NO ENCERRAMENTO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS FRANCESAS – a crónica de JÚLIO MARQUES MOTA

Cai o pano. O Espectáculo acabou e a França claramente nada ganhou. O que se segue? Macron irá chez Castel, chez la Rotonde, chez Fouquet, irá ao mesmo restaurante que François Hollande em 2012, talvez, festejar a sua vitória. A sua vitória, dizemos bem, não a da França, porque esta nada ganhou. Macron terá pois por onde escolher para se festejar. Como se sentirão as pessoas dos diversos quadrantes que o acompanharão?

Numa antevisão do que se poderá passar até ao dia seguinte em que se irá confirmar que tudo fica na mesma , vejamos o que nos disse Will Denayer, imediatamente a seguir aos resultados da primeira volta:

“quando Macron seja bem sucedido, dentro de duas semanas, todos respiraremos de alívio: a democracia e as nossas instituições terão prevalecido e ‘toda a gente’ ficará contente. Sim, toda a gente. “Viva,” dirão os liberais, “Macron é um verdadeiro liberal, como nós. Que se lixe a regulação social”. “Viva,” dirão os conservadores “Eis um falso esquerdista, alguém que verdadeiramente compreende os negócios. Ele servir-nos-á bem!” “Viva,” dirão os social-democratas, “Ele é um dos nossos – de qualquer modo já esquecemos quem somos, mas isto é precisamente o que queremos: um neoliberal social-democrata promovendo a oligarquia da UE”. “Viva,” dirão os Verdes, “não teremos Le Pen e Macron não é um político tradicional” (o que quer que isso possa significar). “Viva” dirá o capital, “agora poderemos continuar a ter os cortes nos impostos e outras dádivas e que se lixe toda esta conversa sobre investimento, criação de emprego, reforma da governação económica da UE, diálogo social, sindicatos, benefícios sociais e pensões”. Eles já estão a dizer isto – reparem como o mercado bolsista reagiu ao resultado eleitoral: com euforia. “Viva,” diz a oligarquia da UE, “Ele é um dos nossos, construirá um eixo franco-alemão de baixos salários, os ricos ficarão mais ricos e os restantes viverão com o que sobrar da Europa. Não temos culpa de que fique a parecer como a Albânia, e para além do mais não queremos saber disso”. “Viva,” diz a extrema direita, sim, perdemos esta vez, mas deixem que aumentem as disfunções e um dia encontraremos um fascista melhor e o poder virá ter às nossas mãos”.

O incómodo passou, Macron ganhou, eis pois o grito dos bem-pensantes da França e de toda a Europa. Acusam a Le Pen de ter andado a meter medo aos franceses e aos europeus, acusam-na, mas não deixam eles de meter medo que se não votarem em Macron vem aí o caos, a queda do Euro, a destruição da Europa, e, quem sabe, a guerra. Curiosamente, a metodologia seguida para querer que Passos Coelho ganhasse, que Cameron ganhasse com o Brexit, que Macron ganhasse, a metodologia foi exatamente a mesma, os problemas do país colocados à margem e ao mesmo tempo a diabolização do adversário, tomado este como sendo o mal do país. O debate Macron-Le Pen foi igualmente isso que mostrou. Invetivas sobre invetivas enquanto dos problemas profundos da França profunda e não só, esses ficam por baixo da tapeçaria sobre a qual se realizou o duelo, com fiscais que exigiam que a luta ficasse condicionada à estreiteza da tapeçaria para o efeito tecida pela fábrica de Macron.

Adicionalmente, têm-se uns apoios internacionais, como querendo significar que a política do candidato oficial da mundialização tem o apoio do mundo e, portanto, esta política tem de estar certa, tem de ser ela a ser validada nas urnas, não se precisando sequer de saber o que é que ela representa.

