FRATERNIZAR – Ainda o polémico Acórdão da Relação do Porto – O JUIZ QUE MAIS FEZ PELA DIGNIDADE DAS MULHERES – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Anda toda a gente, a começar por tudo quanto é organização de defesa de mulheres vítimas de violência doméstica, a gritar nas tvs e redes sociais contra o juiz Joaquim Neto de Moura do Tribunal da Relação do Porto, só porque ele acaba de escrever, num Acórdão que assina em parceria com uma juíza do mesmo Tribunal, o pior que se pode dizer das mulheres casadas que praticam adultério. Acho que fazem mal. Deviam era agradecer-lhe. É que ele, sem querer, acaba de fazer mais pela dignidade das mulheres casadas que praticam adultério e pela indignidade dos homens que também o praticam e, ao contrário delas, são até elogiados pelos juízes, do que todas essas organizações juntas. Vejam que ele chega a citar a Bíblia judeo-cristã-islâmica, para fundamentar o seu aberrante Acórdão. Ao ponto de obrigar os bispos a vir a terreiro defendê-la. Não com base nela, sim com base em Jesus, o do Evangelho de João Só que – azar deles – Jesus é o primeiro ser humano a pô-la em questão e, nela, todos os livros ditos sagrados!!!

Escrevo obviamente em chave de humor, a única em que esta inqualificável aberração do juiz pode ser abordada com dignidade. Não entendo que se levantem só contra ele, quando o que é eticamente imperioso e urgente é levantarmo-nos contra os dois mil anos de cristianismo-islamismo e os três mil anos de judaísmo, filhos da Bíblia judeo-cristã-islâmica, bem como contra os milhares de milhões de livros de todas as bibliotecas do mundo ocidental, cujos autores, na esteira dela, sempre viram e vêem as mulheres como propriedade do pai, enquanto solteiras e, depois de casadas, como propriedade do marido, no mesmo nível do boi, da vaca, do jumento e da casa. E como mera barriga de aluguer onde o seu dono-marido e senhor deposita o sémen que, depois, graças aos nutrientes fornecidos por ela, se tornam filhas, filhos exclusivamente dele, paridos por ela entre lancinantes gritos de dor. Os quais são logo convertidos em mão de obra barata dele, quando a riqueza é o latifúndio, e das multinacionais de hoje que fazem da maioria dos nascidos de mulher seus escravos, quer nas horas de trabalho forçado, quer nas horas das múltiplas e ruidosas diversões que o seu Mercado global lhes vende.

Afinal, o juiz Joaquim Neto de Moura, já com 28 anos de actividade, mais não faz do que aplicar a doutrina que a esmagadora maioria das mulheres e dos homens trazemos alojada nas nossas mentes, como um demónio, mascarado de teologia dogmática e moral do judeo-cristianismo-islamísmo, suas sinagogas, igrejas e mesquitas. Somos cegas, cegos, se corremos a atirar pedras ao juiz e deixamos intacta a demoníaca teologia do judeo-cristianismo-islamismo, de que ele é uma das vítimas e simultaneamente um dos seus agentes laicos de topo. A verdade que teimamos em não querer ver que ainda não somos nascidos e já essa demoníaca teologia é alojada nas nossas mentes. As mães, os pais têm sido, ao longo dos séculos, os seus principais difusores. Nem os ateus o são verdadeiramente. Deixam de frequentar os locais de culto, mas continuam a cumprir e a fazer cumprir as fundamentais leis do Poder. Filtram mosquitos e engolem camelos.

Todas as civilizações do passado e do presente, também a nossa civilização ocidental de raízes cristãs, estão edificadas sobre as demoníacas teologias dos chamados livros sagrados, com destaque para a Bíblia e o Alcorão, dentro das quais nos sentimos a jeito, porque achamos natural que seja o princípio masculino, gerador do Poder que conquista, domina, rouba, mata, destrói, a estar ao comando do mundo, quando só o princípio feminino (Jesus) é gerador da Arte de Cuidar da vida, dos seres humanos, dos povos e do universo. Ou nascemos de novo, à revelia das civilizações fundadas nos livros sagrados, e em sintonia com o princípio feminino, ou não chegamos sequer a ser mulheres-homens. Apenas coisas, mercadorias. Alguns no topo da pirâmide, a esmagadora maioria na base.

www.jornalfraternizar.pt

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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