O QUE VEMOS, O QUE SOMOS, O QUE SENTIMOS por Luísa Lobão Moniz

Os meses de Julho e de Outubro foram meses de grande sofrimento neste país tão pequeno.

A dor das gentes foi sofrida por todos os portugueses residentes cá ou no estrangeiro. Formaram-se ondas de solidariedade confirmando o espírito de entreajuda de todos nós.

Temos sido os actores de solidariedade neste palco tão cheio de armadilhas, de Timor até Pedrógão…

Certa comunicação social entendeu ter o mau gosto de transmitir imagens tão cruéis que nos fizeram o coração encolher e as lágrimas seguirem o seu caminho…

Para despertar o sentimento de solidariedade não é preciso ver-se pessoas mortas no chão ao pé da jornalista, não é preciso entrevistar pessoas em plena crise de desespero por saberem que os filhos ou os pais estavam queimados, mortos… E agora é o bombeiro que sofreu queimaduras de alto grau que para relatar como foram aqueles momentos se deixa filmar mostrando algumas partes do corpo mais atingidas pelas chamas.

Foi uma tragédia que nos apanhou a todos desprevenidos.

O cidadão comum nem sabia o que era o SIRESP que foi uma peça importante que contribuiu para a falta de coordenação entre as diversas forças que estavam a tentar apagar o fogo.

Temos grande parte do território nacional todo cinzento, onde dantes havia árvores com folhas lindas, verdes…fica a recordação da beleza natural e a esperança de a reconquistar.

As imagens dos incêndios deram a volta ao mundo e do mundo vieram ajudas para a reconstrução do que foi destruído. Só o sofrimento e a morte das pessoas e dos animais ficaram no coração dos portugueses.

Somos um país pobre, com desemprego, com analfabetos, com violência doméstica, com maus tratos às crianças, mas somos um país com pessoas que procuram uma vida boa, e se não a têm é porque outros se apoderam da nossa força de trabalho e nos exploram com salários baixos e com carreiras congeladas.

Aprendemos que há gente corrupta em todo o lado, mas aprendemos também que há quem dê lições de cidadania ao sinalizar esses casos.

Aprendemos também que devemos respeitar e prestar homenagem aos bombeiros, muitos deles voluntários, que para salvarem vidas perdem as suas…

Sabemos também que o medo salazarista ainda está na cabeça de muita gente. Cabe-nos demonstrar que em Democracia não pode haver medo…para isso os corruptos devem ser punidos.

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