EDITORIAL – HOJE É DIA 5 DE OUTUBRO

Faz hoje 107 anos que a República foi proclamada. Há pouco ouvíamos um senhor na televisão a dizer que, como já se passaram muitos anos, já não faz sentido pensar que se possa voltar atrás em Portugal. Julgamos que a maioria dos portugueses partilha da opinião dele. Cícero (106-43 AC)  dizia que a existência da república requeria três componentes: um grande número de pessoas (multidão), uma comunidade de interesses e um consenso de direito. Já lá vão muitos anos. Não será abuso nem imodéstia nossa preferir dizer que a república requer a existência de uma nação, e a implantação da democracia. Talvez seja por isso que alguém, julgamos que Jorge Miranda, considera que só depois do 25 de Abril de 1974, a república tem estado realmente implantada em Portugal.

A nação portuguesa foi ao longo da sua história abalada por diversos conflitos e crises, políticos e de outra natureza. Vamos neste momento referir apenas as vagas de emigração que periodicamente afectam Portugal. O seu volume e a regularidade com que se repetem, desde há séculos, fazem com que constituam um dos principais factores da instabilidade nacional. É de assinalar que, actualmente, o número de portugueses que vive no estrangeiro excede um quinto da nossa população total. E que esses portugueses quando saíram eram jovens e saudáveis. Os que integraram a última vaga dispunham já de um nível elevado de preparação, na sua maioria, preparação essa adquirida ainda no nosso país. Esta propensão à emigração deriva obviamente da desigualdade social e económica do nosso país, que está sem dúvida também subjacente a outros flagelos, como o desemprego e a crise bancária. A desigualdade social e económica é sem dúvida o maior perigo para a república, pois inevitavelmente tem reflexos na política.

Tendo o feriado de 5 de Outubro sido incompreensivelmente sido suprimido durante alguns anos, pelo governo Passos/Portas, foi oportunamente reposto durante a evolução política mais recente. Questões essenciais  como o repovoamento do interior, o ordenamento da floresta, o combate à precariedade, a defesa e reforço dos serviços públicos, o urgentíssimo combate às alterações climáticas, e o desenvolvimento sustentado requerem todo o empenho nacional. Até porque para se conseguir ter progresso nesses campos, vamos ter de inevitavelmente enfrentar os diktats da União Europeia, e as prepotências do vizinho reino espanhol, patentes no estado lastimoso em que se encontra o Rio Tejo, e não só.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

  1. Carlos A P M Leça da Veiga

    “Até porque para se conseguir ter progressos nesses campos, vamos ter de enfrentar……” Não concebo que possam deixar de enfrentar-se essas determinações alienígenas sem uma demonstração evidente de indignação e de recusa. Vinha muito a-propósito apoiar-se viva e entusiasticamente a Independência das várias Nacionalidades sujeitas á pata castelhana.CLV

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