
Emigrar é uma resposta individual, desesperada e violenta ante a incapacidade de dar solução a um problema coletivo, de enfrentar uma situação de opressão e frustração económica, ideológica, política, jurídica, social, nacional ou de classe.
Emigrar fisicamente é doloroso, não apenas porque comporta um deslocamento geográfico dos espaços, dos costumes, das presenças amigas e dos carinhos; é doloroso porque a vida se estira e se não rompe completamente.
Não deixam de ter-se duas residências, duas vidas, duas mentes, duas realidades, duas ocupações e preocupações, duas línguas até. Não se está plenamente onde se vive e também não se está realmente de onde viemos. Não se existe onde queremos, e onde vivemos se inexiste. A fantasia saudosa da origem transtorna a percepção do lugar de recepção como conflituosa.
Seria quem de encher páginas de sensações e impressões. Mas tanto tem e não é o caso. Trata-se apenas de oferecer contexto para dizer que, com a língua, me acontece sentir parecido.

Poderia dizer, em paralelo, que escrever em Português é uma resposta individual, desesperada e violenta ante a incapacidade de dar solução a um problema coletivo. Cada vez mais tenho a sensação de que muitos galegos, mais e mais, estamos a emigrar nela; procurando, nas margens permitidas dos mercados e espaços lusófonos, perseverar com imenso esforço e trabalho.
Dito isto, suponho que haverá, portanto, nas vindouras décadas que esperar alguma cousa de indianos, retornados e das associações que venham fazer estes emigrantes.


Que sabedoria tens…quantos nos sentimos comodos na leitura da tuas palavras vividas