TENHO ESPERANÇA por Luísa Lobão Moniz

Temos a tendência para dizer que a nossa geração é melhor do que a actual porque vivíamos de sonhos que queríamos tornar realidade para toda a humanidade.

Somos do tempo em que vestir calças de ganga, usar camisolas sem costas, andar de mini saia eram motivo de sanção social, não eram bem vindas as raparigas que queriam transgredir as coisas mais simples da vida: ter a liberdade de vestir aquilo de que gosta. Quem não se lembra que as meninas não podiam ir de calças compridas para a escola?

Os rapazes desafiavam a sociedade preconceituosa ostentando os cabelos compridos, usando camisas aos quadrados, não usando gravata, vestindo camisolas coladas ao corpo.

As lojas de culto eram as que tinham roupas, botas, colares, objectos fora do habitual, normalmente importadas de Inglaterra.

Era uma grande satisfação quando fazíamos anos e podíamos escolher essas roupas que eram motivo de crítica social.

Era o tempo do Peace and love, da resistência, da constetação às guerras do Vietnam e das Colónias portuguesas.

Era um tempo em que muitos de nós acreditávamos, sem reservas, na mudança da sociedade classista, desigual, em que a exploração do” Homem pelo Homem” era referida em todos os encontros clandestinos para discutir como derrubar a ditadura salazarista.

As mulheres, em casa, a tratar dos filhos e das lides domésticas despersonalizavam-se, não tinham o mesmo conhecimento que os homens, não estudavam, não votavam, eram exploradas e maltratadas pelos maridos.

O que se passava dentro de casa não era divulgado no espaço público.

Tinham vergonha das suas próprias vidas, tinham que obedecer pois quem trazia o dinheiro para casa eram os homens.

È fácil dizer que se deviam organizar e romper este ciclo do poder dos mais fortes sobre os mais fracos, mas os receios eram muitos e não eram fáceis de ultrapassar, toda a vida foi isto que viram ser vivido em casa dos avós e dos pais e principalmente porque não queriam pôr os filhos em risco.

O 25 de Abril, que abriu as portas para a liberdade e para o conhecimento de nós próprios, não conseguiu ainda acabar com a bárbara violência doméstica, com os maus tratos a crianças, com a pobreza…

Mas muita coisa mudou: legalização de partidos políticos e de sindicatos, maior acesso à escola, liberdade de expressão do pensamento, Serviço Nacional de saúde, fim da Guerra Colonial, maior igualdade e respeito entre género, reconhecimento das comunidades gays; legislação de protecção às mulheres e às crianças, apoios sociais.

Tanta coisa mudou até chegarmos à internet, ao facebook e afins!

Bem explorados poderiam ser um óptimo auxiliar para a construção de uma sociedade mais justa.

A época da mini saia e dos cabelos compridos já não contestam nada porque não há necessidade, agora as necessidades são outras e o conhecimento, o novo circula *a velocidade da luz.

Eu tenho muita esperança nestas novas gerações, pois tal como as anteriores lutam por uma vida melhor.

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