SINAIS DE FOGO – LIVRE E INSUBMISSO – por Soares Novais

 

Há um miúdo que acaba de entrar na história da Universidade do Minho (UM): Pedro Cruz. Por via da média de 19,88  valores com que garantiu o acesso. Pedro foi o aluno com a nota mais alta a entrar este ano na UMinho. Isso diferencia-o. Também o curso que escolheu – História – o diferencia dos restantes 2720 caloiros da UMinho. “Segui o coração em vez do dinheiro”, diz este jovem natural de Armamar.

A história de Pedro Cruz, que me foi dada a conhecer pelo JN na sua edição do dia 19, é um acto de insubmissão. A modas e a pressões. E merece ficar registada em suporte de papel e em suporte digital.

“Senti muitas pressões para escolher um curso que, diziam-me, tivesse mais saída. Mas eu estou a realizar um sonho”, disse Pedro Cruz à jornalista que em boa hora o entrevistou. Acrescentando de seguida: “Até parece que a História não é uma área digna.”

As pressões para que Pedro fizesse outra escolha apontavam-lhe a frequência de Medicina, Engenharia ou Direito. Os tais cursos que lhe diziam ter mais saída. Mas, com o apoio da mãe e do professor de História, Pedro resistiu e decidiu o seu futuro. Agradeço-lhe a alegria que me dá e a comoção que me provoca.

Pedro, que desde o 10º ano teve média de 20 valores a todas as disciplinas, seria um brilhante médico, engenheiro ou advogado. Seguramente. Mas não: ele escolheu um curso cuja média de acesso é de 13 valores.

“Perante o choque de muita gente, decidi escolher o que realmente gosto… Segui o coração”, diz Pedro que quer fazer Erasmus e o seu doutoramente numa universidade estrangeira. Depois quer regressar a Portugal e dedicar-se à investigação.

Num país e num mundo recheado de pequenos filhos da puta que aspiram a ser grandes filhos da puta, onde o parecer vale mais que o ser, este jovem caloiro da UMinho dá um violento murro nos preconceitos e nas verdades estabelecidas. Apresenta-se livre e insubmisso. Aponta-nos o caminho e diz-nos que outro mundo é possível.

Afinal, como disse Sebastião da Gama, “Pelo sonho é que vamos,/comovidos e mudos./Chegamos? Não chegamos?/Haja ou não haja frutos,!pelo sonho é que vamos./Basta a fé que temos./Basta a esperança naquilo/que talvez não teremos./Basta que a alma demos,/com a mesma alegria,/ao que desconhecemos/e ao que é do dia a dia./Chegamos?/Não chegamos?/ – Partimos. Vamos. Somos.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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