CARTA DE VENEZA – ARQUEOLOGIA DE UM BREVE PASSADO INDUSTRIAL – por Vanessa Castagna

 

O polo petroquímico de Veneza, bem visível ao atravessar a Ponte della Libertà que une o centro histórico insular à terra firme, celebra este ano o seu primeiro século de vida. Um século marcado pelo crescimento progressivo até ao boom económico da década de 60, quando abriram as primeiras instalações ligadas à petroquímica e 229 empresas empregavam mais de 30.000 operários, até ao abandono gradual da produção a partir dos anos 80. A área industrial de Porto Marghera, mesmo assim, emprega ainda hoje cerca de 10.000 trabalhadores e continua a ser relevante do ponto de vista económico, sobretudo graças ao desenvolvimento do setor terciário e da logística.

Para comemorar o aniversário de Porto Marghera, como era de esperar, abundam iniciativas culturais e exposições para todos os públicos, incluindo visitas guiadas: o calendário completo dos eventos, juntamente com muitas outras informações, pode ser consultado no site criado para o efeito (http://www.portomarghera100.it/). O Teatro La Fenice tampouco deixou de assinalar a efeméride, por ocasião do concerto de abertura da temporada sinfónica, no dia 3 de novembro passado.

Dos eventos em programação é de destacar uma mostra de arte contemporânea intitulada Porto Marghera 100, especialmente concebida tendo em vista as novas gerações, no Palácio dos Doges, sendo a primeira vez que a contemporaneidade entra em exibição nesta prestigiada sede. O percurso expositivo desenrola-se ao longo de 10 salas, associadas aos materiais mais relevantes processados nas instalações de Porto Marghera, e inclui instalações de vário género e trechos de reportagens da época.

Celebrações à parte, resta o facto que em Porto Marghera se regista uma crise complexa, que exigiria um plano de investimentos sérios com foco na inovação e investigação e desenvolvimento. Os entendidos defendem que a sua vocação produtiva e industrial não deveria ser sufocada pelas necessidades do turismo, em particular pela hipótese de transferir para esta área periférica a estação marítima para os grandes navios de cruzeiro, que, por razões de segurança, vão deixar de poder transitar na bacia de São Marcos.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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