Fico com uma certeza, a de que a luta final se vai desenrolar em duas etapas, sendo a primeira em Junho próximo com as legislativas, e o segunda em 2022, com as próximas presidenciais. Um novo vizir virá tentar derrubar o vizir vencedor de agora, disso estamos seguros,, e os dois serão os mesmos que se disputaram hoje, 7 de Maio de 2017. Com uma ressalva: será assim, a não ser que a esquerda desperte do sono de longa duração com que o neoliberalismo a adormeceu e decida, de uma vez por todas, passar, de facto, a ser esquerda e não a enorme manta em que o neoliberalismo se embrulhou e com isso a vida de todos estragou .

Escrevi uma crónica dedicada a uma antiga aluna minha e aos excluídos da globalização feliz. Recebi, por via direta muitos emails alguns deles de profunda discordância quanto à dura afirmação de que em França eu poderia votar Le Pen. Todas essas respostas, algumas delas longas, a merecerem um tratamento global que deixarei para mais tarde, mas uma ou outra levou a editar, de imediato uma outra série de textos em que se procura ir para além do real que nos é oferecido pelos media, para se entender o que está base desta eleição e lhe dá vida, para se procurar as linhas de força que farão esta noite de Macron, o ectoplasma, o novo Presidente da República de França, um país que é a quarta ou quinta potência mundial. No fundo procuremos tornar claro o que significa esta situação dramática de dois candidatos sem nível e sem horizontes para um país que tanto precisa deles, o que significa ter de votar num deles sem sequer discutir o porquê, porque o porquê é oferecido a cada eleitor pelo ódio a que ficou condicionado pelos media, pelo medo, o que significa ou poderia significar por exemplo não votar em nenhum deles, mas votar, votar massivamente em branco.

Num dos textos recebidos dizia-se:

“A mentira repetida e as intervenções palavrosas da Madame conseguindo recordar -me a técnica de alguns políticos da nossa praça, interrompendo o outro e invadindo o espaço e o tempo com palavriado inútil e repetitivo. Conseguindo impedir o discurso coerente do outro e afastando o público destes debates, porque são maçadores e ” não percebo nada”.

Macron falou, expôe e desenvolveu programas a pôr à prova. E foi acutilante denunciando o parasitismo dos que vivem do medo e da mentira. À semelhança de várias situações a política mundial.

E agora, há mais dúvidas para votar contra Le Pen?”

Macron vai ganhar. Mas este resultado era já esperado, porque a decisão de hoje feita pelo povo francês foi calculada a regra e esquadro no momento em que Macron é levado a ser o candidato da globalização porque, como diz Anicet Le Pors, “Macron é o produto político dos esforços combinados da oligarquia financeira, do MEDEF, do governo Hollande, da Tecnoestrutura administrativa, dos oportunistas de todos os matizes, das estrelas da notoriedade de intelectualidade sempre ansiosa, de todos os meios de comunicação; em suma, de todos aqueles que desempenharam um papel na atual situação desastrosa e têm favorecido ou explorado a forte ascensão da Frente Nacional. E isto no contexto de uma deterioração social profunda, de uma a comunidade de cidadãos e cidadãs desorientados, em clara perda de referências.”

Sendo assim, contrariamente a quem me mandou este texto, não estou nada certo de que seria capaz de votar Macron. Ou seja, nada é certo. Mas inversamente se o texto me dissesse que não há duvidas em que se deve votar Le Pen eu também não estaria nada certo. Nada certo, portanto, nem num caso nem no outro, o que significa que deveria votar em branco.

Do meu ponto de vista, votar em Macron ou em Le Pen é indiferente, mas já não é indiferente a forma como o apoio está a ser dado a Macron. E isto, por uma simples razão: assim esconde-se, mais uma vez, quais as razões que levaram a esta situação, que foi basicamente a política neoliberal que vem sendo seguida desde 1983, a relembrar, já agora, o livro de Orwell. Diaboliza-se o adversário até à exaustão, e nele se cristaliza a origem de todos os males. Por esta forma, os verdadeiros problemas do país, históricos ou provocados pelas políticas neoliberais destes últimos 30 anos, ficam colateralizados, se é que não ficam mesmo silenciados. Se assim não é, como é que o texto acima me pode falar , como fala a citação do meu amigo acima, de discurso coerente de Macron?

