OS JOVENS E AS SUAS VULNERABILIDADES por Luísa Lobão Moniz

Esta geração nasceu com a crise, com as guerras, com o terrorismo, com famílias alargadas, com os cartões de crédito.

Nasceu com uma geração de pais que cresceu com a ditadura, com a mentira social sem contraditório, com a censura, com “a cabeça de casal”, com a luta contra o racismo, com movimentos que se expressavam nas ruas contra as guerras, uma geração que cresceu para conquistar o direito a estar vivo numa sociedade democrática.

Nesta sociedade começou a esbater-se a separação entre o público e o privado, o que em alguns casos é benéfico, como a violência no seio da família.

 Reconhece-se a existência da violência e das crianças maltratadas.

A geração actual vive mergulhada em tecnologia, quando nasceram já havia as redes sociais o que leva a uma situação interessante em termos das relações entre os jovens e os adultos. Estão muito mais bem preparados para andar pelo mundo. Têm mais acesso ao conhecimento, à escolaridade.

Se antes eram os pais que ensinavam tudo aos filhos, e só aquilo que achavam bem, agora são os filhos que ensinam as redes sociais aos pais.

Inconscientemente os pais vão sentindo que perderam a autoridade.

Estão em polos opostos, por isso, tentam gostar do mesmo que os filhos gostam, vestir como os filho, ser o melhor amigo do filho. Esquecem-se que os pais são pais e os filhos são filhos, não se podem misturar os papéis.

Os jovens precisam de sentir amor e segurança nos pais, precisam de sentir que pertencem a uma família com que podem partilhar conhecimento, dificuldades, ambições, comportamentos. Esta geração é mais frontal com os pais que se vão sentindo, por sua vez, cada vez mais incapazes de educar os filhos, sentem-se excluídos do mundo dos filhos…

Como é que a Baleia Azul entrou em casa e nem os filhos nem os pais falam disso. A tal frontalidade estalou, e quase que culpam os pais por não lhes terem dado a atenção que merecem, os pais são acusados e criticados também pela sociedade.

Aqui não há culpados, há acontecimentos que ultrapassam, hoje em dia, o tipo de educação que os pais souberam ou puderam dar aos filhos.

Não se pode guardar, em gavetas diferentes, as diferentes gerações, nenhuma delas existiria sem a outra, cada uma tem a sua responsabilidade.

As redes sociais estão aqui, à “minha” frente, para me ensinar a viver.

As compras fazem-se pela net, não vão ao cinema porque “tiram” tudo na net. Não têm os amigos em casa, mas sim nas redes sociais.

Enquanto a sociedade não ensinar aos jovens que os problemas se resolvem com os amigos reais, enquanto as gerações crescerem sem sentido crítico e sem partilhar com os outros as suas ansiedades e medos, as baleias podem ser de qualquer cor porque os jovens estão muito vulneráveis e ninguém dá por isso.

One comment

  1. Maria de sa

    …..” as baleias podem ser de qualquer cor porque os jovens estão muito vulneráveis e ninguém dá por isso.”-apoiado.

    Maria

    Gostar

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