Qual foi o português que gostou de ouvir os alemães dizerem que somos todos preguiçosos e que queremos viver à custa dos países europeus mais ricos?
Qual foi o português que não reagiu com indignação quando um deputado europeu se referiu aos portugueses, homens, como sendo pessoas de hábitos estranhos – bebidas e mulheres?
Qual foi o português que não se indignou quando se soube que no Luxemburgo as crianças portuguesas são os alunos com mais dificuldades e mais insucesso?
Recordo os bairros de lata, nas periferias de Paris nos anos 60, eram bairros com lama a fazer de rua, os telhados eram de zinco. Aqui viviam os portugueses que emigraram para França à procura de uma vida melhor. Tiveram os empregos que os franceses já não queriam, foram maltratados psicológica e fisicamente. Falavam sempre em português, a sua Língua Materna.
Os europeus do norte e do centro têm medo dos portugueses, quando os portugueses representam uma minoria da população?
Os portugueses sabem como foram e são (Venezuela) maltratados quando são uma minoria.
O poder, os preconceitos nascem em quem manda, as maiorias podem infringir as leis que quiserem.
Tudo isto me faz lembrar algumas minorias que vivem em Portugal , ou melhor, os portugueses que são ciganos.
As relações culturais não se fazem com atitudes e declarações xenófobas, fazem-se com o reconhecimento dos outros com as especificidades das suas tradições.
É fácil? Não, não é nada fácil, mas é possível como já tem sido demonstrado através de projectos para a inclusão em escolas, em bairros, em comunidades multiculturais.
É frequente dizer-se que se tem medo dos ciganos e porquê?
Porque se tem medo do desconhecido, do diferente, porque se é inseguro.
Porque não se diz que os não ciganos são culturalmente analfabetos para poderem ter ao seu lado alguém que nasce, vive e morre como qualquer um, mas com um rir e um chorar diferente.