No limite, esta prática política irá levar a que até o Partido Socialista se irá reduzir à insignificância, com os seus quadros neoliberais, praticamente todos, a passarem-se para o En Marche! e temos realizado o sonho de Manuel Valls. Creio mesmo que o próprio nome En Marche não é por acaso, uma vez que se quer dar a ideia de morte da esquerda, de que desta morte resulta movimento, inovação, resulta seguir em frente, contra os seus adversários, os conservadores, exatamente na linha de Manuel Valls, embora neste caso, para se ter mais efeito, o adversário a abater seja apelidado não de conservador mas de fascista. Não é por acaso que Manuel Valls, em França, e Matteo Renzi, na Itália, recusam os termos direita e esquerda e preferem antes falam em inovadores e conservadores.

Mas, perdoem-me, aceitarem uma acusação de fascista a Marine Le Pen, vinda esta dos homens que governaram ou governam no quinquénio de Hollande é um absurdo, porque um governo neoliberal puro e duro como foi o de Hollande não é mais do que uma versão branda de fascismo. Leia-se a este respeito um excerto de um texto assinado por Manuela Cadelli, Presidente da Associação Sindical dos Magistrados de Bélgica:

“O tempo das precauções oratórias acabou; convém nomear as coisas pelos seus nomes para permitir a preparação de uma reação concertada democrática, particularmente no âmbito de serviços públicos.

O Liberalismo era uma doutrina deduzida a partir da filosofia das Luzes, simultaneamente política e económica que visava impor ao Estado a distância necessária para o respeito das liberdades e para permitir o aparecimento de emancipações democráticas. O liberalismo foi pois o motor do aparecimento e do progresso das democracias ocidentais.

O Neoliberalismo é este economicismo total, que afeta todas as esferas das nossas sociedades e em cada momento do nosso tempo. É um extremismo.

O fascismo define-se como a subjugação de todas as componentes do Estado a uma ideologia totalitária e niilista.

Considero que o neoliberalismo é um fascismo porque a economia tem subjugado completamente os governos dos países democráticos mas não só, também tem subjugado cada uma das parcelas da nossa reflexão. O Estado está agora ao serviço da economia e da finança que o trata como totalmente subordinado e o controlam até ao ponto de pôr em perigo o bem comum.

A austeridade pretendida pelos meios financeiros tornou-se um valor superior que substitui a política. O fazer poupanças evita a continuação de qualquer outro objetivo público. O princípio da ortodoxia orçamental vai até ao ponto de se pretender que seja inscrito na Constituição dos Estados. A noção de serviço público é ridiculizada.

O niilismo que daqui emerge permite anular o universalismo e os valores humanísticos mais evidentes s: solidariedade, fraternidade, integração e respeito por todos e pelas diferenças. Até mesmo a teoria econômica clássica é já algo que está a mais: o trabalho, outrora um elemento da procura e os trabalhadores eram respeitados nesta medida; a finança internacional fez do trabalho apenas uma simples variável de ajustamento.“

Ora Macron é o homem da alta finança, ninguém duvida. Portanto não sabemos muito bem a diferença entre a Marine tomada como uma fascista mole (eu não estou a dizer nada quanto a ela) e Macron um defensor e também corresponsável pelas políticas da Troika defendidas e aplicadas durante estes últimos anos, a mando da alta finança.

Ainda aqui recorro a Anicet Le Pors quando nos diz:

“Embora seja evidente que não podemos votar pela política de filiação autoritária, xenófoba e nacionalista de Marine Le Pen, o perigo da política conduzida por Emmanuel Macron constitui uma outra temível ameaça para o progresso social e democracia.”

O problema a ser levantado está algures, está no modelo económico, social e político que levou os franceses a esta situação. Não se combatem as Le Pen diabolizando-as, mas sim combatendo as políticas que as geram, e estas políticas em França, vêm desde Mitterrand, vêm desde 1983 com a sua brutal viragem neoliberal, onde contaram com um forte apoio dos intelectuais de então, assim como dos principais media entre os quais se contam Le Monde, Libération, l’OBS e diversos canais televisivos. Esta traição e a sua cobertura mediática estão bem patentes num vídeo onde Yves Montand, aspirando vir a ser o Regan francês, deu vida a um documentário intitulado VIVE LA CRISE, cujo script terá sido escrito por gente do Le Monde, do Libération, de OBS.

