
O aproximar-se do verão tem acentuado o mal-estar geral perante fluxos turísticos cada vez menos sustentáveis e, ao mesmo tempo, considerados indispensáveis para a sobrevivência económica de Veneza. Neste paradoxo, o suposto remédio parece antes um sorrateiro veneno que vai matando a cidade. E falar de Veneza hoje é falar de Lisboa, ou do Porto, que parecem ter enveredado por um caminho muito parecido.
Veneza está a perder 5-6 habitantes “residentes” por dia, sendo que a descida da população acelerou de forma considerável nos últimos meses e já está mais perto das 54.000 do que das 55.000 unidades. Um dos fenómenos relacionados com este dado é a progressiva transformação do centro histórico numa rede capilar de estruturas recetivas de variados géneros, do hotel de luxo ao alojamento bed&breakfast caseiro. O impacto de fenómenos como o Airbnb pode ser apreciado nesta imagem, que ilustra a oferta deste serviço em Veneza, mas que, por exemplo, não inclui outras situações como os apartamentos alugados com contratos turísticos:

