação Mutualista da enorme destruição de valor que sofreu e que provamos anteriormente? A minha resposta é afirmativa, mas não com a administração de Tomás Correia.

O atual presidente, pela destruição de valor e de confiança que já causou ao Montepio, pela sua cegueira e falta de competência que já deu provas, e pelo facto de ser já arguido em vários processos, NÃO É A PESSOA CAPAZ E ADEQUADA PARA INSPIRAR CONFIANÇA AOS ASSOCIADOS E PARA RECUPERAR O MONTEPIO.

Penso que seria um ato de dignidade da sua parte, ele próprio se demitir, e afastar -se do Montepio para poupar a este um maior desgaste e destruição de valor e confiança.

A QUESTÃO QUE COLOCO AOS ASSOCIADOS PARA REFLEXÃO É ESTA: Deve continuar como presidente do Montepio Geral- Associação Mutualista uma pessoa que tem já 4 processos levantados pelas autoridades, sendo UM deles por não ter acautelado devidamente os interesses da Caixa Económica e, consequentemente, dos associados, concedendo um elevado empréstimo ao BES/GES quando já era conhecida a sua situação e OUTRO, como os jornais noticiaram novamente hoje, e transcrevendo o que foi escrito um processo em que é suspeito de receber indevidamente 1,5 milhões de euros do empresário da construção civil José Guilherme” .

CABE AOS ASSOCIADOS, AOS SUPERVISORES E AO GOVERNO DECIDIREM. Mas o que é importante é que ninguém no futuro, incluindo supervisores, possa dizer que não sabia e que não foi alertado atempadamente. O Montepio está nas mãos dos associados. É minha convicção que se pode pedir  a destituição da atual administração com base nos  artº 56, 111, 112 e 113 do Decreto-Lei 72/90. (Código das Associações Mutualistas). E pode-se exigir isso à tutela ( Ministério do Trabalho) pois esta nos termos dos artº 111 e 114 do mesmo Decreto tem poderes para a obter.

 

Eugénio Rosa, Economista, candidato a presidente da Associação Mutualista pela Lista C nas últimas eleições do Montepio, pode enviar a sua opinião para  edr2@netcabo.pt

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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