Links para entender o que é afinal o programa Vive la Crise:

https://www.youtube.com/watch?v=i0d975vtTys

https://www.youtube.com/watch?v=zFZafZ0JqFU&list=PLKJEZFA7jMYNRquJ5OoXWO-bkA7SU-1LZ

https://www.youtube.com/watch?v=Tl0Rzii4CCw

Queremos pois editar alguns textos sobre a diabolização em curso que terá o seu desenlace neste domingo à noite. Porém para se tornar mais claro a brutal manipulação que tem sido praticada e para que a complexidade da realidade de hoje e destas eleições seja mais facilmente acessível, julgamos conveniente ir um pouco atrás, a 2002, às eleições entre Le Pen e Chirac, de que as eleições de agora são um remake ainda mais repugnante e como também já aqui é necessário explicar a razão de ser da força da Frente Nacional, viremos até 1983, a relembrar Orwell de 1984, a relembrar os anos de cão do mandato de Mitterrand.

Teremos pois textos sobre 1983, 2002 e depois uma série de textos sobre as atuais eleições, que é fastidioso estar aqui a discriminar.

Deixo-vos apenas dois excertos, ambos de textos de Serge July, diretor do Libération, um a explicar a importância de Le Pen em 1983 e um segundo a explicar os objetivos da grande viragem neoliberal que se iria desencadear com Mitterrand. No fundo todo um programa que nestes trinta anos foi levado a rigor, sobretudo depois de 2010, e os milhões de europeus deslocados ou desempregados são exatamente um dos seus reflexos. Um outro é a força política alcançada pela Frente Nacional e que as próximas legislativas irão fazer dela a primeira força política de França, o país da Revolução Francesa e da Convenção dos Direitos do Homem. Adicionalmente, neste dia de profunda tristeza para a Democracia deixe-vos um poema: o regresso dos Bárbaros de Constantin Cavafy.

Le Pen e Serge July do Libération em 1983:

“O risco de um demasiado longo eclipse permitiu medir de novo a importância do seu papel. Jean-Marie Le Pen tornou-se estranhamente indispensável ao bom funcionamento da democracia francesa.”

(…)

“Jean-Marie Le Pen encarna como pessoa um populismo autoritário e racista. Sem ele, estar-se-ia reduzido aos livros de história, para se ter uma ideia do caráter trágico das suas teses. Certamente os livros permanecem indispensáveis, mas não rivalizam com a demonstração diária que dá Jean-Marie Le Pen da história do racismo e do autoritarismo. Os seus discursos permanecem como o melhor dos cursos de instrução cívica. Graças a ele, é possível, em reação, formar gerações atentas ao que representam os seus deslizes semânticos, de reavivar as lembranças, de reanimar os valores democráticos que, por falta de ameaças, estariam em parte adormecidos.”

(…)

“Jean-Marie Le Pen tem outra virtude paradoxal: como o seu partido próspera sobre a desertificação e sobre os desequilíbrios territoriais, sobre as múltiplas fraturas e violências sociais, ele força os partidos democráticos a estarem obrigados a obterem resultados. Estes não podem demitir-se e abandonarem de forma definitivos segmentos inteiros da sociedade. A ameaça que ele deixa pairar, o militantismo gelado dos seus militantes, tudo isto força à obtenção de compromissos diários para tentar melhorar, se não resolver, a equação do subdesenvolvimento social sobre a qual orgulhosamente finge estar apoiado. Jean-Marie Le Pen é um fermento da vida associativa e da militância social. Por último Jean-Marie Le Pen tem incontestavelmente uma função profilática”.

