De uma crise a outra, dos anos de Mitterrand aos anos de Hollande, da tragédia de outrora à farsa de agora. 4ª Parte: Os tempos do declínio de Hollande, os da farsa, os da transmissão do poder. Texto 4.8 – Frente Republicana: inventário antes da liquidação, por Oudy Ch. Bloch

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

4ª Parte: Os tempos do declínio de Hollande, os da farsa, os da transmissão do poder

 

Texto 4. 8 – Frente Republicana: inventário antes da liquidação. 

Provavelmente será a última vez que vai funcionar

 Por Oudy Ch. Bloch, advogado. Publicado por Revista Causeur em 2 de maio de 2017

De uma crise a outra 4 Parte texto 4_8 imagem 1

Manifestação contra a Frente Nacional em Paris, em maio de 2017. SIPA. AP22046902_000045

Eu lembro-me das procissões de abril de 2002 e dos longos cortejos de manifestantes gritando o seu medo de verem a França governada pela Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen. De 4,8 milhões de eleitores em 2002, a Frente nacional passou a 7,6 milhões de eleitores em 23 de abril de 2017. Quase 3 milhões de eleitores mais em 15 anos. Porquê?

 

Porque Marine Le Pen “desdiabolizou” a Frente Nacional e a transformou em movimento Azul marinho? Porque ela se rodeou de uma jovem guarda de altos funcionários que não foram educados nos cânticos das Waffen-SS publicados pela SERP, a referência criada pelo seu pai em 1963? Talvez, mas não só.

Desde 2002, nada foi feito

É sobretudo porque aqueles que, em abril de 2002, exigiam e obtiveram a aplicação de um cordão sanitário em torno da Frente Nacional nada fizeram desde então para satisfazer as expectativas dos eleitores da Frente Nacional. Seja em termos de imigração, de luta contra o desemprego ou de luta contra a pobreza. Em janeiro de 2012, François Hollande tinha avisado: o seu “verdadeiro adversário é o mundo das finanças.” Traídos, os empregados dos altos-fornos em Florange, Schneider Electric e Whirlpool fizeram crescer, em parte, o eleitorado de Marine Le Pen.

Entre 2000 e 2002, Lionel Jospin tinha lamentavelmente fechado os olhos à insegurança, oferecendo um balanço pobre e uma comunicação catastrófica. Desde há alguns anos, a esquerda no poder recai nos mesmos erros, com a diferença agora que a situação piorou significativamente em França. Realizaram-se manifestações em que os manifestantes gritaram “Morte aos judeus“, foram atacadas sinagogas assim como delegações da polícia, foram incendiados carros de polícia, agredidos polícias. Os infratores deveriam ter sido penalizados severamente.

Entre 2015 e 2017, os ataques islâmicos fizeram 237 mortos e centenas de feridos em França. O mais recente matou um polícia, assassinado com uma Kalashnikov em pleno Paris. Em vez de tranquilizar os franceses com um discurso forte e pôr em prática as medidas adequadas, os nossos dirigentes e os meios de comunicação têm recitado em coro e até à náusea as suas frases feitas favoritas, como, por exemplo, “nada de amálgama” e o “viver juntos”. Eles ainda não entenderam que, pelo contrário, ao recusarem-se a indicar claramente o nome do inimigo, por medo de “estigmatização” e de poderem ser considerados islamófobos, estão na verdade a contribuir para amalgamar uma parte da população francesa com a peste islâmica.

Marine Le Pen, um perigo contra o qual não se sabe lutar

A temática de segurança esteve quase ausente da campanha presidencial que se concentrou, com desprezo da presunção de inocência, sobre as torpezas de uns e de outros que mantêm assim, uns e outros, o sentimento do “todos são podres”, o que faz subir a extrema-direita. Esta mesma extrema-direita que não sofre das consequências das suas próprias negociatas dado que é “o sistema” que, na sua opinião, cria essas negociatas, peça a peça.

E eis-nos pois onde estamos. A agitar o espectro do caos para tentar, de novo, fazer barragem à Frente Nacional.

E é efetivamente uma necessidade, porque Marine Le Pen é um perigo.

Um perigo para a ideologia que alguns dos seus próximos veiculam. Quem pode acreditar, com efeito, que ignorava os propósitos de Jean-François Jalkh? Quem pode acreditar que a exclusão do seu pai do partido se resume a uma simples ação de cosmética quando os seus mais próximos colaboradores Chatillon – amigo de longa data de Soral e Mbala Mbala – e Loustau – admirador no seu tempo do nazi belga Léon Degrelle – continuam a rodeá-la?

Votar Macron, mesmo que por desprezo

Um perigo por causa do seu programa económico. A saída do euro, ligada à alta das despesas públicas e às medidas de protecionismo económico, teriam um impacto devastador na nossa economia.

E é um facto, opor-se eficazmente implica votar em Emmanuel Macron, nem que seja por um profundo desprezo.

Mas ele não deverá acreditar que esta nova “Frente Republicana” é um cheque em branco que lhe é dado. Vários dos seus apoiantes ativos e membros de En Marche! mostraram ser igualmente pró-União das Organizações Islâmicas da França (UOIF) e do Coletivo contra a islamofobia na França (CCIF), próximos dos Irmãos Muçulmanos os quais defendem a chária, o estabelecimento um califado global e a jihad. As suas posições sobre esta perigosa infiltração político-religiosa serão vistas à lupa, em particular no contexto das candidaturas para as próximas eleições legislativas.

Macron deve lembrar-se do que Francois Hollande se esqueceu após a sua eleição. Isto porque não é tanto por Macron que muitos franceses vão votar em 7 de Maio, é contra Marine Le Pen.

É preciso que ele não se esqueça, porque em 2022, este artifício não irá funcionar.

Oudy Ch. Bloch, Revista Causeur, Front républicain: inventaire avant liquidation- Sans doute la dernière fois que ça marche. Texto disponível em :

https://www.causeur.fr/front-republicain-manifestations-macron-fn-44094.html

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