CARTA DE BRAGA – NÃO HÁ IDENTIDADES CULTURAIS – por António Oliveira

 

Não há identidades culturais!

A afirmação é de François Julien, um dos mais importantes filósofos da França actual.

Julien defende que só se deve falar em recursos culturais por os valores, bandeiras dos nacionalismos, serem motivo de pregação e excludentes, enquanto os recursos se juntam e tendem a apoiar-se uns nos outros ou uns aos outros.

Na realidade, nesta realidade complexa da Europa, nota-se uma impressionante falta de conhecimento da história e das humanidades, uma ignorância assustadora dos caminhos e das incidências do crescimento das sociedades, favorecida grandemente pelo progressivo abandono do ensino daquelas matérias, em benefício do saber fazer tecnológico.

Representa cruamente o abandono dos recursos culturais da sociedade, em favor dos valores identitários e homogeneizadores, impostos pelos ecrãs que, raramente, favorecem o pensamento abstracto.

Ali, nos ecrãs, cento e quarenta caracteres determinam já ideias e iniciativas de quem tem poder, mas nunca atingem a dimensão do sentido e da interpretação, abertas apenas quando a leitura exerce a real função, ao mostrar ambientes, emoções, sentimentos e, acima de tudo, a aproximação entre os homens. Uma aproximação só atingida quando, com o uso dos vinte e poucos signos que fazem alfabetos, se consegue contar todos os sons e sentidos da comunicação entre os homens.

Não quero nem posso assumir-me como um profeta da desgraça, mas ao olhar para a mesa onde só se partilha comida mas não companhia, por essa estar a teclas de distância e haver um ecrã como intermediário, tenho a sensação de estar a assistir à demonstração do descrédito intelectual do ocidente.

Dizia-me alguém, há uns dias, que a palavra Ler tem a mesma dimensão de Amar, por ser a completude do relacionamento entre pessoas, afinal o somatório dos recursos culturais, por cada um de nós também ser o somatório dos que nos antecederam!

Quando se entender plenamente que Ler é a base da criação da riqueza cultural, os populismos e os seus valores, ficam reduzidos à sua condição mínima!

 

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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