Eu tenho realmente pena do Povo. E de mim, que naturalmente o sou, mesmo que estatisticamente não interesse como tal.
Porque o Povo é uma necessidade, o Povo é um substrato, ele é uma espécie de essência absolutamente essencial – perdoe-se-me a redundância – para os Filhos da Puta (assim mesmo, com letra grande) deste mundo em que vivemos e com o qual, eles (os Filhos da Puta) fazem o possível por conviver. Etimologicamente mas longe que seja, com devaneios, retórica e sintaxe organizada, estudada e subtilmente aplicada. Por professores, políticos, industriais, empresários, psicólogos e os demais filhos da puta possíveis, acessíveis e sempre prontos-pró-efeito.
Porque sem o Povo – e os seus medos e as suas imbecilidades, a sua ignorância operacional e o seu habitual e reconhecido desconhecimento histórico – é que elesnão iam lá. Ah, não iam, não. Foda-se, não. Não iam mesmo, puta que os pariu.
Eles – sinceramente – não se conseguiriam passear, organizar, programar, engendrar, pressupor ou efectivar todas as filhadaputices de que somos alvo, sem a aceitação, sem o agrément da plebe, da pobre plebe. De um desde sempre ou quase sempre.
Desde que o mundo é mundo, desde que deixámos de apascentar os dinossáurios e demais equivalentes e bondosos répteis.
Somos assim, como os carneiros e demais apascentantes criaturas, nada a fazer.