FRATERNIZAR – Serão os discursos de paz geradores de guerras? – A PAZ SEGUNDO OS PAPAS E JESUS NAZARÉ – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Cada primeiro dia de um novo ano é desde 1968, O Dia Mundial da Paz. Não por decisão dos povos do mundo, mas por decisão do papa Paulo VI. Não têm conta desde então os discursos e as mensagens de paz dos papas, dos bispos residenciais e das inúmeras Comissões de Justiça e Paz do mundo católico. Como não têm conta, desde então, novas e cada vez mais mortíferas guerras no mundo, a sugerir que os discursos papais de paz têm o perverso condão de gerar mais e mais guerras, quando a expectativa é que eles lhes ponham fim. Não põem. Pelo contrário, estimulam o rebentamento de novas e cada vez mais mortíferas guerras. Inclusive, o rebentamento da primeira grande guerra financeira mundial que cresce de ano para ano, sem que nada, ninguém a detenha. Somos, pois, politicamente ingénuos, criminosos, até, se continuamos a não querer ver que os pais de todas as guerras no mundo são os sucessivos papas de Roma, ou não sejam eles o adúltero fruto da união literalmente abençoada pela Bíblia sagrada e o seu Deus, entre o judeo-cristianismo davídico-petrino e o Império romano, selada no séc. IV por Constantino, cujo mais recente sucessor é o actual papa Francisco.

A decisão do papa Paulo VI apanha-me então com 30 anos de idade, 5 anos de presbítero, a viver inesperadamente há dois meses em Mansoa, a 60 kms da capital da Guiné-Bissau, uma das três antigas Colónias de Portugal em luta armada pela sua autonomia e independência. Estou lá como capelão militar, por indicação do então Administrador Apostólico da Diocese do Porto, D. Florentino de Andrade e Silva, e a consequente convocatória do QG, de Lisboa, ao abrigo de um espúrio Acordo entre o Estado do Vaticano e o Estado português, que conta com a inominável cooperação da hierarquia católica portuguesa em bloco, destinado a garantir um capelão militar por cada Batalhão que parte para a Guerra Colonial. Em 1967, o ano da entrada em vigor deste Vicariato, não tenho como escapar a um obrigatório Curso de Capelães militares numa Academia Militar em Lisboa e embarcar, no final, no paquete Uíge rumo a Bissau e, daí, escoltado num jipe até Mansoa, onde me aguarda o Batalhão de Caçadores 1912.

Ao dar comigo no coração desta estúpida e macabra Guerra Colonial, poderia fazer de conta e tirar até proveito material dela, como manifestamente fazem, então, a generalidade dos militares profissionais dos três ramos das Forças Armadas, dos Oficiais milicianos e também a totalidade dos capelães militares graduados em oficiais superiores integrantes dos quadros do Vicariato Castrense. Poderia. E essa é a grande tentação com que, de repente, me vejo confrontado. Só que eu, na peugada de Jesus, o filho de Maria, decido colocar-me de corpo e alma do lado das vítimas e não do lado dos verdugos institucionais. E as vítimas, ali, são indubitavelmente as populações e os povos de África, apanhadas, apanhados entre dois fogos cruzados, o dos guerrilheiros, seus filhos e irmãos, e os soldados e oficiais dos três ramos das FA do Portugal colonial. Tanto assim, que com apenas dois meses de activa e incansável presença entre os homens do meu Batalhão e as populações residentes para lá do arame farpado a isolar o Batalhão, dou comigo a defender nesse Primeiro Dia Mundial da Paz o direito dos povos colonizados à sua autonomia e independência política, como condição sine qua non para a paz.

Sou desde então e por isso um “padre irrecuperável”. Porque vejo-conheço o Mal estrutural, o Pecado do mundo. E vejo-conheço que os pais dele são os papas de Roma e os bispos residenciais. Tanto que a criação pelo papa Paulo VI de O Dia Mundial da Paz tem o perverso condão de converter em cruzadas e em santas todas as guerras, a mais mortífera das quais é, hoje, a guerra financeira mundial em curso e já alojada na mente-consciência das populações, sobretudo, na das elites dos privilégios. Sem nenhum lugar para Jesus neste tipo de mundo do Templo e do Império nem para a Paz desarmada que Jesus é.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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