(…)

“A corrosão lepenista não está inativa e sua ameaça está sempre latente. Preferiríamos não precisar de utilizar este meio mas a realidade, sendo o que é, leva a que seja necessário continuar a manter preciosamente Le Pen. Mesmo se isto é contra a sua vontade, o certo é que ele presta verdadeiramente muitos serviços à democracia.”

Bem esclarecidos quanto à função de Le Pen afinal. O objeto da diabolização na altura, tal como em 2002, tal como em 2017, com a diferença que em 1983 a Frente Nacional valia menos de 1%.

Segundo texto de Serge July sobre a orientação da política neoliberal:

O texto de Serge July aprofunda o registo da austeridade de que os media faziam a defesa: “nunca mais será como dantes”, “a palavra de ordem já não é “mudar a vida mas mudar de vida”, “não há nenhum médico milagroso” em face dos riscos de “subdesenvolvimento”. E continua: ” é necessário transformar os sujeitos passivos em sujeitos ativos, é necessário fazer dos cidadãos assistidos, cidadãos empreendedores. (…) Quais são os símbolos do que é conhecido como Estado-Providência? Segurança social, abonos de família, subsídio de desemprego, segurança de se ter uma pensão de reforma… Os povos ocidentais viveram numa espécie de oásis social (ouate) desde há vinte anos.»

Depois, July, apela a “uma grande revolução cultural ocidental”, esperando com ela dar «a cada um de nós o desejo de mudar de vida, ou seja, ao longo da vida mudar várias vezes de profissão, de morada, possivelmente até ao país de residência e, como resultado de cultura, amigos e de parceiro conjugal, mantendo-nos iguais a nós mesmos.»

Nem a Troika se atrevia a escrever este texto, mas isto lembra-nos as almofadas de conforto de que falava Passos Coelho! Tão longe e tão perto afinal.

III Texto Poema de Constantin Cavafy.

 O regresso dos Bárbaros

  1. EN ATTENDANT LES BARBARES…

 

Né(e) à : Alexandrie , le 29/04/1863

Mort(e) à : Alexandrie , le 29/04/1933

Biographie :

Constantin Cavafy ou Cavafis (connu également comme Konstantin ou Konstantinos Petrou Kavafis, ou Kavaphes) est un poète grec.

 

Qu’attendons nous, massés sur la place publique?

C’est que les Barbares seront là dans la journée.

Pourquoi semblable apathie au Sénat ?

Pourquoi les Sénateurs restent-ils sans légiférer?

Parce que les Barbares seront là dans la journée.

Quelles lois feraient désormais les Sénateurs?

Les Barbares, une fois là, feront les lois.

Pourquoi notre Empereur s’est il levé si tôt

Et pourquoi siège-t-il devant la Porte Haute

En majesté, couronne en tête, sur son trône?

Parce que les Barbares seront là dans la journée.

Et l’empereur s’apprête à recevoir leur chef.

Il a même préparé un parchemin à lui remettre

Maint titre et mainte dignité y sont portés.

Pourquoi nos deux Consuls et nos Prêteurs arborent t ils

Aujourd’hui leurs rouges toges brodées?

Pourquoi mettre ces bracelets rehaussés de tant d’améthystes

Et ces bagues où flambent des émeraudes polies?

Parce que les Barbares seront là dans la journée.

Et pareilles choses éblouissent les Barbares.

Pourquoi nos dignes Rhéteurs ne viennent ils pas débiter leurs discours

Comme de coutume et dire leur mot?

Parce que les Barbares seront là dans la journée.

Et ils sont fatigués des belles phrases et des harangues.

Pourquoi cette inquiétude tout d’un coup?

Et cet émoi?

Comme les visages sont graves!

Pourquoi les rues, les places se vident elles si vite?

Pourquoi chacun rentre-t-il chez lui la mine soucieuse?

Parce que le jour s’achève

Et que les Barbares ne sont pas venus .

Et certains qui arrivent des frontières

Assurent qu’il n’y a plus de Barbares.

A présent qu’allons nous devenir sans Barbares?

Ces gens-là, c’était une espèce de solution…

 

Coimbra, 7 de Maio de 2017

 

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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