CARTA DO RIO – 173 por Rachel Gutiérrez

Em penetrante artigo sobre O labirinto de nossos erros, nosso  Senador Cristovam Buarque escreveu no jornal O Globo do último sábado, 10 de outubro:

A injustiça social, a impunidade legal, o incentivo obsessivo ao consumo, a falta de bons exemplos vindos dos quadros dirigentes aprofundaram a marcha adentro do labirinto.  Para sair dele, seria fundamental dispor de interpretações atualizadas sobre a crise da modernidade e o futuro do Brasil, mas nossas universidades parecem aceitar passivamente o contínuo caminhar no labirinto, sem inovação ou ineditismo e até sem respeito ao mérito.

E concluiu:

O labirinto é o resultado de sucessivas escolhas erradas ao longo da história, mas a principal foi o descuido com a educação de nossas  crianças, do nascimento até a vida adulta.

Ora, falar em Educação é falar na UNESCO, a valorosa Organização das Nações Unidas ( O N U ) para a Educação, a Ciência e a Cultura ( United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization ), a agência especializada, que tem sua sede em Paris e foi fundada no final da Segunda Guerra Mundial, precisamente em 4 de novembro de 1946, “com o objetivo de contribuir para a paz e a segurança no mundo mediante a educação, ciências naturais, ciências sociais/humanas e comunicações/ informação.”

Julgo oportuno reproduzir as informações sobre a UNESCO que o Google divulga em sua enciclopédia Wikipédia:

As atividades culturais procuram a salvaguarda do patrimônio cultural, o estímulo da criação e a criatividade e a preservação das entidades culturais e tradições orais, assim como a promoção dos livros e a leitura. Em matéria de informação, a UNESCO promove a livre circulação de ideias por meios audiovisuais, fomenta a liberdade de imprensa e a independência, o pluralismo e a diversidade dos meios de informação, através do Programa Internacional para a Promoção da Comunicação.

A Organização, (cujas origens remontam à Liga das Nações formada, em 1919, pelas potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial), persegue seus objetivos através de cinco grandes programas: educação, ciências naturais, ciências sociais/humanas, cultura e comunicação/informação. Projetos patrocinados pela UNESCO incluem programas de alfabetização, técnicos e de formação de professores, programas científicos internacionais, promoção de mídia independente e liberdade de imprensa, projetos de história regional e cultural, promoção de diversidade cultural, traduções de literatura mundial, acordos de cooperação internacional para garantir o patrimônio cultural e natural mundial (Patrimônio Mundial) e para preservar os direitos humanos, e tenta superar a divisão digital mundial. É também membro do Grupo de Desenvolvimento das Nações Unidas.

Julian Huxley, primeiro Diretor Geral da Unesco

Seu principal objetivo é reduzir o analfabetismo no mundo. Para isso a UNESCO financia a formação de professores e uma de suas atividades mais antigas é a criação de escolas em regiões de refugiados. Na área de ciência e tecnologia, promoveu pesquisas para orientar a exploração dos recursos naturais. Outros programas importantes são os de proteção dos patrimônios culturais e naturais, além do desenvolvimento dos meios de comunicação. (…) Também  criou o World Heritage Centre para coordenar a preservação e a restauração dos patrimônios históricos da humanidade, com atuação em 112 países.

E em absoluta harmonia com os princípios e objetivos da Unesco, ao concentrar esforços na promoção da educação infantil, lembro a notícia que veiculei, com entusiasmo,  aqui, em minha Carta do Rio 45, de 7 de abril de 2015:

(…) pensei na infância, que já foi chamada de “fonte inesgotável de sonhos”, por Bernanos, mas que tem sido traída e defraudada tanto pela indiferença dos governos quanto pelo egoísmo cego da sociedade humana.

 E eis que um dos nossos raros heróis, o Senador Cristovam Buarque, defensor incansável da educação em nosso país, nos acena com uma esplendorosa esperança em sua coluna do jornal O Globo de hoje, 4 de abril. Conta que com base em iniciativa sua e do Prêmio Nobel da Paz de 2014, Kailash Satyarthi, “parlamentares de diferentes países se reuniram na semana passada no Nepal e [criaram] o Movimento Parlamentares sem Fronteiras escolhendo como primeiro tema de ação global os direitos da infância no mundo.”!    

Audrey Azulay, atual Diretora-Geral da Unesco

Infelizmente o que temos agora, em outubro de 2017, é a deplorável atitude de Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos da América do Norte, ao retirar intempestiva e brutalmente seu país da UNESCO. Bem merece a contundência do comentário de nosso cineasta Cacá Diegues, no Globo deste domingo:

A saída dos Estados Unidos da Unesco não é mais uma “doidice” de Donald Trump, um de seus típicos gestos de animador de auditório bde televisão, ofício que exerceu no início de sua carreira pública, em busca de audiência a qualquer preço. (…) A retirada da Unesco, o órgão da ONU dedicado à educação e à cultura, é mais uma confirmação de sua anunciada política de “America First”, palavra de ordem que ajudou a eleger Trump por tanto agradar aos admiradores tarados pelos tiros de John Wayne no Álamo. (…) Como já fez abandonando o Acordo do Clima de Paris, denunciando o tratado nuclear com o Irã, rompendo o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (…) retirando-se do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (…), acabando com as relações com Cuba iniciadas por Barack Obama.

 

Quando o presidente do país mais poderoso do mundo se comporta dessa maneira, até nossos escândalos de corrupção parecem minimizados.

E no mesmo Globo de domingo, 15, escreveu a premiada jornalista Dorrit Harazim:

Como já amplamente noticiado, a sanidade mental de Donald Trump foi alvo, inicialmente, de curiosos; depois, de interessados; mais recentemente, de profissionais do ramo. Acentua-se a cada semana, a dúvida sobre a possibilidade de o ocupante da Casa Branca representar uma ameaça à segurança mundial, dada a sua personalidade narcisista e o armamento que tem ao alcance de suas pequenas mãos.

 

Impossível expressar melhor o que nos angustia a todos!

 

 

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